Mercado de Ônibus registra crescimento de 18% no acumulado do ano, diz Fenabrave
Publicado em: 5 de agosto de 2025
Caminho da Escola segue como principal impulsionador das vendas no primeiro semestre de 2025; Mercedes-Benz liderou com 1.166 ônibus emplacados em julho de 2025 (42,3% do total)
ALEXANDRE PELEGI
O mercado de ônibus novos no Brasil mantém trajetória positiva em 2025. De acordo com o boletim de emplacamentos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), o setor acumulou 16.869 unidades vendidas de janeiro a julho, representando um avanço de 18% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram emplacados 14.296 veículos.
Apesar do bom desempenho no ano, o mês de julho apresentou uma leve retração em comparação com junho. Foram 2.754 unidades emplacadas, volume 6,96% inferior ao do mês anterior, que teve 2.960 ônibus registrados. Ainda assim, o desempenho mensal foi 16,74% superior ao de julho de 2024, que fechou com 2.359 unidades.
O bom resultado no acumulado é atribuído principalmente ao impacto de compras públicas por meio do Programa Caminho da Escola, que impulsionou a renovação de frotas no primeiro semestre. No entanto, a FENABRAVE já projeta uma desaceleração no ritmo de crescimento para o segundo semestre, com expectativa de fechar o ano com uma alta total de 6% nas vendas de ônibus em relação a 2024.

Marcas líderes em vendas de ônibus
Em julho de 2025, a Mercedes-Benz liderou o mercado com 1.166 ônibus emplacados, o equivalente a 42,3% do total registrado no mês. Na segunda colocação, aparece a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 638 unidades e 23,2% de participação.
A Marcopolo, tradicional encarroçadora brasileira, ocupou a terceira posição, com 420 unidades, seguida pela Iveco, com 162 veículos, e pela Agrale, com 150. Completam o ranking das dez marcas mais vendidas: Caio Induscar (122 unidades), Mascarello (43), Comil (32), Neobus (13) e Outras marcas (8).
Esses números mostram o predomínio das montadoras tradicionais no fornecimento de chassis, além da atuação consolidada de fabricantes nacionais de carrocerias, especialmente voltadas ao transporte urbano e escolar.

No acumulado de janeiro a julho, a Mercedes-Benz também ocupa o topo do ranking com 7.421 unidades vendidas. Em segundo lugar está a Volkswagen CO, com 3.860 unidades, e em terceiro a Marcopolo, com 2.825 unidades.

Ônibus Elétricos registram forte crescimento no primeiro semestre de 2025
No acumulado de janeiro a junho de 2025, o Brasil emplacou 311 unidades de ônibus totalmente elétricos, desempenho que representa um crescimento expressivo de 141,9% em relação ao mesmo período de 2024, quando o volume totalizou 129 unidades. Em junho, especificamente, foram emplacadas 34 unidades elétricas, contra 24 em maio e nove no mesmo mês do ano anterior.
No ranking por fabricante, a líder no segmento de ônibus elétricos é a Caio Induscar, com 109 unidades vendidas (35,1% de participação), seguida pela BYD, com 96 unidades (30,9%) e pela Mercedes-Benz, com 70 veículos elétricos (22,5%). Também figuram marcas como Higer (11 unidades), Ankai (9), Volkswagen CO (4) e Scania (1 unidade).

Caminho da Escola impulsiona o setor de ônibus
O Programa Caminho da Escola, coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem desempenhado um papel central na recuperação e dinamização do mercado de ônibus no Brasil. Lançado em 2007, o programa tem como objetivo renovar a frota de veículos escolares utilizados por prefeituras e governos estaduais, garantindo transporte seguro e adequado para estudantes da rede pública, sobretudo em áreas rurais.
Em 2025, o programa continuou sendo o principal vetor de demanda por novos ônibus, especialmente nos primeiros meses do ano, devido à liberação de recursos federais e às licitações centralizadas. Os veículos adquiridos por meio do programa geralmente possuem características específicas, como tração 4×4, acessibilidade para pessoas com deficiência e maior robustez para circulação em estradas não pavimentadas.
Para os fabricantes e encarroçadoras, o Caminho da Escola representa uma demanda regular e previsível, reduzindo a dependência do mercado urbano, que sofre mais diretamente com oscilações econômicas e restrições orçamentárias locais. Além disso, o programa contribui para manter o nível de produção industrial e preservar empregos nas cadeias automotiva e de autopeças.
A expectativa, contudo, é de que esse impulso perca força ao longo do segundo semestre, o que já se reflete na leve desaceleração observada em julho. Ainda assim, o impacto do programa é considerado decisivo para que o setor registre crescimento positivo no acumulado de 2025.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


