VÍDEO: Manutenção preventiva salva vidas e é 120% vantajoso economicamente para frotistas, diz especialista
Publicado em: 31 de agosto de 2025
Nesta sexta-feira (29), capital paulista protagonizou cena lamentável com volante de ônibus se soltando na mão do motorista. Caso é apurado, mas há características de falha na conservação
ADAMO BAZANI
Acabou o tempo em que fazer gambiarra trazia algum tipo de vantagem, mesmo que momentaneamente, para quem possuía frotas comerciais ou mesmo para o próprio veículo em casa.
Mas o mais importante é que uma manutenção preventiva feita de forma correta, conforme os manuais das fabricantes, salva vidas.
A orientação é do especialista em frotas comerciais, mecânico com formação técnica no SENAI e graduando em engenharia mecânica, Elias Tadeu Almeida.
“Parece óbvio, mas ainda vemos frotistas insistindo em empurrar para a frente revisões ou mesmo procedimentos simples, de rotina, para poupar centavos. Se antes era fundamental principalmente pela segurança, hoje com motores e outros itens cada vez mais eletrônicos e computadorizados, fazer a manutenção em dia é economicamente inteligente” – disse o especialista.
“Um cálculo por cima. Ao longo da vida útil de um ônibus urbano, em média de 10 anos nas principais cidades, a manutenção preventiva evitando quebras e os lucros cessantes, ou seja, quanto se perde porque o carro fica parado, no nono ano, com seu trabalho regular nas ruas e a economia em peças e mão de obra, o retorno desse ônibus pode chegar a 120%. Isso mesmo. É como se fosse comprar um ônibus novo e ainda sobrar dinheiro” – explicou.
Na última sexta-feira, 29 de agosto de 2025, a cidade de São Paulo assistiu uma cena lamentável. O volante de um ônibus urbano do sistema SPTrans (São Paulo Transporte), de responsabilidade da empresa A2 Transportes, da zona Sul, se soltou nas mãos do motorista. Isso ocorreu em pleno ano de 2025, no maior sistema de transportes da América Latina, que recebe subsídios anuais de mais de R$ 5 bilhões.
A empresa chegou a tentar desviar o foco dizendo que a imagem tinha áudio gerado por IA (Inteligência Artificial), inclusive a voz do motorista, mas a SPTrans confirmou em nota oficial ter ocorrido o fato.
Quanto a voz ser criada com IA, a discussão ficou pequena diante da gravidade da falha que pode ter sido cometida pela A2 Transportes.
Ainda é cedo para dizer se houve negligência da A2, mas há características de falha de manutenção. O fato é apurado pela referida Viação A2 e pela SPTrans.
A empresa de ônibus tentou desqualificar a reportagem, dizendo se tratar de veículo parado em ponto final, mas as imagens mostram o ônibus na faixa do meio da via, longe da guia, com carros passando a direita, inclusive.
Mas tudo é um detalhe diante da gravidade de um volante se soltar de um veículo de grande porte em via pública.
O veículo tem 11 anos de uso e já opera dentro da margem de tolerância de idade a mais, até 13 anos (originalmente eram 10 anos) pela SPTrans porque as empresas não conseguem comprar ônibus elétricos por falta de infraestrutura nas garagens para recarga de baterias. Desde 17 de outubro de 2022, as viações estão proibidas de comprar ônibus diesel 0 km.
Segundo o especialista, que por ética o Diário do Transporte não pediu para opinar especificamente sobre os riscos que o ônibus da A2 apresentou, obviamente que quanto mais velho o veículo, mais tende a apresentar problemas. Mas não é a idade o principal fator de falhas.
“É como o corpo humano. Depois dos 40, surgem umas dores, mas têm quarentões e quarentonas melhores de saúde que muitos brotinhos de 20 anos porque se cuidam mais” – brinca, mas exemplifica.
O aspecto humano com preservação de vidas já bastaria para justificar as manutenções preventivas corretas. Mas além das vantagens acima descritas, a economia da saúde pública com acidentes evitados e das empresas com pagamentos de indenizações e seguros faz com que os 120% estimados sejam ainda maiores na ponta do lápis.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Adamo, boa tarde de um ensolarado Domingo. Tive a oportunidade única de dirigir a Manutenção daquela que foi a maior empresa de ônibus urbanos do mundo, a CMTC. Depois dela presidi a EMDEC de Campinas e a centenária CSTC de Santos. Todas, à época, tinham serviços públicos estatais de transporte coletivo público por ônibus. Nos três casos citados, nossos índices de manutenção eram MUITO superiores aos das empresas privadas. Isso ocorria com os indicadores de MKBF e de MTBF (no caso dos elétricos, os tróleibus [assim mesmo, com “i”, contrariando o bom dicionarista Buarque de Holanda]). Ao conhecer o desempenho da frota do Grupo Constantino em sua exemplar garagem de S. Vicente, estranhei o fato de que seus índices de falhas eram o dobro daquelas que o poder público das cidades citadas conseguiam alcançar. Alertando os Constantino sobre isso, tive que ouvir não mais do que um muxoxo de desprezo … Sei muito bem o quanto a NTU domina a mídia do transporte público… E não me engano a respeito! Mas, parece-me não mais do que burrice explícita continuar a operar veículos de mais do que 7 anos de operação contínua em condições tão precárias quanto as nossas (pavimentos, sobrecargas, temperaturas). Mas eu sei que “Eles” dirão que o burro sou eu! Como eu tenho pra mim que os burros são muito sábios em sua animalidade explícita, pouco ou nada me importo pessoalmente. Mas, que o Brasil sofre com tamanha prevalência da burrice, isso sofre mesmo!!!
Também não é raro que os motoristas, mesmo alertando a oficina e os fiscais sobre mau funcionamento e falhas diversas nos veiculos, são “orientados” a rodarem os o ônibus assim mesmo.
Ou seja, rodar “até o osso”, e só parar o ônibus quando ele enguiça de vez. E na hora de fazer os reparos, dá-lhe gambiarra e cambalachos!!!
– Ah, mas a Prefeitura deveria fiscalizar isso, né???
– Pois é …DEVERIA!!!
Boa tarde, Laurindo! Concordo com sr. Existe uma economia boba por parte de empresários ou gerente de manutenção, onde itens (peças) que deveriam ser substituídas são questionadas se da para rodar mais um pouco, esquecendo que são vidas sendo transportadas. Povo sendo tratado como gado.