Moscou renova sua frota e agora tem os trens mais novos da Europa

Com 4.500 novos vagões, idade média caiu de 23 para 4,5 anos; passageiros ganham com mais conforto e menos barulho

ALEXANDRE PELEGI

O transporte sobre trilhos da capital russa vive um momento importante. O Moscow Central Diameters (MCD), rede que conecta Moscou às cidades vizinhas, concluiu uma ampla modernização de frota, com a entrega de 4.500 vagões. O resultado foi imediato: a idade média dos trens caiu de 23 para apenas 4,5 anos, colocando o sistema na liderança europeia em renovação de material rodante.

O Moscow Central Diameters, ou simplesmente MCD, foi criado em 2019 para integrar Moscou às cidades da região metropolitana. Funciona como uma mistura de metrô e trem metropolitano, similar à CPTM de São Paulo e ao RER de Paris (Réseau Express Régional, ou Rede Expressa Regional), sistema de trens rápidos que ligam a capital francesa às cidades vizinhas.

As linhas do MCD de Moscou atravessam a cidade em formato de “diâmetros” – origem do nome – e permitem conexões rápidas com metrô, ônibus e VLT. Atualmente, já são cinco linhas em operação, responsáveis por transportar 1,6 milhão de pessoas por dia.

Conforto de última geração

Com a renovação, os passageiros agora viajam em vagões com ar-condicionado, purificação de ar, assentos ergonômicos, telas digitais de informação e entradas USB para carregar celular. O nível de ruído dentro dos trens também caiu em 35%, tornando o deslocamento mais silencioso e agradável.

Segundo o prefeito Sergey Sobyanin, a diretriz foi justamente aposentar composições antigas. Já o vice-prefeito de transportes, Maksim Liksutov, destacou:

“O MCD é um dos modos de transporte mais populares. Os moradores escolhem o sistema por causa do conforto, da rapidez e da facilidade de integração com outros meios.”

Linhas estratégicas: Yaroslavl e Paveletsk

A próxima fase da modernização vai priorizar duas rotas cruciais. A linha de Yaroslavl, que segue em direção ao nordeste e atende cidades como Sergiev Posad e Yaroslavl, importante tanto para trabalhadores pendulares quanto para turistas.

E a linha de Paveletsk, que conecta Moscou ao sul e dá acesso ao aeroporto Domodedovo e a polos industriais.

Essas duas linhas concentram grande volume de passageiros e já começaram a receber trens novos.

Modelos de trens

Entre os destaques da frota estão dois modelos russos.

O Ivolga, pensado para serviços suburbanos modernos, com design aerodinâmico, portas largas, maior espaço interno e tecnologia para eficiência energética.

E o EP2D, produzido pela Transmashholding, mais robusto e econômico, equipado com climatização, acessibilidade e sistemas digitais de informação.

A novidade mais recente é o Ivolga 4.0, versão avançada que já roda na linha de Yaroslavl desde junho de 2025. Esse trem oferece interiores mais espaçosos, melhor eficiência energética e sistemas de diagnóstico digital em tempo real, que aumentam a confiabilidade e reduzem falhas. Até 2030, 92 composições serão renovadas apenas nesse eixo.

Planos até 2035

O programa de modernização não para aí. A meta é colocar em operação cerca de 100 novos trens até 2035, conectando Moscou a cidades como Vladimir, um dos centros históricos da Rússia, parte do famoso “Anel de Ouro”; Ivanovo, polo têxtil e industrial; Kaluga, referência em tecnologia automotiva e indústria espacial; e Tula, tradicional na metalurgia e na produção de armamentos, além de forte destino turístico.

Como o Centro de Transporte Central responde por quase 75% de todas as viagens ferroviárias suburbanas da Rússia, a expectativa é que essa renovação defina um novo padrão de conforto para milhões de passageiros diários.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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