Transporte Rodoviário: o paradoxo da regulação que desconecta o Brasil
Publicado em: 12 de setembro de 2025
Para a FlixBus, a burocracia regula, mas não conecta o país
ALEXANDRE PELEGI
O transporte rodoviário interestadual de passageiros vive um paradoxo. Para a FlixBus, empresa de tecnologia que atua no setor, enquanto linhas em mercados altamente rentáveis permanecem protegidas por regras que favorecem empresas já estabelecidas, milhares de cidades brasileiras seguem totalmente desatendidas. Segundo dados da ANTT, o Brasil tem mais de 5,5 mil municípios, mas em 2024 apenas 2.066 foram atendidos pelo serviço regular de transporte rodoviário interestadual — apenas um a mais do que em 2023. Isso significa que mais de 60% das cidades continuam sem nenhuma linha interestadual.
Na visão do CEO da FlixBus, Edson Lopes, a Resolução nº 6.033/2023 criou um arcabouço tão complexo que, desde sua implementação, nenhum novo mercado relevante foi efetivamente aberto.
“As barreiras artificiais, como o mecanismo de níveis e o limite de autorizações, travaram o processo. Na prática, a regulação não gerou nem abertura de novas linhas em mercados rentáveis, nem atendimento em regiões deficitárias. Hoje, quem consegue autorização o faz somente por via judicial, já que a ANTT não realiza janelas ordinárias, extraordinárias ou qualquer outro procedimento de outorga.”
O resultado, segundo Lopes, é um sistema concentrado e ineficaz, em que grandes grupos permanecem nas rotas de maior demanda, enquanto regiões de menor atratividade econômica continuam descobertas.
“A agência criou regras tão elaboradas que ela mesma não conseguiu implementar. O paradoxo é claro: em vez de ampliar a oferta, a regulação travou a evolução do setor”, avalia o CEO da FlixBus.
Os dados confirmam esse cenário, ressalta o CEO: em 2024, havia 359 empresas habilitadas para o serviço regular, mas apenas 186 efetivamente autorizadas a operar — menos da metade. Além disso, o número de linhas ativas caiu drasticamente: de 4,5 mil em 2023 para cerca de 2 mil em 2024, uma redução superior a 50%. Mesmo com um aumento de 4% no número de veículos habilitados (mais de 33 mil no total), o volume de passageiros transportados recuou de 43 milhões em 2023 para pouco mais de 40 milhões em 2024. Ou seja, a capacidade cresceu, mas a cobertura e a demanda caíram, conclui Lopes.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Esse número de linhas citados são super dimensionados, existiam a linha convencional (linha base para gratuidades e a operação mínima do mercado) a outra linha que estão considerando nesse número nada mais é que o serciso diferenciado da linha base (para não oferecer gratuidades e etc). Isso é previsto em regulamentação.
Então, não existiam todas essas 4000 linhas, mas o número gira em torno de 2000, pois a maioria das linhas tinham serviço diferenciado.
Diogo
O transporte rodoviário interurbano coletivo de passageiros é um direito do cidadão, porém padece de um processo cartorial que perpetua as permissões (autorizações, no caso federal) por séculos. Inventaram (os órgãos gestores desse sistema) a concessão por tempo indeterminado! Sejam linhas interestaduais, sejam intermunicipais, os senhores feudais (empresas) são os mesmos há anos. Pior nos Estados da União, que ainda por cima tem suas tarifas definidas por esses órgão – claro, sob o beneplácito das associações das empresas que interferem no processo – obrigando usuários a decidir entre pagar ou não viajar! No âmbito federal, ao menos a tarifa é livre. O mundo todo vive uma revolução capitaneada pela – agora – IA (inteligência Artificial) que racionaliza operações, administra tempos e movimentos, e favorece os usuários por disponibilizar promoções a preços atraentes – o que não é possível nas linhas intermunicipais, escravizadas ao regime imposto pelos governos estaduais e suas legislações do século passado. Licitação? No âmbito federal a última ocorreu no distante ano de 1990, salvo engano, e limitado a umas poucas linhas, a maioria em virtude da criação do Estado do Tocantins. Nenhuma das empresas, ditas tradicionais, jamais participou de qualquer concorrência. Flixbus, Buser, Fretamentos abertos, etc são respostas do mercado empreendedor ao imobilismo estatal e que privilegiam o usuário do modal, sem perder dinheiro, gerando renda, emprego e recolhendo impostos. Como impedir essa evolução por sua conta e risco?
O setor de transporte brasileiro ainda é dominado por um verdadeiro cartel de empresas que controlam o mercado há décadas. Até hoje, só encontrei uma única cooperativa que conseguiu operar no transporte interestadual — e mesmo assim limitada a apenas um estado. Todo o restante funciona, na prática, como uma máfia do transporte.
A ANTT, em vez de facilitar a inovação, cria barreiras que sufocam a competição. Quando tentei desenvolver uma solução de vans para rotas curtas, esbarrei em uma legislação que praticamente impede a entrada de novos modelos de negócio e protege os interesses das grandes companhias.
A única saída viável é a abertura real do mercado, permitindo a entrada de novas operadoras e soluções tecnológicas, ou então uma unificação do sistema nos moldes do Shinkansen japonês, mas adaptada à realidade brasileira — onde várias empresas poderiam oferecer serviços de qualidade a preços justos, garantindo eficiência, liberdade de escolha e melhor atendimento à população.
O que vejo é monopólio disfarçado de mercado aberto, inclusive muitos possuem ligações com políticos.
O melhor serviço de ônibus Flixbus é top… não pela eficiência..mais sim pelo serviço prestado. Que de fato é turístico sem compromisso algum de chegar… Só o prazer de viajar sem hora pra chegar… é muito bom o serviço… lembrando que não há nenhuma relação com horários de chegada…eu uso e recomendo…pois pra quem tem pressa esse não é pra você…a Flix é o jeito mais gostoso do turismo… Tudo digital e altamente digital…te chama no dia da passagem te lembra de todas as obrigações de passageiro alertando. Links Mapas. Tudo… Mas mesmo assim tem um serviço pra de 90% pois os dez é atrasado de companhias parceiras. Mas com disse é turismo na veia… Sempre uso e recomendo.