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América Latina acelera adoção de ônibus elétricos, mas Brasil ainda carece de estratégia nacional

Bogotá começou de forma gradativa e, como principal diferença de São Paulo, criou modelos de concessões que previam a infraestrutura

Conclusão é de estudo publicado na revista internacional “Energy for Sustainable Development”, que aponta avanços expressivos em países como Chile e Colômbia

ALEXANDRE PELEGI

A eletrificação do transporte público urbano avança de forma desigual na América Latina. Um estudo recém-publicado na Energy for Sustainable Development, revista científica internacional, mostra que a região já soma 6.829 ônibus elétricos em circulação em 2025, dos quais 5.754 são movidos a bateria (BEBs) e 1.075 são trólebus, marcando uma transformação que começou apenas em 2017, quando havia somente um veículo deste tipo operando.

O levantamento é assinado por Flávia L. Consoni (Unicamp), Tatiana Bermúdez-Rodríguez (Unicamp), Victor Andrade (Technical University of Denmark) e Pedro Bastos (UFRJ), e destaca que Chile e Colômbia concentram a maior parte da frota, liderados por Santiago e Bogotá, que respondem juntas por 76% dos ônibus elétricos da região. O Brasil aparece em terceiro lugar, com 13% da frota total.

A revista foi publicada no dia 14 de agosto de 2025. O estudo foi encaminhado para publicação em novembro de 2024, portanto os dados refletem o cenário da época.

Governos impulsionam a transição

Segundo o estudo, 15 dos 20 países latino-americanos já elaboraram planos nacionais de eletromobilidade, e nove deles contam com estratégias formalizadas em lei. O Chile foi pioneiro em 2017, e atualizou sua política em 2022 para ampliar os incentivos. Colômbia, Costa Rica, Paraguai e Panamá também têm metas claras para substituir progressivamente os ônibus a diesel por modelos de emissão zero.

A projeção é que a frota regional ultrapasse 25 mil ônibus elétricos até 2033 e alcance 55 mil unidades até 2050, com investimentos estimados em US$ 24,6 bilhões.

O caso brasileiro: avanços locais, ausência nacional

O Brasil possui 1.059 ônibus urbanos elétricos em operação em abril de 2025, sendo 732 a bateria e 327 trólebus.

Apesar da capacidade industrial instalada — com fabricantes como BYD, Eletra, Mercedes-Benz, Scania, Marcopolo e Caio já produzindo no país —, o estudo aponta que o país ainda não definiu metas ou prazos federais para a descarbonização do transporte público.

A ausência de uma estratégia nacional contrasta com o movimento de algumas cidades, em especial São Paulo, que proibiu a compra de novos veículos a diesel desde 2022 e já soma 588 ônibus elétricos em operação, com meta de chegar a 2.600 ainda em 2025 — embora seja improvável atingir esse objetivo.

Outras cidades como Curitiba, Campinas, Goiânia e São José dos Campos também lançaram licitações, mas enfrentam barreiras como custo de aquisição até três vezes maior que o de um ônibus a diesel e dificuldades de financiamento.

Desafios e oportunidades

Os autores ressaltam que a transição depende não apenas de tecnologia, mas de coordenação entre governos, operadores, setor elétrico e fabricantes. No Brasil, o cenário é agravado pela falta de capacitação técnica nos municípios para lidar com licitações e gestão da frota elétrica.

Ainda assim, o país é apontado como um potencial protagonista regional, devido à sua indústria automotiva consolidada e à matriz energética limpa. Para isso, seria necessário adotar uma estratégia nacional de eletromobilidade, nos moldes de Chile e Colômbia, capaz de oferecer previsibilidade regulatória e estimular investimentos.

Revista Energy for Sustainable Development

A Energy for Sustainable Development é uma revista científica internacional, revisada por pares e publicada pela Elsevier em parceria com a International Energy Initiative (IEI). O periódico é referência mundial em pesquisas sobre energia limpa, sustentabilidade e transição energética, com foco especial em países em desenvolvimento. Os artigos publicados abordam desde políticas públicas até inovações tecnológicas e impactos sociais da transição para uma economia de baixo carbono.

Visita à Colômbia

Adamo Bazani visitou Bogotá, na Colômbia, em 2024, e voltou muito impressionado com o planejamento bem estudado e bem executado do setor que trouxe soluções técnicas inovadoras e modelos de negócios flexíveis que têm trazido excelentes resultados no processo de descarbonização via ônibus elétrico. Leia matérias publicadas à época

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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