Eletromobilidade

VÍDEO: BYD tem 500 ônibus encomendados para São Paulo. Financiamento chinês é só para a marca

Pela manhã, ao Diário do Transporte, prefeito Ricardo Nunes disse que liberação de recursos está em fase final. São mais de R$ 500 milhões nesta primeira fase

ADAMO BAZANI 

Colaboraram Vinicius de Oliveira e Yuri Sena 

A BYD tem aproximadamente 500 ônibus elétricos encomendados para a capital paulista. A maior parte deste volume, em torno de 190, entre as entregas previstas para este ano e para 2026, é do tipo articulado de 22 metros, que já contam com a bateria do tipo Blade, que é mais leve, mais fina, economiza mais espaço da carroceria e, no caso de ônibus de grande porte, pode ser carregada na metade do tempo dos modelos anteriores.

O Diário do Transporte esteve na fábrica e mostrou o processo de produção desse tipo de bateria, que é considerado inovador.

A revelação foi feita pelo diretor da BYD, voltado para o segmento de ônibus, Marcelo Schneider, durante a cobertura de um evento realizado pela SECLIMA (Secretaria Municipal de Mudanças Climáticas)

As outras unidades estão distribuídas entre o tipo básico e o padron. A BYD deve fazer também lançamentos de novas configurações e opções para o mercado.

Marcelo Schneider comentou também sobre o financiamento do governo chinês para a compra de ônibus na capital paulista.

Pela manhã, ao Diário do Transporte, o prefeito Ricardo Nunes disse que parte da verba, na ordem de 560 milhões de reais, na primeira etapa do acordo com o governo chinês, está prestes a ser liberada e que o dinheiro é para veículos de marcas da China.

Relembre: 

VÍDEO – Nunes: São Paulo terá 1,2 mil ônibus elétricos até dezembro de 2025 e verba chinesa está prestes a ser liberada

Marcelo Schneider explicou que esse recurso foi obtido por meio de uma intermediação entre a BYD e o governo chinês, a pedido do próprio prefeito Ricardo Nunes, e que os recursos serão exclusivamente e totalmente para modelos da BYD. Assim, nem outras marcas chinesas terão acesso. Schneider explicou que isso deve ser uma regra do banco do governo chinês, que é como se fosse um BNDES da China.

No país asiático, o banco estatal de fomento é regionalizado. Ou seja, é como se houvesse um BNDES para cada região ou macro-região, que financiaria apenas empresas localizadas nesses pontos.

A intermediação foi feita junto ao braço do “BNDES” de Shenzhen, onde fica a sede da BYD. Como não há nenhuma outra produtora de ônibus elétricos habilitada para vir para o Brasil nesta localidade, o dinheiro, segundo Schneider, será apenas para veículos da BYD.

A empresa também afirmou que, apesar de ser de capital chinês, segundo Marcelo Schneider, trata-se da BYD do Brasil, instalada em Campinas. Portanto, é possível obter financiamentos para todo o país por meio de linhas de bancos públicos brasileiros, como o próprio BNDES do Brasil.

Segundo Schneider, inclusive, alguns ônibus financiados para a cidade de São Paulo, e que já estão rodando, tiveram participação do BNDES. A empresa também tem vendas que se concretizaram após empréstimos de entes públicos ou operadores junto ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal brasileiro).

Confira a entrevista na integra:

O Diário do Transporte continua aqui na cobertura do seminário promovido pela SECLIMA, que é a Secretaria de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, que discute eletromobilidade, agora com o nosso contato com o diretor da BYD, Marcelo Schneider, que vai contar para a gente novidades. Primeiro, em relação a números de encomendas para a capital paulista.

Adamo Bazani:

Quantos ônibus normalmente já têm publicados já?

Marcelo Schneider:

É um prazer falar contigo, com o pessoal do Diário do Transporte. Nós já temos aproximadamente 500 pedidos, dos mais diversos modelos. E o campeão de pedidos até então é esse veículo articulado, de 22 metros, que já serão entregues com as baterias Blade, a partir desse ano já.

Então, esse ano a gente entrega 40 unidades para a cidade de São Paulo, para o Corredor Verde. Em janeiro, mais 30 unidades. Depois serão mais de 120 unidades a serem produzidas em 2026 e também entregues aqui para a cidade de São Paulo.

Adamo Bazani:

Agora, o articulado é o que tem sido mais pedido. Até pela variedade, pela necessidade desse mercado, que a gente vê dois extremos no mercado de ônibus. O atendimento do padron, do básico, a BYD tem um volume expressivo também de pedidos, mas de encomendas já fechadas, inclusive. Mas, quando se fala do mercado em geral, ainda faltam algumas opções do pequeno e também do grandão. Esse do grandão aqui já está coberto, já com esses 22 metros.

