Em cinco anos, ônibus perdem 28% de passageiros pagantes no Rio de Janeiro, segundo dados da NTU
Publicado em: 14 de agosto de 2025
Panorama não é diferente no restante do país: só Brasília e Goiânia recuperaram números de usuários transportados de 2019, antes da pandemia de Covid-19
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
O transporte público coletivo vem perdendo o protagonismo frente ao transporte individual no deslocamento da população do Rio de Janeiro. De 2019 a 2024, a média de passageiros pagantes transportados, por mês, nos ônibus municipais e intermunicipais em toda a Região Metropolitana caiu 28,5%, de 120,5 milhões para 86,2 milhões. O panorama não é muito diferente do restante do país, que também registrou um índice semelhante no mesmo período, de acordo com dados divulgados pela NTU, a associação que representa as empresas de ônibus no Brasil, na edição do seu anuário 2024-2025.
O comportamento dos passageiros antes e após a pandemia de Covid-19 (2020 a 2022) revela a dificuldade de recuperação do transporte público diante de novos hábitos de deslocamento e a necessidade urgente de políticas públicas que freiem a utilização do transporte individual. Em todo o país, somente Brasília e Goiânia conseguiram atingir 100% dos passageiros transportados antes da pandemia. Há três anos, a demanda do setor de ônibus oscila na faixa entre 80% e 86% do cenário pré-pandemia, segundo o levantamento da NTU.
Em São Paulo, pesquisa recente sobre origem e destino da população mostrou, pela primeira vez, que o morador da área metropolitana e da capital tem optado pelo transporte individual, que concentrou 51,2% dos deslocamentos, enquanto que, em 2017, o transporte coletivo liderava com 54,1%. Vale lembrar que a cidade de São Paulo mantém uma política de subsídio associada à tarifa pública desde 2004, sendo que o gasto previsto para este ano pode superar R$ 6 bilhões. Mesmo com investimentos altos, o transporte coletivo acabou superado pelo individual.
O subsídio concedido ao passageiro na tarifa tem sido um avanço importante para evitar uma crise maior no sistema público por ônibus, segundo o anuário da NTU. Nos últimos cinco anos, o número de municípios que subsidiam o transporte coletivo cresceu significativamente chegando ao total de 395. O desconto na tarifa pública contempla 20 capitais e 7 regiões metropolitanas e 47% da população brasileira reside em cidades com sistemas de transporte público por ônibus subsidiados.
Entender este novo cenário e encontrar o caminho para o futuro, visando à sustentabilidade financeira do setor de ônibus, é um dos desafios do Fórum de Mobilidade 5.0, promovido pela Semove, a federação que representa 174 empresas de ônibus no Estado do Rio, durante a Rio Innovation Week, maior evento de inovação do Brasil. O encontro, que vai reunir especialistas em mobilidade urbana, será na sexta-feira, dia 15, às 10h30m, no palco E-Gov. Mais informações no site https://rioinnovationweek.com.br/.
A programação inclui três painéis que abordam temas centrais para o futuro das cidades: “Mobilidade Conectada: o papel da tecnologia nos deslocamentos urbanos”, “Transporte público como solução inteligente: qualificação, tecnologia e cidades mais humanas”, e “Transporte e poluição: como as suas escolhas impactam no clima e na sua saúde”.
No Rio de Janeiro, o desafio pode ser ainda maior do que em outras capitais e regiões metropolitanas do Brasil. Se o olhar for apenas sobre 2024, houve crescimento de 4,7% na quantidade de passageiros pagantes no país (e 9,8% no total) nas áreas analisadas no anuário da NTU, enquanto a Região Metropolitana do Rio registrou um quadro de estagnação – um leve aumento de 0,6%, considerando a média de usuários pagantes por mês. Todas as informações relacionadas ao transporte por ônibus no Rio de Janeiro podem ser consultadas na área de Transparência da Semove (https://transparencia.semove.org.br/transparencia/setor-em-numeros/).
– Em cinco anos, os ônibus perderam 28% da sua demanda, o equivalente a mais de 34 milhões de passageiros pagantes por mês. Em dez anos, foram 54%. São números que devem ser observados com atenção, pois impacta não só o transporte coletivo, mas toda a sociedade, pois indica que a população tem optado pelo transporte individual para se deslocar, o que não é uma boa notícia para o desenvolvimento das cidades. Temos o desafio de resgatar o transporte coletivo como a melhor opção para todos, seja sob ponto de vista da mobilidade ou da sustentabilidade – afirmou Richele Cabral, diretora de Mobilidade da Semove.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte



Se as prefeituras apenas aumentam os subsídios, focadas em custear sistemas já mal-operados e ineficientes, estão só jogando dinheiro público no ralo.
Os passageiros que fogem do transporte público, não exatamente buscam o conforto do transporte individual. Inclusive porquê muitos destes passageiros, em busca de alternativas, arriscam as suas jornadas até mesmo em transportes clandestinos ( e não por questões financeiras!).
Estes passageiros estão sim é fugindo das agruras que passam em transportes públicos muito mal operados!!!
Já não toleram mais as longas e intermináveis esperas diárias em pontos e em terminais.
Não conseguem mais arcar tantos prejuízos em seus compromissos diários, por conta dos atrasos e imprevisibilidades nos horários e nas frequências das linhas.
E não suportam mais as rotineiras e sub-humanas superlotações nas suas viagens diárias.
Portanto nada mudará se as gestões públicas continuarem apenas repassando mais e mais subsídios às empresas concessionárias, sem que se faça intervenções diretas e profundas na operacionalidade do sistema.
Ou reformula-se pra valer as operações dos sistemas, ou o transporte público continuará esvaziando-se cada vez mais!
É lógico o que está ocorrendo, mudanças globais que estão acontecendo em quase todos os setores,diversas funções, estão sendo deixadas de lado e muita gente está ficando sem emprego,quando as empresas de ônibus,acabaram com os cobradores,as pessoas em grande número ficaram sem emprego,novos tempos.
Já existem carros no Japão,guiados por robô,e aí????
Podemos parar a evolução????
É se adaptar ou morrer .