Fabricantes de ônibus defendem transição energética realista e combate à “demonização” do ônibus em painel da NTU
Publicado em: 14 de agosto de 2025
Executivos da Volvo, Volkswagen, Mercedes-Benz e Scania defendem mix tecnológico, políticas públicas integradas e revisão de hábitos de consumo para acelerar a descarbonização do transporte coletivo no Brasil
ALEXANDRE PELEGI
Encerrando o segundo dia do Seminário Nacional NTU 2025, realizado nesta quarta-feira, 13 de agosto de 2025, em Brasília (DF), o painel Inovação Tecnológica Veicular e Transição Realista discutiu caminhos para reduzir as emissões da frota nacional e apresentou propostas para uma transição energética viável, considerando desafios e oportunidades de cada região do país.
Moderado por Dimas Barreira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) e membro do Conselho Diretor da NTU, o debate reuniu representantes das principais fabricantes de ônibus e especialistas em mobilidade.
Desafios estruturais e realismo na transição
O ex-diretor da CNT e consultor em transportes Bruno Barreto destacou que a transição energética já é compromisso de empresas e governos, mas esbarra em barreiras históricas e estruturais. Segundo ele, o processo é influenciado por fatores como pressão ambiental, surgimento de novas tecnologias e disponibilidade de fontes energéticas.
“O Brasil tem grandes desafios, se comprometeu em reduzir uma meta difícil de atingir”, afirmou. “Construção de novas infraestruturas, garantias de suprimento energético, necessidades de investimento, formação de mão de obra e alinhamento industrial podem ser citados como pontos críticos”, completou.
Dimas Barreira reforçou que o transporte coletivo já responde por uma parcela pequena das emissões nacionais — cerca de 0,8% do CO₂ — e que avanços que encareçam o modal exigem cautela.
“Temos que equacionar primeiro porque já emitimos menos. É um processo caro e precisa ser bem aplicado”, disse.
Tecnologias diversas e papel central do ônibus
Os palestrantes defenderam que não há solução única para o Brasil, país com 5.500 municípios e realidades muito distintas. Soluções como motores Euro 6, biocombustíveis, biogás, HVO, diesel menos poluente e elétricos devem coexistir, adequando-se às características regionais.
Marcelo Gallao, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, destacou a alta capacidade do país para uso de biomassa e o crescimento da demanda por biometano.
“No transporte coletivo, também temos uma ação de saúde pública. Esse gás traz menos prejuízos”, afirmou, defendendo que elétricos e outras soluções cheguem a escala comercial.
Jorge Luis Saab Carrer, diretor de vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, afirmou que a solução pode estar no próprio transporte coletivo: “Queremos mais gente andando de ônibus, com atitudes menos individuais, com cidades mais limpas, mais inteligentes e eficientes.”
Ele reforçou que políticas públicas precisam priorizar o modal e que é essencial planejar e captar recursos para tornar as tecnologias mais baratas e adaptadas às diferentes regiões.
Revisão de hábitos e integração de setores
Paulo Arabian, diretor comercial de ônibus da Volvo Buses Latin America, alertou para a necessidade de rever hábitos de consumo e envolver outros setores na transição:
“Não é o ônibus que é o vilão da história. Não existe bala de prata para a indústria. Cada região tem suas virtudes logísticas e energéticas. No ecossistema, temos que dar as mãos a outros stakeholders, como distribuidoras de energia e petróleo. Precisamos de modelos de negócios mais acessíveis.”
Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, encerrou reforçando que a transição será feita com múltiplas tecnologias:
“Vai ser uma combinação. O planejamento deve ser realista, alinhando tecnologia, políticas públicas, financiamento e infraestrutura. E isso tem que ser a longo prazo.”
Antes do painel, o executivo da Mercedes-Benz deu uma entrevista ao Diário do Transporte, onde detalhou sua posição quanto às tecnologias de descarbonização em curso hoje nas cidades brasileiras. Relembre:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Ônibus a combustão fazem mais barulho que cinco automóveis juntos, além de que vibrações e trancos continuam para os passageiros, fora o estresse do motorista.
Estende a nossa dependência por importação de diesel. O biogás também precisa de infraestrutura.
Não é só uma questão de reduzir emissões de carbono.