Desses da capital, carroceria Caio, daquele já padrão E-Milleniun

Marcelo Schneider:

Isso, do E-Milleniun que você teve a oportunidade de visitar lá na fábrica da Caio. Exatamente aquele veículo que já está passando a fase final de homologação na Supertransporte e que a gente vai entregar já com as baterias Blade.

Adamo Bazani:

No Brasil, daqui a pouco a gente vai falar de dinheiro em São Paulo, mas no Brasil, onde estão os ônibus da BID?

Marcelo Schneider:

No Brasil a gente já tem ônibus espalhados, são mais de 100 veículos já espalhados pelo país. Agora a gente também está na expectativa dos recursos do PAC para poder fazer o atendimento a essas cidades que vão adquirir ônibus elétricos através do PAC ou de outra modalidade. Então, nós estamos atentos e também aptos a fazer o atendimento a essas cidades que têm interesse em eletrificar sua frota.

Adamo Bazani:

É importante dizer que uma parte do mercado já sabe, a gente já falou no Diário do Transporte, mas outra parte ainda não sabe e ainda tem essa imagem: a BYD é uma empresa de capital chinês, mas hoje ela está habilitada para receber investimentos federais e nacionais.

Marcelo Schneider:

Isso, ela é de capital chinês, mas é a BYD do Brasil. Então ela fabrica não só aqui os chassis, nós já temos componentes nacionalizados, também as baterias, a gente faz a montagem com componentes nacionalizados. Alguns dos nossos modelos já têm código FINAME e podem ser utilizados. Inclusive aqui em São Paulo, 108 unidades de veículos padron que serão entregues para a cidade serão financiadas pelo BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, um banco público e nacional.

Adamo Bazani:

Agora, é claro que a questão também de ser uma marca chinesa acabou facilitando uma questão que o prefeito Ricardo Nunes conseguiu lá na China.

Marcelo Schneider:

Sem dúvida. Uma preocupação do prefeito Ricardo Nunes lá atrás, quando nos procurou, era em relação a esse financiamento. Ainda não tinha esses recursos todos liberados, então ele tinha essa vontade de fazer eletrificação, mas não tinha o recurso. Nós fizemos uma intermediação entre a Prefeitura e o Banco da China, que disponibilizou para a cidade de São Paulo, no total, 500 milhões de dólares dentro de um pacote, em parcelas que serão liberadas aos poucos.

A primeira parcela já foi aprovada e está em fase final de assinatura entre a Prefeitura e o Banco da China: 100 milhões de dólares, que totalizam mais ou menos uns 500 milhões de reais, a serem utilizados para financiamento dos veículos elétricos.

Adamo Bazani:

Essa aproximação, essa intermediação foi, então, algo que acabou sendo feito pela BYD? O prefeito não conversava diretamente com o Banco da China?

Marcelo Schneider:

Isso, nós fizemos a pedido do prefeito. Buscamos esse recurso, que é muito barato, com taxas anuais muito boas, até melhores do que as taxas dos bancos nacionais. Isso fez com que a Prefeitura de São Paulo fosse atrás e aí sim, o prefeito e o secretário de Finanças negociaram com o Banco Chinês e chegaram aos apoios como entes públicos.

Adamo Bazani:

Agora, é claro que a BYD acaba se beneficiando disso, mas a dúvida é: esse recurso beneficia também concorrentes?

Marcelo Schneider:

Não, esse recurso específico é para ônibus da BYD. Porque foi uma negociação feita com a BYD. Na verdade, como funciona o Banco da China — e isso é importante as pessoas saberem — ele é como se fosse o BNDES. Só que estamos falando do BNDES da subsidiária da região de Shenzhen. Então, o recurso vem do Banco da China desta região e só pode financiar empresas daquela região. Se houvesse outra marca em Shenzhen, ela poderia estar sendo beneficiada também.

Adamo Bazani:

Interessante isso para o nosso ouvinte, leitor, saber. Então, quer dizer, lá os BNDES são regionalizados.

Marcelo, a gente agradece bastante a sua participação aqui no Diário do Transporte. Vamos acompanhar, inclusive, o Prefeito Ricardo Nunes soltou para a gente em primeira mão, ele inclusive já vai ser avaliado pela SPTRans.

Marcelo Schneider:

Sim, e nós teremos um evento — você naturalmente será convidado — para a entrega desse primeiro carro ao operador, agora no início de outubro.

Adamo Bazani:

Marcelo, muito obrigado pela sua participação aqui no Diário do Transporte.

Marcelo Schneider:

Maravilha. Obrigado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Vinicius de Oliveira e Yuri Sena 

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika disse:

    Iria ficar muito feliz se alguma empresa comprar Higer.

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