Incrível – HISTÓRIA e VÍDEO: Na semana em que a Busscar completou 79 anos de origem, Diário do Transporte relembra um ícone desta trajetória, o Diplomata 350
Publicado em: 21 de setembro de 2025
Veículo integrou parte da última linha de produtos que levava a marca da família fundadora Nielson e era visto pelo mercado como um modelo na medida certa, tanto em dimensões como em requinte e custo
ADAMO BAZANI
Colaboraram Vinícius de Oliveira e Arthur Ferrari
VEJA VÍDEO NO MEIO DA REPORTAGEM E FOTOS MAIS AO FIM
Sabe aquela situação, serviço ou produto que você olha e pensa (ou mesmo fala): isso encaixou direitinho!!! Foi na medida certa!!!
Quando tal coisa serve para diversas pessoas ao mesmo tempo ou para um mercado como um todo; a situação, serviço ou produto se torna numa “Solução” – (um termo que, infelizmente, se banalizou com o tempo).
Na história dos transportes por ônibus isso se aplica e há vários exemplos. Um deles, certamente, é um modelo icônico: o Diplomata 350, da Nielson, nome que remete às origens da encarroçadora Busscar, de Joinville.
E na semana em que a Busscar completou 79 anos de origem, o Diário do Transporte relembra este ônibus que, apesar de ter sido produzido até por poucos anos, diante do padrão que era nos anos 1980 a indústria do setor, marcou e muito. Mas não apenas pelo saudosismo e sim pelas contribuições e tendências que trouxe ao mercado rodoviário.
O Diplomata 350 ajudou a consolidar um faixa de modelos de ônibus intermediários e flexíveis que, já diante da busca de oferecer conforto, sofisticação, mas redução de custos e intercambialidade entre serviços diferentes, parece ter dado conta do recado.
Suas dimensões, de 3,5 metros de altura e comprimento que poderia chegar (nas operações brasileiras) até 13,2 metros, permitiam fácil manobra para categorias que necessitavam entregar mais que o básico. Os passageiros ficavam em plano mais elevado que as categorias menores, como o 310 e 330, mas num veículo que não precisava ter a mesma altura do “High Decker” Diplomata 380, de 3,91 metros e que era grande demais para algumas rotas e aplicações.
Além disso, oferecia um bagageiro com volume maior e capacidade mais ampla de carga.
Essas dimensões “maiores que a média do mercado” e menores que os “grandalhões”, facilitando as manobras, e os bagageiros generosos sem ser exagerados permitiam que uma empresa usasse, por exemplo, o mesmo ônibus para linhas rodoviárias regulares de curta, média e longa distância, mas também para fretamento, em especial o voltado para compras e turismo.
A carroceria também era “amistosa” a diferentes configurações e marcas de chassis, com dois ou três eixos; balanço dianteiro curto (roda da frente perto do para-choque da frente, muito comum na Volvo ou Scania, por exemplo); balanço alongado; motor atrás (Mercedes-Benz e Scania); motor no meio (Volvo),motor na frente (família S da Scania – balanço dianteiro curto) porta na frente, porta somente no meio; portas na frente e no meio; sanitário mais atrás; sanitário mais intermediário; enfim, o desafio e necessidade que fosse, o Diplomata 350 estava pronto a responder.
“Pra mim, foi a melhor carroceria que já existiu. Não era tão leve ao ponto de perder estabilidade, não era tão pesado ao ponto de tirar o fôlego do motor. Não era tão alta ao ponto de termos medo na curva, não era tão baixa a ponto também de prejudicar a direção. A visibilidade com o seu para-brisa com os cantos curvos e excelente posicionamento do cockpit não tinha igual” – disse o motorista aposentado Anderson Serrano, de Santo André, na Grande São Paulo, que trabalhou com o modelo na Expresso Brasileiro, tradicional empresa que tinha linhas da capital e ABC para o Litoral Sul e para parte do interior de São Paulo e que, usou o Diplomata 350 como estratégia bem-sucedida no disputado trecho São Paulo x Rio de Janeiro, no qual brigava com gigantes, como a Viação Cometa, que se caracterizava com o modelo CMA Flecha Azul (ônibus Scania com cara de norte-americano que ela mesma fabricava) e com a Viação Itapemirim, de Camilo Cola, que de igual forma produzia seus ônibus, os Tribus Tecnobus, mas também tinha o Dilpomata 350 na frota.
