VÍDEO – EXCLUSIVO: Conheça uma garagem de ônibus da RATP em Paris e como a eletrificação do transporte tem ajudado até mesmo na questão de moradias populares
Publicado em: 24 de agosto de 2025
Governo francês se comprometeu a investir 1,5 bilhão de euros para que toda a rede de ônibus de Paris e região metropolitana seja livre de emissões; A tarifa comum financia apenas 21% dos custos de toda a rede de transportes por trilhos e ônibus; Não há gratuidades nem para idosos e estudantes
ADAMO BAZANI
Colaboração: ARTHUR FERRARI / ALEXANDRE PELEGI
Os investimentos que o governo francês tem realizado para que toda a frota de ônibus de Paris e região metropolitana seja elétrica estão gerando resultados além da mobilidade urbana e da questão ambiental.
Sobre garagens da empresa pública RATP, que já possuem todos os ônibus elétricos, têm sido realizado um programa de habitações populares destinado a funcionários e pessoas de baixa renda, aproximando quem morava mais longe do centro para onde está a maior quantidade de emprego e renda. Atualmente, são 5 mil unidades habitacionais e outras 12 mil em geração.
A RATP opera ônibus, trens, metrô e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
A convite da Iveco, fornecedora da maior parte da frota da RATP, o Diário do Transporte esteve na manhã desta sexta-feira, 26 de maio de 2023, em uma das 26 garagens da companhia pública em Paris.
A unidade visitada foi a Bus Center Montrouge, onde os 187 ônibus que ficam no local são elétricos.
O diretor de inovação e transição energética da RATP, François Vauxion, disse que com a adoção de frota elétrica, as garagens que possuem estrutura têm abrigado moradias e repúblicas de estudantes.
A Bus Center Montrouge possui dois pavimentos cobertos para os ônibus.
No primeiro deles, os coletivos ficam estacionados, cada um com um carregador, onde as baterias recebem a carga de energia necessária para as operações. No pavimento, também há uma área com transformadores que ajustam a potência da rede elétrica para as baterias dos ônibus.
Em média, cada ônibus é recarregado em até quatro horas.
No segundo pavimento, estão as oficinas mecânica, elétrica e de funilaria.
Mesmo nestas áreas e com trabalhadores atuando na manutenção preventiva, na manutenção corretiva e na funilaria, com ônibus circulando para todos os lados, o silêncio chama a atenção.
Pelo fato de as garagens com ônibus elétricos serem silenciosas e sem emissões, é possível remodelar o bairro e construir as moradias populares.
Somente na garagem Bus Center Montrouge são 630 famílias beneficiadas, entre estudantes, funcionários e não funcionários. O local conta ainda com uma horta mantida pela comunidade com foco nas crianças, para que tenham contato com a natureza e aprendam a importância da segurança alimentar e do não desperdício.
Deixando as pessoas mais perto de casa, as garagens de ônibus elétricos tentam ajudar num problema grande em Paris: trânsito, cada vez mais complicado como constatado pelo Diário do Transporte.
PROGRAMA DE ELETRIFICAÇÃO CUSTARÁ 1,5 BILHÃO DE EUROS:
Toda esta transformação urbana e de frota de ônibus elétricos tem um custo que, segundo François Vauxion, tem valido a pena até agora pelos resultados.
Tudo começou em 2015, quando na COP 21 o governo francês assumiu o compromisso de deixar livres de emissões todos os cerca de 5 mil ônibus até 2025. A meta foi prorrogada para 2030.
Para isso, a estimativa é de custo completo na ordem de 1,5 bilhão de euros contando com a aquisição dos ônibus, infraestrutura de recarga, adaptação de garagens, programas de benefícios urbanos e a conversão de ônibus híbridos em 100% elétricos.
FINANCIMENTO DOS TRANSPORTES POR TARIFA É SÓ DE 21%
A tarifa comum financia apenas 21% dos custos de toda a rede de transportes por trilhos e ônibus. Entretanto, apenas 18% são subsídios diretos.
A maior parte do financiamento vem de um fundo de vale-transporte, cobrado de empresas com dez funcionários ou mais.
Multas de trânsito também financiam o transporte, assim como receitas externas.
A Bus Center Montrouge, por exemplo, aluga espaços temporários para empresas de ônibus de turismo e para as operações de logística de entregas e cargas da Amazon nos horários em que a garagem está mais vazia.
Não há gratuidades, nem para idosos e nem para estudantes, mas tarifas reduzidas. Gratuidade apenas para desempregados.
Toda a região metropolitana de Paris oferece um “Bilhete Único Mensal” pelo equivalente a 75 dólares, sendo que metade é paga pelos empregadores.
Este Bilhete é usado por 80% dos passageiros e permite acesso a qualquer meio de transporte de forma ilimitada no mês.
RATP EM NÚMEROS:
– 26 garagens de ônibus;
– Há departamento de transição para biogás e eletricidade
– 700 ônibus Elétricos (maio de 2023)
– 900 ônibus a GNV (Gás Natural Veicular)
– 1000 ônibus híbridos (maio de 2023)
Meta: 2500 ônibus elétricos e 2500 -GNV
Meta: Zero emissões na frota da região central.
Meta: 5 mil unidades 2015 (Cop 21) a 2025 e para 2030, incluindo transformar híbridos em elétricos.
– 3,6 milhões de passageiros transportados por dia somente em ônibus
– 12 milhões de passageiros transportados por dia em ônibus, trens, VLT e Metrô
– tarifa cobre 21% dos custos
– 18% subsídios diretos
– 10,8 bilhões de euros por ano é a arrecadação de todos os modais juntos
– 187 ônibus na garagem – Bus Center Montrouge

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboração: Arthur Ferrari e Alexandre Pelegi



Sensacional! trabalho integrado de uso do espaço construído.
Muito interessante essa matéria. Padrão primeiro mundo!
Tenho certeza de que lá eles não proibiram os ônibus-diesel da noite para o dia, pois no restante do mundo todos sabem que a descarbonização se dá por etapas e ao longo de várias gestões.
O prefeito disfuncional de SP passou por lá em uma das suas comitivas turísticas e, mesmo vendo tudo de perto, ainda assim recusou-se a entender como a coisa funciona.
Por isso estamos do jeito que estamos aqui em São Paulo…
Muito interessante essa estrutura … hje em dia tudo vai crescer na vertical , esse prédio é um exemplo para o SR Nunes que quer a força tornar toda frota de SP em elétrico , que teria que ser apenas complementar , não o principal tipo de veículo do sistema , pois ..esse carros estão novos , quero ver quando eles estiverem com 2 ou 3 anos de uso ..
Bem lembrado!
Os ônibus a bateria exigem mais cuidados com a operação e a manutenção, a fim de que se garanta a sua maior vida util técnica. Porém na prática muitos deles vêm sendo tratados igual que os seus “ancestrais” a diesel sempre o foram:
Transitando superlotados; Pegando ruas íngremes e esburacadas; E com uma manutenção mais “superficial” do que rege o manual do fabricante.
E isso pode significar uma vida útil igual ou até menor do que os diesel.