Greve paralisa o metrô de Lisboa e interrompe circulação em todas as linhas

Redes sociais/Lisboa

Trabalhadores protestam por melhores subsídios e jornada semanal; situação coincide com mobilizações no metrô de Londres

ALEXANDRE PELEGI

O mês de setembro tem sido marcado por greves em importantes sistemas metroviários da Europa. Em Lisboa, o Metropolitano da capital portuguesa registrou nesta semana duas greves parciais, nos dias 9 e 11, que interromperam a circulação em todas as quatro linhas até cerca das 10h30 da manhã. Enquanto isso, em Londres, os usuários também enfrentam transtornos por paralisações convocadas pelo sindicato ferroviário RMT.

Greve em Lisboa: paralisação sem serviços mínimos

De acordo com o próprio Metropolitano de Lisboa, a paralisação ocorreu sem serviços mínimos, ou seja, sem qualquer circulação obrigatória durante o período da greve. As estações foram fechadas desde a abertura, às 6h30, e só voltaram a funcionar após o fim do protesto.

As reivindicações dos trabalhadores incluem:

  • Aumento dos subsídios de refeição, férias e Natal;

  • Alterações na carga horária máxima semanal;

  • Garantias de valorização profissional e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

A administração da empresa, que é 100% pública e estatal, afirmou em comunicado que já apresentou um “compromisso robusto” em negociação, mas não conseguiu convencer os sindicatos a suspender a greve.

O que é o Metropolitano de Lisboa

O Metropolitano de Lisboa é o sistema de transporte rápido urbano da capital portuguesa. Criado em 1948 e inaugurado em 29 de dezembro de 1959, foi o primeiro metrô de Portugal. Hoje é uma empresa pública 100% estatal, administrada pelo governo central, e tem como missão estruturar a mobilidade na área metropolitana de Lisboa, em integração com ônibus urbanos, trens suburbanos e bondes elétricos.

A operação é feita em via exclusiva, majoritariamente subterrânea, sem cruzamentos de nível, o que garante regularidade ao serviço. O sistema funciona diariamente das 6h30 à 1h da manhã, servindo tanto aos deslocamentos cotidianos (trabalho, escola, serviços) quanto ao intenso fluxo turístico de Lisboa.

Estrutura da rede e expansão planejada

Atualmente, o sistema conta com:

4 linhas (Azul, Amarela, Verde e Vermelha);

56 estações, das quais 45 já contam com acessibilidade plena;

Extensão de 44,5 km, quase toda subterrânea;

Circulação de energia elétrica por terceiro trilho de 750V.

O material rodante é formado por diferentes séries (ML90, ML95, ML97, ML99), com previsão de entrada de novos trens (ML20 e ML24) nos próximos anos.

Projetos em andamento incluem:

Linha Circular, que vai transformar parte da Linha Verde e criar um percurso contínuo no centro da cidade;

Linha Violeta (Odivelas–Loures), um metrô de superfície previsto para 2029;

Prolongamento da Linha Vermelha até Alcântara, com novas estações em Campo de Ourique e Amoreiras.

Em 2023, o metrô transportou 161,7 milhões de passageiros, número ainda abaixo do recorde pré-pandemia de 173 milhões (2019).

Um paralelo com Londres

As greves em Lisboa acontecem quase em simultâneo com os protestos no metrô londrino, onde o sindicato RMT e a autoridade de transportes TfL divergem sobre salários, segurança e condições de trabalho. Tanto em Londres quanto em Lisboa, os protestos têm impacto direto no dia a dia de milhões de usuários e revelam que os desafios do transporte urbano vão além das questões técnicas, envolvendo também negociações trabalhistas, financiamento e políticas públicas.

Sindicatos em confronto com o “pacote laboral”

As greves recentes no metrô de Lisboa também refletem um ambiente mais amplo de contestação trabalhista em Portugal. As principais centrais sindicais do país, CGTP-IN e UGT, estão mobilizadas contra o chamado “pacote laboral”, conjunto de reformas proposto pelo governo que altera mais de cem artigos do Código do Trabalho.

Entre os pontos mais polêmicos estão a possibilidade de demissões mais fáceis, a flexibilização de horários por meio de bancos de horas individuais, a ampliação da subcontratação e restrições ao direito de reintegração de funcionários em casos de demissão ilegal. Para os sindicatos, o pacote representa um retrocesso social, com riscos de precarização das condições de trabalho, redução da contratação coletiva e ataque a direitos fundamentais, como a greve e a proteção da maternidade e da paternidade.

Diante disso, foi convocada uma Jornada Nacional de Luta para 20 de setembro, com manifestações previstas em Lisboa e no Porto. Setores como a administração pública já apresentaram pré-avisos de paralisação, e não está descartada a convocação de uma greve geral, caso o governo mantenha a proposta sem diálogo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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