ENTREVISTA: Ataques a ônibus são, na verdade, ataques aos cidadãos. – se posiciona NTU sobre onda de vandalismo em São Paulo
Publicado em: 6 de agosto de 2025
Diário de Transporte trouxe os primeiros casos e acompanha; preocupação é nacional e empresas pedem mais segurança
ÁDAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Apesar dos números diários dos ataques a ônibus no estado de São Paulo terem aparentemente voltado ao padrão de vandalismo que se observava antes de 12 de junho de 2025, quando começou a série de ataques, a situação ainda preocupa empresas, passageiros e funcionários do setor de transportes coletivos. A maior preocupação ocorre ainda pela falta esclarecimentos sobre motivações e de prisões de eventuais mandantes das ações criminosas.
Ao Diário do Transporte, nesta quarta-feira, 6 de agosto de 2025, o diretor executivo da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Francisco Christovam, disse que, apesar dos casos, nesse momento ocorrerem em São Paulo, a preocupação é nacional, tratando-se de um problema de segurança pública que afeta o desempenho dos transportes. Muito mais que isso, de acordo com Christovam, são as vidas colocadas em risco.
As empresas cobram mais segurança. O representante das companhias diz que, além de ser ataques a ônibus, tratam-se de ataques aos cidadãos, e que os responsáveis precisam ser severamente punidos dentro da lei.
Declaração de Francisco Christovam na íntegra
“Me lembro bem que, alguns anos atrás, nós tivemos, na cidade de São Paulo, a prática de colocar fogo em ônibus. E aí, era um grande prejuízo para a população. Muito mais do que o prejuízo material às empresas de ônibus, o que se verificava era um prejuízo para a população, porque ônibus queimado não te leva a lugar nenhum. Agora, não é muito diferente. Esses atos de vandalismo, com a quebra de vidros nos ônibus, também tiram o ônibus da operação. Esses ônibus têm que ser recolhidos, colocados nas garagens, aguardar a chegada das peças, passar por um serviço de manutenção, com a substituição do vidro quebrado por um novo, e aí o veículo pode voltar. Então, de novo, o grande prejudicado é o usuário do transporte, que fica sem o ônibus, fica sem a condição de fazer o seu deslocamento com o mínimo de conforto entre a sua origem e o destino final da sua viagem. Então, isso é o que nos preocupa, acima de qualquer coisa. É o prejuízo à população. É um caso de polícia, não é um problema de transporte. A gente tem enfatizado bastante isso. Todos esses atos não são porque o serviço é ruim, porque o serviço é muito caro, ou coisas do gênero. São atos de vandalismo provocados por vândalos que precisam realmente ser retirados do convívio da sociedade. Esses cidadãos precisam ser presos e responder pelos atos que vêm praticando contra a sociedade”
Trata-se de um problema majoritariamente de segurança pública que afeta a mobilidade, ou seja, é a chamada externalidade ao sistema.
As declarações do dirigente reforçam artigo do Diário do Transporte que, na segunda-feira, 04 de agosto der 2025, ao falar da importância do jornalismo factual (hardnews) na cobertura dos interesses do setor de transportes, debateu justamente as externalidades, destacando que, ao reportar casos que parecem “pequenos” e “isolados”, com responsabilidade, a mídia, principalmente a especializada, ajuda a construir entendimentos e soluções para situações mais amplas.
Relembre:
INCÊNDIOS:
Primeiro semestre de 2025 teve 21 ônibus incendiados. Na série histórica, 23 pessoas morreram e prejuízos equivalem a 212 km de BRTs – Diário do Transporte citou externalidades
Dados são da NTU, associação que representa as viações. Entidade também alerta para ataques, como os revelados pelo Diário do Transporte, em São Paulo
ADAMO BAZANI
O Brasil poderia ter 212 km a mais de corredores de alta capacidade de transportes (BRTs – Bus Rapid Transit) ou 1497 ônibus articulados, superarticulados ou biarticulados zero km pelo mesmo valor que os prejuízos gerados pelos incêndios a ônibus.
A constatação está num levantamento organizado pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), entidade que reúne mais de mil companhias de transportes pelo País, divulgado nesta quarta-feira, 06 de agostos de 2025, e se refere a série histórica entre 1987 e 2025, período no qual, foram incendiados, 4919 ônibus. Os prejuízos foram de R$ 2,3 bilhões nesta série histórica.
Somente no primeiro semestre de 2025, foram incendiados 21 ônibus, causando prejuízos de quase R$ 10 milhões, entre reparos de danos parciais ou necessidade de repor os ônibus que sofreram perdas totais.
O mais grave, entretanto, é o risco a que as pessoas são submetidas.
Ainda de acordo com o levantamento, neste período histórico, entre 1987 e primeiro semestre de 2025, por causa dos incêndios, 23 pessoas morreram e 80 ficaram feridas com gravidade.
A média histórica é de um incêndio a cada seis dias. No primeiro semestre de 2025, a média foi de um ônibus a cada oito dias.
Trata-se de um problema majoritariamente de segurança pública que afeta a mobilidade, ou seja, é a chamada externalidade ao sistema.
Os dados divulgados pela entidade máxima representativa das viações reforçam artigo do Diário do Transporte que, na segunda-feira, 04 de agosto der 2025, ao falar da importância do jornalismo factual (hardnews) na cobertura dos interesses do setor de transportes, debateu justamente as externalidades, destacando que, ao reportar casos que parecem “pequenos” e “isolados”, com responsabilidade, a mídia, principalmente a especializada, ajuda a construir entendimentos e soluções para situações mais amplas.
Relembre:
Além dos incêndios, outras formas de violência têm preocupado o setor de transportes. Entre estas, a série de sequestros a ônibus no Rio de Janeiro que são usados como barricadas por bandidos no Rio de Janeiro e os misteriosos, até então, ataques a ônibus na capital paulista, Grande São Paulo e Litoral, que foram revelados e são acompanhados pelo Diário do Transporte. Entre 12 de junho de 2025 e esta quarta-feira, 06 de agosto de 2025, foram cerca de 600 ônibus municipais apenas na capital paulista atingidos a pedradas ou bolinhas de gude, de acordo com a gerenciadora local, SPTrans (São Paulo Transporte). Considerando outros sistemas em todo o Estado de São Paulo, são mais de mil coletivos atacados no mesmo período.
Apesar de ser em São Paulo, o caso nacionalmente é tão levado a sério pelo setor, que o tema norteia uma edição especial da Revista da NTU, já que, pode se repetir em qualquer parte do País.



Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Ádamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Arthur Ferrari


Os vândalos pouco se importam com isso, nem mesmo se as mães deles estivessem dentro dos ônibus.
A única regra que esses indivíduos respeitam é a punidade. Não pode ficar barato pra eles, simples assim.
Muito estranho não ter esclarecido esses ataques, muito genérico essas teses investigatorias