Eletromobilidade

Conselho Nacional de Bombeiros lança diretrizes sobre garagens com veículos elétricos e ABVE acha que vão ser gerados custos desproporcionais

Associação que reúne comandantes de Bombeiros de todo o País diz estar preocupada porque frota tanto de ônibus como de carros elétricos vai crescer muito no Brasil e edificações não estão preparadas. Indústria teme desestímulo

ADAMO BAZANI

Colaboraram Arthur Ferrari e Vinícius de Oliveira

O conselho que reúne os comandantes gerais dos Corpos de Bombeiros de todo o País, Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom, conhecida como Liga dos Bombeiros), lançou na última terça-feira, 26 de agosto de 2025, um documento oficial com as propostas de diretrizes a serem adotadas pelas corporações para a criação de leis e normas voltadas a adaptações de garagens para veículos elétricos.

Houve reações negativas por parte da indústria de ônibus, caminhões e carros movidos com eletricidade.

O documento engloba edificações domésticas; garagens de prédios comerciais; estacionamentos de estabelecimentos como shoppings, mercados e igrejas; garagens de ônibus; pátios de transportadoras; entre outras.

Segundo as regras sugeridas, a responsabilidade de instalação e garantia de eficiência de locais onde haja recarga de veículos elétricos caberá integralmente ao responsável técnico e/ou empresa instaladora, juntamente com o proprietário/responsável pelo uso. Os responsáveis terão de seguir normas técnicas nacionais de segurança.

As instalações terão de possuir sistemas de desligamento manual de todas as estações de recarga que não fiquem a mais de cinco metros de distância das entradas dos imóveis, pátios e terrenos.

As garagens devem ter ainda sistemas de detecção de incêndio com chuveiros de acionamento automático casos haja identificação de chamas de resposta rápida.

Além disso, o documento especifica que o pavimento da edificação onde houver ocupações com garagens seja dotado de ventilação natural com abertura mínima de 50% do perímetro em pelo menos duas fachadas, o sistema de extração mecânica é dispensado.

O órgão justifica a elaboração do documento à preocupação com o crescimento da frota tanto de ônibus como de carros elétricos no Brasil e diz que as edificações não estão preparadas, em sua maioria.

Ainda de acordo com a Ligabom, houve debates com diversas entidades ligadas à eletrificação de veículos e uma audiência pública voltada para a população em geral e representantes das Montadoras de veículos elétricos; Instaladores e fabricantes de estações de carregamento; Representantes dos setores de construção civil, imobiliário, engenharia e arquitetura; Proprietários de veículos movidos a novas energias; Projetistas e instaladores de sistemas de segurança contra incêndio e centros acadêmicos.

O documento, entretanto, não agradou a todos e recebe contestações.

Uma das entidades reúne justamente os fabricantes de ônibus, carros e caminhões elétricos.

Segundo a ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), as regras propostas vão gerar custos desproporcionais e pode haver um desestímulo à eletrificação de frota, necessária, de acordo com a entidade, diante da poluição das cidades.

Os fabricantes apontam supostos equívocos técnicos no documento, como o que confundiria, de acordo com nota da entidade, o modo de recarga (conceito funcional da IEC 61851‑1) com padrão de conector (tipo físico).

A ABVE ainda diz que os prazos definidos no documento são impossíveis, como a vigência das regras em 180 dias e exigência imediata das medidas elétricas, mais difíceis ainda em pátios comerciais de maior fluxo de veículos.

Os produtores de carros, ônibus e caminhões elétricos sustentam ainda que o “documento da Ligabom não seguiu o texto de consenso construído em mais de um ano de diálogo entre entidades como ABVE, Secovi, Sinduscon, Abravei e outras, em conjunto com técnicos do CB-SP, e apresentado oficialmente ao Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo no dia 11/6/2025”.

Veja abaixo a nota da ABVE e o documento na íntegra do conselho dos Bombeiros.

