Processos da Leblon contra Prefeitura de Mauá (SP) chegam a fases finais, podem representar passivos de milhões e Marcelo Oliveira já admite pagamentos

Empresa comprou 88 ônibus 0 km para operar em Mauá após vitória em licitação, ao menos 14 articulados de alto padrão (para época)

Companhia foi retirada do sistema na época do prefeito Donisete Braga, em 2013, e Justiça entende que houve quebra de contrato

ADAMO BAZANI

OUÇA:

A prefeitura de Mauá, no ABC Paulista, poderá ter já no próximo Orçamento passivos milionários para pagar por causa de atos administrativos ainda da gestão do então prefeito Donisete Braga e do secretário de Mobilidade Urbana de Mauá, Paulo Eugênio, em 2013, que, na ocasião, retiraram da operação de parte de linhas de ônibus da cidade, a Leblon Transporte, companhia do Paraná, que alega quebra de contrato sem que houvesse a comprovação das acusações feitas na época.

Entre as acusações estava a de que a empresa teria “invadido” o sistema de arrecadação pela Bilhetagem Eletrônica, tese que, na época, não teve a concordância nem da própria corregedora do município, a procuradora Thais de Almeida Mina. Mina recomendou uma melhor investigação antes de qualquer atitude, o que não foi acatado por Donisete Braga e Paulo Eugênio que continuaram o processo de descredenciamento (Relembre documento abaixo).

O Diário do Transporte verificou junto ao TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que dois dos principais processos da companhia de transportes já estão nas fases finais, inclusive, com a indicação de as indenizações se tornarem precatórios.

Ainda há possibilidades dos últimos recursos por parte do município e os valores finais ainda serão definidos, mas as decisões até o momento entendem que não deveria ter havido as quebras contratuais, havendo, assim, direito de a Leblon Transporte de Passageiros ser indenizada.

Um dos processos é sobre a quebra do contrato em si e os retornos dos investimentos da Leblon que não ocorreram conforme o que havia sido assinado pelo município após a definição do resultado da licitação, em 2010, vencida pela Leblon para operar um dos lotes de linhas da cidade que, incluía, a região do Zaíra, a de maior demanda única do município. A Justiça reconheceu a ocorrência de “lucro cessante”, ou seja, por causa dessa quebra de contrato, o retorno financeiro previsto diante dos investimentos feitos foi interrompido, havendo assim, um débito da prefeitura. Para operar na cidade, a Leblon comprou 88 ônibus zero quilômetro, adaptou para garagem um pátio na Avenida Rio Branco, na região central, adquiriu equipamentos e tecnologia, além de ter contratado mão-de-obra. Tudo isso deveria ser diluído ao longo de 10 anos de contrato, mas a empresa operou por menos de três anos.

Na ocasião, o sistema de transportes, que sempre foi operado por monopólio (que voltou em 2014 com a contratação da Suzantur, atual concessionária), havia sido dividido em dois lotes. O maior deles, o lote 1, foi concedido à Viação Cidade de Mauá, do empresário Baltazar José de Sousa. O lote 2, o menor, porém o mais lucrativo, foi vencido pela Leblon.

Outro processo, que é sobre a diferença da Câmara de Compensação Tarifária pela Bilhetagem Eletrônica, também está em fase final, com sinalização de êxito para a empresa do Paraná. A Leblon alega que não ocorreram todos os repasses previstos no contrato durante o tempo em que prestou serviços.

O prefeito atual, Marcelo Oliveira, que não tem relação direta pela responsabilidade de tirar a Leblon do sistema, mas que como prefeito acabe respondendo pelo município, disse que o departamento jurídico do município acompanha e que aguarda a finalização dos processos, mas já admite a possibilidade pagamento à empresa.

Essa questão jurídica, o nosso Departamento tem acompanhado, né, de algumas decisões e aí precisa guardar o término do processo. O que a Justiça definir é o que nós vamos fazer. Se tem que pagar uma indenização, nós vamos trabalhar para poder pagar. – disse o prefeito na última semana, durante entrega de ônibus novos pela atual concessionária, Suzantur.

O Diário do Transporte procurou a Leblon que informou que aguarda a definição da Justiça nestas fases finais e reiterou todas as alegações feitas nos processos, como as de que as acusações e quebra contratual foram injustas.

O Diário do Transporte procurou Donisete Braga e Paulo Eugênio, responsáveis pela retirada da Leblon, mas não conseguiu localizá-los.

