Processo definirá empresa que acompanhará tecnicamente o projeto de ATO das linhas da CPTM; instalação foi contratada pela Trivia Trens com a Siemens Mobility para as linhas 11, 12 e 13
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) realiza nesta sexta-feira, 10 de outubro, às 10h, a sessão pública da Licitação LC00625, que tem como objetivo contratar serviços técnicos especializados de engenharia para a supervisão do projeto e da implantação do Sistema de Operação Automática de Trens (ATO) nas linhas operadas pela empresa.
O sistema ATO, que automatiza parte da condução dos trens — controlando aceleração, frenagem e paradas com precisão —, tem como finalidade aumentar a segurança, a regularidade e a eficiência da operação ferroviária, além de reduzir o consumo de energia e melhorar o controle dos intervalos entre composições.
A sessão ocorrerá na Rua Boa Vista, 162, Centro de São Paulo, seguindo o modo de disputa fechado e presencial, com julgamento pela melhor combinação de técnica e preço.
O contrato de supervisão terá duração de 18 meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço pela companhia.
Supervisão das obras do ATO contratadas pela Trivia Trens
A licitação da CPTM complementa o contrato recentemente firmado pela Trivia Trens, concessionária do Grupo Comporte, responsável pela operação e modernização das Linhas 11–Coral, 12–Safira e 13–Jade — conjunto conhecido como Lote Alto Tietê.
Conforme noticiado pelo Diário do Transporte nesta quinta-feira (09), a Trivia Trens contratou a Siemens Mobility para a implantação do sistema ATO nessas linhas, que vai permitir operação mais automatizada e segura dos trens, integrando novas soluções de controle e sinalização (leia aqui).
Modernização e integração tecnológica
O ATO representa um avanço no processo de modernização do sistema ferroviário metropolitano de São Paulo, aproximando a CPTM dos padrões tecnológicos adotados em metrôs de grandes cidades. O sistema permitirá redução de intervalos entre viagens, monitoramento contínuo de desempenho e melhor controle operacional, beneficiando milhares de passageiros diariamente.
Outras ações de modernização da CPTM
A nova licitação se soma a outras iniciativas recentes da CPTM voltadas à modernização da infraestrutura das linhas concedidas à iniciativa privada. Em setembro de 2025, a companhia abriu concorrência para a modernização da Linha 13–Jade, que prevê a atualização do sistema de sinalização e a separação dos sistemas de controle das Linhas 11–Coral e 12–Safira, atualmente interligados. O objetivo é permitir maior independência operacional entre as linhas, reduzindo interferências e preparando a rede para a implantação de tecnologias automatizadas como o ATO (leia aqui).
Esses processos indicam um movimento de reorganização técnica e operacional da companhia, que passa a concentrar suas ações em fiscalização, integração e atualização tecnológica dos sistemas ferroviários, enquanto as concessionárias assumem a execução direta das obras e operações.
Linhas concedidas
Grupo Comporte (ex-CCR) – TIC Trens:
- Linha 7–Rubi (Luz–Jundiaí)
Incluída no projeto de concessão Trem Intercidades Eixo Norte (São Paulo–Campinas), que será operado pelo Grupo Comporte, através da concessionária TIC Trens. O grupo venceu o leilão em fevereiro de 2024 em consórcio com a fabricante chinesa CRRC. A concessionária TIC Trens iniciará a operação total da Linha 7-Rubi em 26 de novembro de 2025
Grupo Motiva Trens (ex-CCR) – ViaMobilidade:
- Linha 8–Diamante (Júlio Prestes–Itapevi–Amador Bueno)
- Linha 9–Esmeralda (Osasco–Grajaú–Varginha)
Operadas pela ViaMobilidade Linhas 8 e 9, concessionária do Grupo CCR, desde 27 de janeiro de 2022, em contrato de 30 anos. Responsável por operação, manutenção, modernização e investimentos estimados em R$ 3,2 bilhões.
Grupo Comporte (Trivia Trens) – Lote Alto Tietê:
- Linha 11–Coral (Luz–Estudantes)
- Linha 12–Safira (Brás–Calmon Viana)
- Linha 13–Jade (Engenheiro Goulart–Aeroporto de Guarulhos)
Contrato de concessão do Lote Alto Tietê assinado em 22 de maio de 2025. A operação completa e independente das linhas pelo Grupo Trivia só deve começar a partir de 2026. O processo prevê um período de transição de dois anos, com 12 meses para treinamento e mais um ano de operação assistida pela CPTM. O contrato inclui operação, manutenção e modernização tecnológica, com investimentos previstos de cerca de R$ 9 bilhões, incluindo a implantação do sistema ATO e modernização das estações.
Linha prevista para concessão futura
- Linha 10–Turquesa (Brás–Rio Grande da Serra)
Ainda sob gestão direta da CPTM, com estudos de concessão em andamento dentro do pacote de projetos do Governo do Estado. Há expectativa de agrupamento com o futuro Trem Intercidades Eixo Sul (Santos–São Paulo).
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