NOTA DA ABVE:

A propósito da “Diretriz Nacional Sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos”, divulgada no dia 26 de agosto pelo Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom), a ABVE tem o seguinte posicionamento:

ABVE reconhece avanços importantes na Diretriz Ligabom, especialmente no capítulo sobre normativas de instalação de equipamentos de recarga (conformidade com NBR 5410, NBR 17019 e NBR IEC 61851‑1, corte de energia, desligamento manual e sinalização, entre outros itens) e nas provisões de segurança dos edifícios novos.

Contudo, ao prever uma série de medidas de segurança nos prédios existentes e apenas nas garagens onde houver Sistemas de Abastecimento de Veículos Elétricos (SAVE), a Diretriz, na prática, se mostra de difícil de aplicação técnica para a maioria dos edifícios atuais. É também discriminatória à eletromobilidade e à instalação de equipamentos de recarga em edifícios, impondo custos desproporcionais às garagens.  

O texto condiciona, para edificações existentes, a instalação de chuveiros automáticos (sprinklers) e detecção automática em toda a garagem quando houver SAVE (item 6 da Diretriz).

Trata‑se de uma redação ao mesmo tempo clara e ambígua. É clara na discriminação aos sistemas de recarga, pois sempre que houver um SAVE toda a garagem será obrigada a ter chuveiros automáticos. E também ambígua, pois onde não houver SAVE tais chuveiros não serão necessários. Ou seja, punirá quem instala sistemas de recarga – equipamentos de alta confiabilidade – e será omissa quanto às garagens sem recarga, perpetuando o status quo.

O documento desestimula a oferta de recarga e cria um obstáculo injustificável ao direito do consumidor e à modernização dos edifícios e da frota nacional de veículos.  

Ele contém também um importante equívoco técnico, que compromete a segurança do serviço de recarga. Restringe a recarga aos Modos 3 e 4 (item 3.2), mas, em outro trecho, admite “SAVE Tipos 1 e 2” para garagens externas (item 4.3). Confunde modo de recarga (conceito funcional da IEC 61851‑1) com padrão de conector (tipo físico). Trata-se de erro terminológico, já que a recarga Modo 1 é proibida internacionalmente, em qualquer circunstância. 

A Diretriz Ligabom também não tem paralelo conhecido no mundo, ao atrelar a obrigatoriedade de sprinklers à mera existência de equipamentos de recarga nas garagens.

De fato, a própria Exposição de Motivos admite a “carência de regulamentação específica em âmbitos nacional e global” e o “caráter pioneiro” do texto — evidências de que não há referência internacional que suporte o vínculo obrigatório entre os sprinklers e os SAVE.

Ao longo de 17 meses de intensas negociações em torno do tema, a ABVE sempre defendeu medidas robustas e modernas para proteger vidas, patrimônio e edificações. Mas entende que segurança deve ser universal e neutra em tecnologia, conforme padrões consagrados pelas mais acreditadas instituições técnicas internacionais.

O documento também parece desconhecer o risco dos veículos a combustão. Os maiores sinistros recentes em estacionamentos — como Liverpool (2017) e London Luton Airport (2023) — tiveram origem em veículos a combustão, agravados pela propagação de combustíveis líquidos. A própria bibliografia da Diretriz cita o relatório pericial de Luton, evidenciando que a segurança deve ser universal, e não dirigida contra uma tecnologia específica. Cabe lembrar que só no Estado de São Paulo ocorrem em média 16 incêndios de veículos a combustão por dia, ou quase 6 mil/ano, segundo o próprio Corpo de Bombeiros (CB-SP).

Os prazos definidos são igualmente inexequíveis: vigência em 180 dias e exigência imediata das medidas elétricas do item 3 para edificações existentes, o que é incompatível com a realidade de condomínios, shoppings e aeroportos. 

Por fim, é importante frisar que o documento da Ligabom não seguiu o texto de consenso construído em mais de um ano de diálogo entre entidades como ABVE, Secovi, Sinduscon, Abravei e outras, em conjunto com técnicos do CB-SP, e apresentado oficialmente ao Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo no dia 11/6/2025.