RETIRADA DE EMPRESA AINDA CAUSA ESTRANHAMENTO:

Mais de 10 anos depois, a retirada da Leblon Transporte ainda causa estranhamento por parte da população de Mauá pelo fato de os argumentos da prefeitura na época sobre a suposta invasão ao sistema de bilhetagem eletrônica serem alvos de contestações e as provas apresentadas pela gestão na época não serem contundentes do ponto de vista jurídico.

A Leblon quebrou um monopólio que era ligado a empresários de ônibus que atuam no ABC desde os anos de 1980, provenientes de Minas Gerais. Era o chamando informalmente de “Grupo dos Mineiros”.

Ao longo da disputa para a retirada da Leblon, surgiu até uma empresa chamada de Estrela de Mauá, que foi fundada por Baltazar e repentinamente começou a operar no mesmo lote da Leblon sob a direção de um executivo que nunca tinha tido experiência com ônibus. A Estrela de Mauá foi tirada por ordem judicial.

Como mostrou a reportagem, assim, entre 2010 e 2014, operavam duas empresas: a VCM – Viação Cidade de Mauá, de Baltazar José de Sousa, e a Leblon Transporte, da família Isaak, do Paraná.

Durante a gestão do ex-prefeito Donisete Braga, ambas as empresas foram descredenciadas por supostas consultas não autorizadas pela prefeitura do sistema de bilhetagem eletrônica. Não foram comprovadas fraudes e a então corregedora do município, Thais de Almeida Miana, recomendou uma melhor investigação antes de qualquer atitude, o que não foi acatado por Donisete Braga que continuou o processo de descredenciamento. O caso ainda está na Justiça.

A Leblon Transporte chegou a ter 95% de aprovação dos passageiros de acordo com uma pesquisa de 2012 da própria prefeitura.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Francisco Bastos disse:

    No mínimo aí,caberia um processo no ex-prefeito e no ex- secretário de mobilidade urbana por má fé e acusações infundadas,mas como sempre,a população que vai arcar com os custos da indenização.

  2. EUSTÁQUIO CEZARIO DE ARAUJO disse:

    Volta LEBLON

    NO

  3. Diego Farias disse:

    A melhor empresa de transporte que já operou em Mauá

  4. Pedro Santos disse:

    Nunca mais a leblon volta . A familia isaak comeu o pão que o diabo amassou nas mãos da suzantur e do Donisete Braga aliás é um petista. Esperar o que dessa laia esse é o modus operandi deles igual estão fazendo agora com Bolsonaro. Por isso nao tenho um pingo de dó a agua branca alem de tomar as linhas ainda tem de ganhar o leilão e deixar a suszantur a ver navios . Empresa corrupta.

    1. Antônia Félix disse:

      POVO tem mania de misturar as coisas qdo se refere a política. O fato de agirem de má fé, não inviabiliza o que está ocorrendo com certo cidadão que debochou nas redes sociais das mortes na pandemia. Que a prefeitura arque sim com os pgtos relativos ao processo e parabéns Leblon por ter vencido à máfia do transporte no município 🎉

  5. Fabio disse:

    A melhor empresa de ônibus que Mauá já teve era tudo no horário, pelo menos no bairro onde moro vc podia esperar que o ônibus passava no horário bem diferente de hoje ,que as vezes vc fica 40 minutos aguardando esse ônibus .

  6. Eliane silva disse:

    Muito bom 👏👏 assino embaixo . Melhor empresa que teve nesse município de Mauá igual nunca teve aqui. Melhor empresa. Espero que pague rios por usar de má fé.. Tinha q estar envolvido Donizete Braga é esse outro né. Que a prefeitura pague agora E JUSTO. 👏

  7. Eliane silva disse:

    Muito bom👏👏👏 Que pague com juros e correção unitária . Melhor empresa que teve em Mauá nota 100000 Leblon povo mole Mauaense era pra ter feito de tudo pra voltar . Empresa com disciplina etc!!!! Mas esses esses não gostam das coisas certas né!???? Por isso mandaram embora. Cobrança está chegando… Leblon a Melhor da Cidade de Mauá.

  8. ABC NOTICIAS A.R. JORNALISTA disse:

    NORMAL VINDO DE MAUA TERRA AONDE EMPRESÁRIOS DE BEM SAO OBRIGADOS A SAIR DOS CONTRATOS, INCLUSIVE AGORA TEM UMAS EMPRESAS ESCOLARES QUE ESTAO AGINDO DA MESMA FORMA NA REGIAO NAO DEIXANDO OUTRAS EMPRESAS PARTICIPAREM DAS LICITAÇÕES MP E TCE DEVERIA APURAR ESSAS IRREGUARIDADES QUE VEM OCORRENDO NA REGIAO DO ABCD CONTRATOS SUPER FATURADO

Deixe uma resposta para Pedro SantosCancelar resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading