Linha 16-Violeta do Metrô: Governo de São Paulo abre Consulta Pública

Contribuições poderão ser enviadas até 7 de novembro; projeto prevê concessão patrocinada do novo eixo metroviário ligando o Ipiranga à região da Cidade Tiradentes

ALEXANDRE PELEGI

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), abriu oficialmente nesta segunda-feira, 06 de outubro de 2025 a Consulta Pública SPI nº 011/2025, voltada à coleta de sugestões e contribuições para o aprimoramento do projeto de concessão patrocinada da Linha 16–Violeta do Metrô.

Segundo o aviso publicado no Diário Oficial do Estado, os documentos relativos ao projeto — incluindo estudos técnicos, minuta de edital e contrato — estarão disponíveis a partir desta segunda-feira, por meio de data room. O acesso será concedido mediante solicitação ao e-mail ppplinha16@sp.gov.br. O prazo para envio de contribuições vai até 7 de novembro de 2025.
Mais informações estão disponíveis no site da SPI: https://www.parceriaseminvestimentos.sp.gov.br/projeto-qualificado/linha-16-violeta/.

Linha 16–Violeta: a “Linha dos Parques”

Apelidada de Linha dos Parques, a Linha 16–Violeta será um novo eixo estrutural de transporte sobre trilhos, ligando o Ipiranga à Cidade Tiradentes, passando por bairros como Mooca, Vila Formosa, Vila Mariana, Jardins e Pinheiros. A primeira fase do empreendimento compreende 19 quilômetros de extensão, 16 estações e um pátio de manutenção.

A linha atenderá regiões densamente povoadas e com forte vocação para adensamento urbano, beneficiando mais de 475 mil passageiros por dia na Fase 1, e chegando a 850 mil passageiros/dia quando concluída a Fase 2, prevista para o início da próxima década.

Integração com a rede metroferroviária

A Linha 16 foi concebida com seis estações de integração, conectando-se a nove outras linhas da rede de transporte da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo Metrô, CPTM e ViaMobilidade. O projeto prevê também quatro terminais de ônibus integrados, permitindo maior capilaridade no atendimento.

O intervalo entre trens (headway) será de 3 minutos nos horários de pico e 6 minutos nos períodos de menor demanda, assegurando alta capacidade e regularidade operacional.

Investimento e operação

O projeto terá um investimento total (CAPEX) estimado em R$ 37,5 bilhões, com nove anos de obras para a primeira fase e início de operação em 2035. O custo operacional (OPEX) é calculado em R$ 22,9 bilhões ao longo de 31 anos de concessão, o que equivale a cerca de R$ 740 milhões por ano.

Entre os principais itens de investimento estão:

  • Obras civis de estações, túneis e poços de ventilação;
  • Aquisição de 25 trens de seis carros cada;
  • Implantação de sistemas de sinalização, energia e telecomunicações;
  • Construção do pátio e terminais integrados.

A Linha 16–Violeta será concedida sob o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) patrocinada, formato em que o parceiro privado assume a responsabilidade de construir, operar e manter a linha por um período determinado (neste caso, 31 anos), recebendo parte de sua remuneração do poder público.

Nesse tipo de PPP, a receita proveniente das tarifas pagas pelos usuários não é suficiente para cobrir os custos totais do investimento e da operação. Por isso, o governo complementa a remuneração da concessionária por meio de uma contraprestação pecuniária — um pagamento periódico feito pelo Estado, de acordo com metas de desempenho e indicadores de qualidade.

Esse modelo difere das concessões comuns, em que a empresa depende exclusivamente da arrecadação tarifária. No caso da Linha 16, o Estado será o responsável por gerir as tarifas junto ao sistema metropolitano, e o parceiro privado será remunerado com base no contrato de PPP.

Contraprestação pecuniária: como funciona

A contraprestação pecuniária é o principal instrumento de pagamento nas PPPs patrocinadas. Ela representa o valor que o governo paga ao concessionário pela prestação dos serviços, de forma regular e vinculada ao cumprimento de metas de desempenho.

Esses pagamentos costumam ocorrer mensal ou trimestralmente, e podem ser reduzidos ou suspensos caso a concessionária descumpra prazos, padrões de manutenção ou indicadores operacionais (como frequência, disponibilidade e conforto). Assim, o modelo busca alinhar eficiência privada com interesse público, transferindo parte dos riscos de construção e operação ao setor privado.

No caso da Linha 16–Violeta, o critério de julgamento da licitação será o maior desconto sobre o valor máximo da contraprestação pecuniária definido no edital.

Benefícios urbanos e sociais

Além de ampliar a capacidade de transporte da metrópole, o projeto destaca benefícios urbanos e ambientais, como:

  • Redução de emissões de CO₂ e de custos públicos de manutenção viária;
  • Aumento da segurança viária e menor incidência de acidentes;
  • Estímulo à densificação urbana e geração de empregos no entorno das estações;
  • Inclusão social e de gênero, com banheiros acessíveis, áreas para amamentação e protocolos contra violência de gênero.

Próximas etapas

Após o encerramento da consulta pública, o Governo de São Paulo deverá promover uma audiência pública e, em seguida, submeter o processo de concessão à análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). A publicação do edital e o leilão internacional na B3 estão previstos para o primeiro semestre de 2026.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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