ABVE teme que o texto induza à publicação de normativas estaduais desequilibradas nos seus critérios de segurança, estimulando conflitos desnecessários entre condôminos, proprietários de veículos elétricos, empresas de recarga e administradores prediais.

Mantida a Diretriz como foi divulgada, a judicialização do tema será inevitável, bem como medidas legislativas visando assegurar por lei o “direito à recarga” aos legítimos proprietários, usuários e fabricantes de veículos elétricos e equipamentos.

Por tais motivos, a ABVE roga pelo bom senso para que o documento da Ligabom seja devidamente ajustado e aplicado com sabedoria. E segue à disposição dos Corpos de Bombeiros e das autoridades estaduais para revisar a Diretriz com base em neutralidade tecnológica, evidência científica e análise de risco, sem punir quem adota tecnologias mais limpas e sem travar a modernização das garagens.

Num momento em que milhares de vidas e bilhões em patrimônio continuam sendo perdidos anualmente por causa da poluição do ar e das mudanças climáticas, o Brasil não pode deixar de aproveitar a oportunidade de legar a seus cidadãos uma regulação moderna, viável, tecnicamente eficaz e segura para todas as edificações

DIRETRIZES DA LIGABOM:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Isso só endossa a necessidade de se diversificar as matrizes limpas, e não apostar tudo apenas na eletricidade por baterias recarregáveis.

    Mais um motivo pra se modernizar e requalificar a tecnologia Trólebus, que já é consagrada e plenamente compatível com a atual tensão de rede existente.

    E também outra boa razão pra se ressuscitar da prancheta a tecnologia Hibrido-elétrica (mais exatamente o modo e-power, ideal pra veiculos pesados), que poderia gerar a própria eletricidade a partir do HVO, do biometano e do etanol, com rendimentos bem maiores do que pela tração direta à combustão.

    A tecnologia a baterias não é o futuro!
    Ela é somente um dos futuros!

    1. Marcelo disse:

      Sei comentário apresenta um ponto razoável para uma discussão saudável. Gostei. Bem diferente de outros que só buscam detratar os Corpos de Bombeiros, ignorando suas histórias desde 1856 e as competências dos mesmos, que vão muito além de se limitar apagar incêndios. Abraço.

  2. Marxos disse:

    Esses bombeiros tão se achando deviam somente se ater a apagar fogo e mais nada

  3. Rodrigo Zika disse:

    Ou seja, mais um motivo pro governo atual que ama imposto, inventar mais um.

