EMTU em liquidação transfere à CPTM contrato da Ponte do Barreiro, obra-chave para o VLT da Baixada

Sub-rogação total garante continuidade da recuperação e ampliação da ponte que liga a área insular à área continental de São Vicente, com contrato de R$ 193,58 milhões e prazos prorrogados

ALEXANDRE PELEGI

A EMTU/SP – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo, em processo de liquidação, transferiu para a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos o contrato referente às obras de recuperação, reforço e ampliação da Ponte A Tribuna (também conhecida como Ponte do Barreiro), que liga a área insular à área continental de São Vicente.

A medida foi formalizada pelo Termo de Sub-rogação e Aditamento nº 01 ao Contrato nº 024/2023, publicado no Diário Oficial. O contrato, antes sob responsabilidade da EMTU, passa integralmente à CPTM, incluindo prorrogação de prazos e ajustes no cronograma financeiro.

Contrato e valores

O contrato, mantido com o Consórcio Paulitec-Agis – Ponte Tribuna (formado por Paulitec Construções Ltda. e Agis Construção S/A), soma R$ 193,58 milhões, financiados pelo Tesouro Estadual.

O escopo abrange:

  • desmontagem e recuperação estrutural da ponte (R$ 30 milhões);
  • reforços da via ferroviária e aparelhos de apoio (R$ 6,27 milhões);
  • execução de estrutura metálica ferroviária e lajes pré-moldadas (R$ 31,52 milhões);
  • desvio provisório de tráfego e recuperação da ponte rodoviária (R$ 17,74 milhões);
  • escarificação, reforço e bases de apoio (R$ 6,11 milhões);
  • ampliação da superestrutura para implantação de ciclovia e passeio (R$ 9,47 milhões);
  • obras de urbanização e paisagismo (R$ 1,02 milhão);
  • administração local e canteiro de obras (R$ 34,2 milhões).

O termo de aditamento não altera o valor global, mas prorroga a vigência por 12 meses a partir de 08/04/2026 e o prazo de execução por 9 meses a partir de 11/03/2026, com mudanças no eventograma.

A reforma marca o início da implantação da fase 3 do VLT da Baixada Santista, ligando o Terminal Barreiros à Samaritá. O ramal vai beneficiar cerca de 150 mil pessoas que residem em dez bairros da área continental de São Vicente e dependem do transporte público para se deslocar até Santos, município onde se localiza a maior parte das atividades econômicas da Baixada Santista. O investimento do Governo do Estado previsto para toda essa fase é de R$562 milhões.

Situação do VLT da Baixada Santista

Trecho em operação: a Linha 1 Barreiros–Porto, com 11 km de extensão e 15 estações, funciona desde janeiro de 2017, transportando cerca de 27 mil passageiros por dia.

Segundo trecho (Conselheiro Nébias–Valongo): possui 8 km e 12 estações. As obras civis já foram concluídas, mas a operação depende da finalização da sinalização e de sistemas complementares. O Governo autorizou aditivo contratual de cerca de R$ 395 milhões para concluir essa etapa.

Terceiro trecho (Barreiros–Samaritá, Área Continental de São Vicente): está em andamento, com a Ponte do Barreiro como elemento central. A recuperação das estacas e reforços estruturais já começou, e a previsão é de entrega da Fase 3 até 2028, atendendo mais de 150 mil pessoas da região.

Importância da Ponte do Barreiro

A ponte garante a ligação do trecho atual do VLT até a Área Continental de São Vicente. Sem sua recuperação e ampliação, o sistema ficaria limitado ao eixo Barreiros–Porto. As intervenções previstas incluem adaptações para receber ciclovia e passeio, além de reforços estruturais necessários para a passagem das composições do VLT.

A sub-rogação ocorre em meio à extinção da EMTU, que desde 2023 transfere competências e contratos a outros órgãos estaduais. Com a medida, a CPTM passa a assumir não apenas obras ferroviárias na Grande São Paulo, mas também projetos de mobilidade estratégica no litoral.

A Ponte do Barreiro torna-se, assim, um ponto decisivo para garantir a expansão do VLT e consolidar o transporte sobre trilhos como alternativa de mobilidade sustentável para a Baixada Santista.

Concessionária do VLT

O VLT da Baixada Santista é operado pela BR Mobilidade Baixada Santista (Grupo Comporte), concessionária vencedora da licitação de 2012. O contrato foi assinado em julho de 2013, com prazo de 20 anos, válido até 2033. A concessionária é responsável pela operação, manutenção e arrecadação do sistema, sob supervisão do Governo do Estado de São Paulo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Julio Dutra Vieira disse:

    Está obra e tão importante para a região tanto quanto o túnel submerso Santos Guarujá, mais estas obras estão demorando tanto que eu fico pensando pra qual geração irá ver tudo isso construído !!!!

  2. Patricia Santos de Araujo disse:

    Quando começará a contrução do trecho do VLT 3 fase pois quero trabalhar lá. E aonde tenho que entregar currículo para ser chamado pra entrevista

  3. MARLI JERONIMO DE ALMEIDA disse:

    É tanta assinatura, tanta fase experimental pela fases feitas e até agora nada de útil p povo.

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