Aliás, o modelo na Itapemirim virou até astro de propaganda de TV. Nos anos 1980/1990, muitos vão lembrar do anúncio em meio ao Programa Silvio Santos, na época em que era transmitido pela TVS (hoje SBT) e TV Record ao mesmo tempo. Um menino com uma miniatura do mesmo modelo surgia no bagageiro. Era a Itapemirim anunciando este ícone na linha Rio de Janeiro x São Paulo. Muitos já tiveram “inveja” deste menino por causa de seu “brinquedo” 0 Este repórter foi um deles (rsrsrs).
O Diplomata 350 fez parte da última linha de modelos da encarroçadora com o nome Nielson, antes de ser lançada a marca Busscar, sendo comercializado oficialmente em 1985, mas apresentado em 1984, com os “irmãos menores” Diplomata 310 (3,1 m de altura) e Diplomata 330 (3,3 m de altura) – números aproximados. A produção foi até 1989/1990, quando passou a ser adotada a marca Busscar e foi lançada uma nova família de modelos, a El Buss (para ônibus rodoviários e mais simples) e Jum Buss (dos maiores e mais requintados).
Todos os modelos da última geração dos Diplomatas ganharam uma espécie grade falsa estética, para-choques com seis faróis (um chame até hoje sem igual e único) e caixa de letreiros dos itinerários colocada por trás do para-brisa.
Os “Diplomatas” em si já foram uma odisseia no mercado de ônibus e um dos nomes mais longevos do segmento rodoviário. Os primeiros foram lançados em 1961 com teto em dois níveis. Os modelos foram evoluindo e a cada geração, uma atualização para atender às necessidades funcionais e estéticas do mercado (ambos fatores que não se contrapõem, mas se completam).
Diz a lenda que a GM (General Motors), para lançar seu carro “Opalão” de luxo, em 1980, o Diplomata, teria pedido licença para a Nielson.
Nesta semana, o Diário do Transporte não poderia deixar passar em branco o modelo que brilhou pelas estradas com empresas gigantes como Itapemirim, Gontijo, São Geraldo, Garcia, Expresso Brasileiro, Sulamericana, Pluma, Catarinense, entre tantas outras poderosas e continuou a vida em viações menores e de fretamento. Até mesmo no transporte metropolitano, ainda nos anos 2000 (para ver a qualidade da carroceria), o modelo dos anos 1980 figurou. Exemplo foi a linha seletiva 325 – Mauá – Santo André – São Caetano do Sul – São Paulo (Avenida Paulista e Estádio do Pacaembu) pela antiga EAOSA (Empresa Auto Ônibus Santo André), na época gerenciada pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), do Governo de São Paulo. A EAOSA era do empresário Baltazar José de Sousa, que havia trazido algumas unidades de uma companhia rodoviária que também tinha participação, a Transjaó, de Mato Grosso, com sede em Cáceres.
A história da Busscar-Nielson e a matéria sobre os 79 anos de origem da marca, que desde 2017 é controlada pelo grupo da encarroçadora de ônibus urbano Caio, após doloroso, lento e polêmico processo de falência, você confere neste link:








ADAMO BAZANI, jornalista especializado em transportes – MTB 31.521 (formação superior)
Colaboraram Vinícius de Oliveira e Arthur Ferrari



Ainda que mais atualizada, esta última versão do Diplomata já não reinava tão soberana quanto reinou a versão dos anos 70. Inclusive porque nos anos 80 o Diplomata passou a ter de enfrentar a forte concorrência do então novissimo Paradiso, um modelo totalmente inédito que iniciava a grande virada da rival Marcopolo no nosso mercado dos rodoviários.
Já o Diplomata dos anos 70, com o seu característico teto em três níveis e aqueles faróis dianteiros posicionados em duplas verticais, foi um clássico que ficou pra História. Ele tinha um design e uma imponência que o faziam rivalizar até com os clássicos e exclusivos Dinossauros e Turbo-Jumbos da Cometa.
Complementando:
Uma coisa boa dessa época, e que deveria ser retomada, é a arquitetura com a frente elevada (acompanhada pelo devido reforço estrutural).
Tenho certeza que isso seria muito bem-vindo pelos motoristas. Seja pela melhor visibilidade e maior sensação de segurança ao dirigir na estrada, seja pelas chances bem maiores de salvar-se em caso de sinistros.
Se a preocupação dos projetistas for com o design, basta um pouco de boa engenharia e de criatividade.