  4. Marcelo disse:

    É um tema que deve ser encarado e, que ninguém envolvido se deixe enganar quanto a seriedade do trabalho realizado pelos Corpos de Bombeiros do Brasil. Antes de qualquer alegação de discriminação e ambiguidade sobre a norma, a qual eu, pessoalmente não li na íntegra; penso que alguns argumentos trazidos pelos interessados na produção e venda de EV/EVH são frágeis e ficam apenas naquilo que é mais fácil de se perceber neste caso. Li o bastante sobre este assunto para entender algumas coisas. Antes de tudo; gostaria de esclarecer que este meu texto não é um contra-ataque a ninguém, e que tb não abordarei nenhum aspecto que relacione esses veiculos com as questões ambientais, sobre as quais eu posso dizer que possuo algum conhecimento teórico para promover outras discussões relativas à uma forçada mudança de padrão de mobilidade veicular sobre argumentos que são notoriamente enviezados, querendo impor ao mundo, uma agenda regressiva que atropela debates sérios à partir da criação de fantasmas que em nada contribuem para o desenvolvimento saudável de nossas sociedades. Por outro lado; tb não sou nada ignorante no trato das questões relativas à prevenção e combate à incêndios. Aliás; neste ponto, mudanças nos padrões construtivos das edificações e reações dos materiais estruturais a altas temperaturas, principalmente, nas edificações verticalizadas, bem como, sobre o suprimento de água para combate a incêndios, foi por anos, uma preocupação que carreguei e, em certo ponto, contribui para a propagação do tema junto à academia e dentro do Corpo de Bombeiros. Os temas me são caros e nada estranhos. Voltando ao ponto central; quero relembrar que no que tange aos desastres, eles eclodem justamente quando a prevenção falha! Quem é do meio e vive a realidade dos incêndios sabe bem o que quero dizer!
    Eu não vou aqui reduzir o debate ao ponto que muitos tem feito, apelando para o elemento estatístico apenas, apresentando de forma irreal que o risco é pequeno por percentualmente, há muito mais relatos de incêndios envolvendo veículos à motor térmico que elétricos ou híbridos. Isso não é uma questão a ser considerada isoladamente num debate técnico servivel à sociedade. A cabeça da maioria das pessoas está quase sempre atenta e desejosa por novidades; oportunidade em que muitos tendem a desprezar outros aspectos mais relevantes, como p.ex, o “potencial para danos”. O que muitos tem tentado, e acho que de forma absolutamente imprópria, é conduzir o debate para transformar os Corpos de Bombeiros do Brasil nos vilões contra o desenvolvimento da mobilidade urbana. Isso está evidente nos textos de igual argumento (estatístico) que se espalham em publicações como esta, a qual me atrevi a responder apenas nesta oportunidade. Vamos começar com algumas definições para que possamos estar minimamente nivelados nesta discussão. A primeira é sobre o conceito de DESASTRE. Segundo a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE), um desastre é um evento adverso (natural ou tecnológico) que causa danos humanos (mortes, feridos), ambientais, à propriedade e interrupção de serviços, com consequências sociais e econômicas. A COBRADE classifica desastres em naturais (geológicos, hidrológicos, meteorológicos, climatológicos e biológicos) e tecnológicos (relacionados a substâncias perigosas, incêndios urbanos, falhas na infraestrutura, entre outros). Só por esta definição, de pronto, deveríamos estabelecer o debate dentro de argumentos reais. Estatística é importante, mas se utilizada com omissões, pode transmitir percepções falsas sobre o que se está analisando. O que proponho, é por uma lupa sobre este tema para ajudar os consumidores a enxergarem aspectos sérios e relevantes que apenas a publicação da referida Diretriz Nacional produzida após um tempo de escrutínio público, sugestões e discussões sobre o caso concreto, não é capaz de entender porque alguns parâmetros foram introduzidos no texto, e qual relevância eles tem pro consumidor final, que é a pessoa tem a condição de adquirir um desses EV/EVH. Todo ecossistema que envolve o ato final de por um dessss veículos (EV/EVH) rodando em nossas ruas e estradas, bem como, estacionado em vias públicas a céu aberto ou humano vaga privada coberta ou descoberta, paga ou não; estando ou não em carregamento de sua bateria, guarda em si um risco. Todo RISCO deve ser mitigado com vistas a reduzir DANOS. Veículos com motor térmico tem seus riscos? R: Tem. Estatisticamente falando; é maior, igual ou menor, os riscos de incêndios que veículos com motor térmico apresentam ante os EV/EVH? R: Segundo o que vi nas publicações, o risco de incêndios é maior para os de motor térmico. Estas respostas satisfazem a quem quando este tipo de estatística se apresenta publicamente? Alguém considerou as condições em veículos se incendiaram? Sobre condições, quero dizer que deve ter existido uma condição favorável para que o incêndio acontecesse. Essas