Caminhão elétrico cruza Serra do Mar e leva 27 toneladas entre Santos (SP) e Paulínia (SP)
Publicado em: 6 de outubro de 2025
Trajeto inédito de 250 km marca avanço na eletrificação do transporte de cargas e testa limites da logística sustentável no país
ALEXANDRE PELEGI
Pela primeira vez no Brasil, um caminhão 100% elétrico percorreu mais de 250 quilômetros transportando 27 toneladas de carga entre o Porto de Santos e a cidade de Paulínia (SP). A operação, considerada inédita, marcou um avanço simbólico na redução das emissões do setor logístico — um dos maiores responsáveis pela poluição no país.
O trajeto incluiu a subida da Serra da Anchieta, um dos trechos mais exigentes para o transporte rodoviário de cargas pesadas. O veículo utilizado foi o modelo Electric Tractor SE 437, da fabricante Sany Irmen, em uma operação conjunta entre a Syngenta e a transportadora Gelog, parceira da companhia há mais de duas décadas.
O caminhão é fabricado pela Sany, grupo chinês com sede em Changsha, província de Hunan, um dos maiores fabricantes de máquinas pesadas do mundo. No Brasil, a marca mantém um complexo industrial em Jacareí (SP), onde realiza montagem e suporte técnico de equipamentos, e atua em parceria com a Irmen Máquinas, concessionária oficial sediada em Betim (MG), responsável pela comercialização e assistência técnica da linha no país.
Segundo dados da Anfavea, o mercado de veículos elétricos cresceu 89% no primeiro semestre de 2024, mas a maior parte das vendas ainda está concentrada em automóveis leves e caminhões médios. A utilização de um articulado elétrico em rota de alta complexidade é vista como um marco para a chamada “logística verde”, segmento que deve movimentar US$ 61 bilhões até 2030, conforme estudo da consultoria Grand View Research.
“A experiência reforça nossa ambição de tornar a logística mais sustentável, unindo tecnologia, eficiência e responsabilidade ambiental”, afirmou Alessandra Gamero, diretora de Logística Integrada da Syngenta.
O Gerente de Transporte da Syngenta, Ronaldo Vaciloto, destacou que o teste comprova a compatibilidade entre desempenho e descarbonização, mesmo em trechos complexos:
“O Brasil tem ainda a vantagem de contar com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o que amplia o impacto positivo desse tipo de operação”, disse.
A Gelog, responsável pela aquisição do caminhão, também vê a iniciativa como parte de uma transformação estrutural do transporte de cargas.
“Investir em soluções inovadoras é essencial para acelerar a descarbonização do setor”, afirmou Adriano Fajardo, diretor da empresa.
De acordo com levantamento da Fenatac/Gigantes Elétricos, o mercado brasileiro de caminhões elétricos deve crescer 25,6% ao ano entre 2025 e 2031. Especialistas apontam que operações pioneiras como a de Santos a Paulínia funcionam como vitrine tecnológica, demonstrando o potencial de redução de até 76,5% nos custos operacionais em comparação aos modelos a diesel.
A ação também está alinhada às metas globais de ESG da Syngenta, que prevê reduzir em 38% suas emissões de CO₂ até 2030.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Um caminhão a diesel transporta quantas toneladas/viagem na mesma rota? Qual o tempo de ciclo completo incluindo o reabastecimento e a recarga?
Muito bonito mas o custo ainda é alto para o caminhoneiro comum.
Boa noite sou José Roberto Peracini sou Mococa SP o Brasil atrasou muito por não ter o caminhão elétrica a muitos anos atrás e veículo economico e zero manutenção gastaria um terço da manutenção de um veículo de combustão fora a poluição no ok obrigado