América Latina acelera adoção de ônibus elétricos, mas Brasil ainda carece de estratégia nacional
Publicado em: 20 de agosto de 2025
Conclusão é de estudo publicado na revista internacional “Energy for Sustainable Development”, que aponta avanços expressivos em países como Chile e Colômbia
ALEXANDRE PELEGI
A eletrificação do transporte público urbano avança de forma desigual na América Latina. Um estudo recém-publicado na Energy for Sustainable Development, revista científica internacional, mostra que a região já soma 6.829 ônibus elétricos em circulação em 2025, dos quais 5.754 são movidos a bateria (BEBs) e 1.075 são trólebus, marcando uma transformação que começou apenas em 2017, quando havia somente um veículo deste tipo operando.
O levantamento é assinado por Flávia L. Consoni (Unicamp), Tatiana Bermúdez-Rodríguez (Unicamp), Victor Andrade (Technical University of Denmark) e Pedro Bastos (UFRJ), e destaca que Chile e Colômbia concentram a maior parte da frota, liderados por Santiago e Bogotá, que respondem juntas por 76% dos ônibus elétricos da região. O Brasil aparece em terceiro lugar, com 13% da frota total.
A revista foi publicada no dia 14 de agosto de 2025. O estudo foi encaminhado para publicação em novembro de 2024, portanto os dados refletem o cenário da época.
Governos impulsionam a transição
Segundo o estudo, 15 dos 20 países latino-americanos já elaboraram planos nacionais de eletromobilidade, e nove deles contam com estratégias formalizadas em lei. O Chile foi pioneiro em 2017, e atualizou sua política em 2022 para ampliar os incentivos. Colômbia, Costa Rica, Paraguai e Panamá também têm metas claras para substituir progressivamente os ônibus a diesel por modelos de emissão zero.
A projeção é que a frota regional ultrapasse 25 mil ônibus elétricos até 2033 e alcance 55 mil unidades até 2050, com investimentos estimados em US$ 24,6 bilhões.
O caso brasileiro: avanços locais, ausência nacional
O Brasil possui 1.059 ônibus urbanos elétricos em operação em abril de 2025, sendo 732 a bateria e 327 trólebus.
Apesar da capacidade industrial instalada — com fabricantes como BYD, Eletra, Mercedes-Benz, Scania, Marcopolo e Caio já produzindo no país —, o estudo aponta que o país ainda não definiu metas ou prazos federais para a descarbonização do transporte público.
A ausência de uma estratégia nacional contrasta com o movimento de algumas cidades, em especial São Paulo, que proibiu a compra de novos veículos a diesel desde 2022 e já soma 588 ônibus elétricos em operação, com meta de chegar a 2.600 ainda em 2025 — embora seja improvável atingir esse objetivo.
Outras cidades como Curitiba, Campinas, Goiânia e São José dos Campos também lançaram licitações, mas enfrentam barreiras como custo de aquisição até três vezes maior que o de um ônibus a diesel e dificuldades de financiamento.
Desafios e oportunidades
Os autores ressaltam que a transição depende não apenas de tecnologia, mas de coordenação entre governos, operadores, setor elétrico e fabricantes. No Brasil, o cenário é agravado pela falta de capacitação técnica nos municípios para lidar com licitações e gestão da frota elétrica.
Ainda assim, o país é apontado como um potencial protagonista regional, devido à sua indústria automotiva consolidada e à matriz energética limpa. Para isso, seria necessário adotar uma estratégia nacional de eletromobilidade, nos moldes de Chile e Colômbia, capaz de oferecer previsibilidade regulatória e estimular investimentos.
Revista Energy for Sustainable Development
A Energy for Sustainable Development é uma revista científica internacional, revisada por pares e publicada pela Elsevier em parceria com a International Energy Initiative (IEI). O periódico é referência mundial em pesquisas sobre energia limpa, sustentabilidade e transição energética, com foco especial em países em desenvolvimento. Os artigos publicados abordam desde políticas públicas até inovações tecnológicas e impactos sociais da transição para uma economia de baixo carbono.
Visita à Colômbia
Adamo Bazani visitou Bogotá, na Colômbia, em 2024, e voltou muito impressionado com o planejamento bem estudado e bem executado do setor que trouxe soluções técnicas inovadoras e modelos de negócios flexíveis que têm trazido excelentes resultados no processo de descarbonização via ônibus elétrico. Leia matérias publicadas à época
Relembre:
VÍDEO: Maior garagem de ônibus elétricos da América Latina foi feita em um ano e está em Bogotá
VIDEO: Bogotá tem garagem com estrutura aérea de carregamento de ônibus elétricos
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Os bons exemplos em outros países provam que é plenamente possível conciliar, de maneira construtiva, projetos técnicos e eficazes com projetos político-partidários dos gestores.
Nesses casos o gestor aposta a sua avaliação positiva em mudanças graduais e positivas, que vão sendo percebidas pela população ao longp da gestão.
Bem como o seu sucessor (mesmo que de outro partido) aposta a boa avaliação na continuidade e na consolidação de um projeto que deu certo, e é bem avaliado pela população.
Porem são necessários bastante coerência e bom sendo, além da competência e do compromisso administrativos.
Exatamente os itens que mais têm faltado nas gestões paulistanas das últimas três décadas, incluindo a atual gestão.
Aqui tem sobrado amadorismo, imediatismo primário, e muita mediocridade e mesquinhez!
Daí São Paulo estar mergulhado em um longo e inadmissível atrazo. Atrazo este sempre camuflado em recapeamentos eleitoreiros, em muita tinta branca, em vistosos ônibus operando um sistema falido, e em muita promessa furada!
Até quando? Impossivel saber!
Aqui
O Brasil não terá plano nacional, os estados mais pobres não tem dinheiro para mudar nem em médio prazo, teria primeiro que baratear os modelos elétricos de motor dianteiro para cidades com menos dinheiro, e a gás ou biometano mesmo sendo motor dianteiro, porque motor traseiro o preço ainda é altíssimo.
Parabenizo pelo artigo e pela relevância do conteúdo apresentado. A Colômbia, conforme destacado, tem demonstrado uma estratégia consistente para o avanço da prevenção e do combate a incêndios, alinhando-se às melhores práticas internacionais. No entanto, o Brasil enfrenta um cenário preocupante: no campo da prevenção contra incêndios, o país permanece em posição de atraso — e, em alguns aspectos, até de retrocesso — quanto às legislações de sistemas de proteção. Enquanto nações como Colômbia, Costa Rica, Chile, Peru, Argentina e Paraguai, entre outros países da América Latina, adotam como referência as normas internacionais da NFPA, o Brasil ainda mantém diretrizes baseadas em normas de origem europeia, já ultrapassadas, desatualizadas e, portanto, tecnicamente obsoletas. Agrava esse quadro o fato de que os comitês responsáveis realizam alterações no conteúdo normativo sem respaldo em estudos científicos, comprometendo ainda mais a confiabilidade das regulamentações. Ressalto que não se trata de uma posição contrária ao avanço da tecnologia da mobilidade, mas sim da necessidade imperativa de que a prevenção contra incêndios acompanhe, de forma científica e normativa, essa evolução tecnológica.