condições estão diretamente ligadas à causa (ou causas) dos próprios incêndios. As causas podem estar nos próprios veículos ou externamente a esses. Alguém trouxe essa informação para o público? Eu não sei. Algum órgão/instituição pública ou privada apresentou dados ACREDITÁVEIS sobre as perícias de incêndios realizadas em veículos com motor térmico, EV e EVH, onde se poderia sacar informações mais interessantes sobre possíveis CAUSAS dos incêndios? R: 🤔Não sei. Algum órgão/instituição pública ou privada apresentou dados ACREDITÁVEIS sobre a dimensão dos danos causados pela eclosão de incêndios em quaisquer desses veículos? R: 🤔. Por que tais dados não são trazidos de forma consolidada para o consumidor? R: 🤔. Sabendo do potencial de DANOS que se pode alcançar com os incêndios envolvendo quaisquer desses veículos, alguém dimensionou os custos de medidas de reparação por danos e outros decorrentes de um desatre qq dessa ordem? Considere não somente os valores de seguros; mas tb, os valores/custos do Estado atuando com Corpos de Bombeiros, rede pública de saúde (internacões e procedimentos médicos), afastamentos temporários ou definitivos do trabalho (inclsuive por morte). Acho que os defensores da tal eletromobilidade deveriam apresentar tais dados e informar, de verdade, o público consumidor? Atacar os Corpos de Bombeiros não é a solução. Por outro lado; em todas as perguntas feitas anteriormente, creio que os Corpos de Bombeiros tb precisam ter especial atenção em tais informações e tê-las. A mera discussão sobre “QUANTOS” veículos com motor térmico, EV e EVH, são incendiados por ano no mundo, é uma estratégia carente de dados importantes e fraca para defender a substituição de tecnologia por outra. De novo; nem vou citar aspectos ambientais aqui, porque os desdobramentos da discussão seriam ainda mais longas. Por fim; quero dizer que os comentários dos que acusam os Corpos de Bombeiros de exageraram em algumas medidas, como sprinklers e detectores nos pontos de recarga; saibam que a medida não deve ser pelo eletroposto em si, mas; provavelmente, para reduzir condições de agravamento de um incêndio iniciado, onde a “CARGA INCÊNDIO” de um EV/EVH deve ser, em tese, diferente em relação aos automóveis com motor térmico. E aqui surge outra definição que a maioria das pessoas desconhece! E o que é a tal CARGA INCÊNDIO? A carga de incêndio é a quantidade de calor que pode ser liberada pela combustão completa de todos os materiais em um determinado espaço fisico. É expressa em megajoules por metro quadrado (MJ/m^2) e é um fator crucial para os bombeiros e engenheiros de segurança contra incêndio no Brasil.
    Por que a carga de incêndio é importante?
    A determinação da carga de incêndio é fundamental por várias razões:
    * Classificação dos edifícios: Ela ajuda a classificar as edificações quanto ao risco de incêndio. Locais com alta carga de incêndio, como depósitos de papel ou indústrias químicas, precisam de medidas de segurança mais robustas do que um escritório comum.
    * Dimensionamento de medidas de segurança: Com base nesse cálculo, os bombeiros conseguem determinar quais sistemas de proteção passiva e ativa são necessários. Isso inclui a espessura das paredes corta-fogo, o tipo de sprinkler, a capacidade de hidrantes, o número de saídas de emergência e o tempo necessário de resistência ao fogo das estruturas.
    * Planejamento de combate a incêndio: A carga de incêndio também fornece aos bombeiros informações sobre a intensidade e a duração esperada de um incêndio, auxiliando no planejamento da melhor estratégia para combatê-lo, como o tipo de agente extintor a ser utilizado e a quantidade de água necessária.
    O cálculo da carga de incêndio é normatizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), principalmente pela norma ABNT NBR 14432. Essa norma estabelece os procedimentos para o cálculo e a determinação dos riscos de incêndio nas edificações. Os valores são obtidos a partir de tabelas que consideram o tipo de ocupação do local e os materiais combustíveis presentes.
    Não me estenderei mais em minha cansativa exposição. Só quero dizer que, em tempos de polarização de debates, muitos improdutivos e outros necessários; o que se verifica aqui, é que está havendo descarte de fatores absolutamente necessários a compreensão das pessoas que desconhecem as preocupações dos Corpos de Bombeiros com suas premissas existenciais de “salvar vidas e os bens das pessoas”. Retomemos as discussões e aperfeiçoemos o texto se for necessário. Mas, os Corpos de Bombeiros do Brasil não podem negociar aspectos que estão diretamente ligados à gênese de sua criação e sua razão de ser; que nada tem a ver com o ecossistema que reúne indústria, comércio e políticas globais. Poderíamos estar do mesmo lado, o da defesa de nosso povo, e eu oro pra que estejamos, se for possível. Até o momento não é o que parece.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading