Viação Garcia tem duas linhas interestaduais cassadas pela ANTT em disputa judicial com a Andorinha

Decisão da Diretoria Colegiada atinge trechos entre Porecatu (PR) e São Paulo e entre Porecatu e Presidente Prudente (SP)

ALEXANDRE PELEGI

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cassou, em decisão publicada nesta segunda-feira, 04 de agosto de 2025, as autorizações para operação de duas linhas interestaduais da Viação Garcia. A medida afeta os trechos entre Porecatu (PR) e São Paulo (SP) e entre Porecatu e Presidente Prudente (SP).

A cassação dos Termos de Autorização de Serviços Regulares (TARs) PRSP0035008 e PRSP0035009 foi aprovada pela Diretoria Colegiada da ANTT com base no artigo 78-A, inciso IV, combinado com o artigo 78-H da Lei nº 10.233/2001, que trata das sanções aplicáveis a operadores do transporte terrestre regulado. A deliberação foi formalizada por meio do processo nº 50500.000001/2025-58.

A ANTT não detalhou no texto da deliberação os motivos específicos que levaram à sanção, mas os dispositivos legais citados geralmente se referem ao descumprimento de obrigações regulatórias, operacionais ou contratuais por parte da empresa autorizada.

A decisão determina ainda que a Superintendência de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros (Sufis) notifique a Viação Garcia acerca do conteúdo da decisão.

A empresa ainda poderá recorrer da deliberação dentro dos prazos legais.

A Viação Garcia, com sede no Paraná, é uma das maiores operadoras do setor rodoviário no país, integrando o Grupo GBS – Garcia Brasil Sul, que atua em diversos estados e tem marcas como Brasil Sul, Princesa do Ivaí, Londrisul (transporte urbano) e Santo Anjo.

Entenda a situação

Em 2020, a empresa Garcia obteve autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para operar duas linhas interestaduais: Porecatu/PR-São Paulo/SP e Porecatu/PR-Prudente Pudente/SP.

Utilizando essas duas linhas com conexão em Porecatu, a Garcia possibilitou o transporte de usuários de São Paulo para Presidente Prudente. Os passageiros adquirem duas passagens, uma para cada trecho.

O serviço da Garcia é interestadual, o que significa que a tarifa é livre e geralmente menor.

Apesar de o trajeto da Garcia ser quase uma hora mais longo, a empresa diz oferecer um ônibus de melhor qualidade e uma tarifa menor, o que levou muitos passageiros a migrar do serviço da Andorinha para o da Viação Garcia.

A empresa Andorinha opera uma linha intermunicipal (Presidente Pudente x São Paulo), regulada pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo).

O contrato de concessão da Andorinha está vencido desde 1988, operando em caráter precário devido à falta de uma licitação. A Artesp permite a continuidade da operação até que haja uma regularização.

A Artesp fixa o valor da tarifa da Andorinha, que é mais alto.

Primeira rodada de batalhas judiciais (Justiça Federal de Presidente Prudente)

  1. Ação da Andorinha contra a Garcia (2020 em diante):

A Andorinha ingressou com uma ação judicial contra a Garcia, alegando concorrência desleal e ilegalidade na operação.

Decisão: A Justiça Federal de Presidente Prudente indeferiu a ação da Andorinha, entendendo que a operação da Garcia é legal, correta e não constitui ilegalidade ou concorrência desleal.

  1. Ação da Artesp contra a Garcia:

A Artesp, após denúncia da Andorinha, também ingressou com uma ação, alegando que a operação da Garcia era uma linha intermunicipal e chegou a aplicar multas.

Decisão: A Garcia, por sua vez, processou a Artesp. A Justiça Federal de Presidente Prudente novamente entendeu que a atuação da Artesp era incorreta, inadequada e ilegal. Isso porque, sendo o serviço da Garcia interestadual, a competência para multar ou autuar é exclusiva da ANTT, e não da Artesp.

Viação Garcia vence Artesp e Andorinha na justiça e pode fazer transporte entre Presidente Prudente e São Paulo por conexão de duas linhas interestaduais

Segunda rodada: processo administrativo na ANTT

Andorinha aciona a ANTT: Após as derrotas judiciais, a Andorinha iniciou um processo administrativo junto à ANTT, reiterando as alegações de irregularidades na operação da Garcia e sugerindo que Porecatu seria uma “cessão” de trecho.

ANTT mantém cautelar contra Viação Garcia que suspendeu operações das linhas Porecatu/PR x São Paulo/SP e Presidente Prudente/SP x Porecatu/PR, mas análise de mérito continua

Fiscalização da ANTT: A fiscalização da ANTT apontou alguns problemas operacionais, exigindo, por exemplo, o transbordo (desembarque e reembarque) de todos os passageiros em Porecatu para não caracterizar uma “escala” do serviço. Outros problemas incluíam a identificação de veículos e motoristas (“One Trip”).

ANTT abre Processo Administrativo contra a Viação Garcia

EM PRIMEIRA MÃO: ANTT suspende linhas da Viação Garcia em Porecatu (PR)

Ações da Garcia e Processo Administrativo: A Garcia tomou medidas para se adequar às exigências. Foi aberta uma comissão processante para analisar o caso.

Reconhecimento da Garcia pela Comissão: A comissão processante, em junho, reconheceu a Garcia como uma empresa com alta adesão regulatória (premiada em 2024 pela ANTT por cumprir a legislação) e que estava se esforçando para atender a todas as exigências. A comissão recomendou apenas uma advertência à Garcia para que acertasse os últimos pontos pendentes.

Decisão da Diretoria Colegiada: Contudo, o superintendente de fiscalização da ANTT entendeu que caberia uma sanção maior. Na última sexta-feira (01), a diretoria colegiada da ANTT acatou o entendimento do superintendente e decidiu cassar a autorização da Garcia, não seguindo a recomendação da comissão processante.

Situação atual e próximos passos

Conflito de Decisões: Há uma decisão administrativa da ANTT para cassar a operação da Garcia, mas existe também uma medida judicial da Justiça Federal de Brasília, deferida em dezembro de 2024, que havia mantido a operação do serviço.

Defesa da Garcia: A Garcia entende que está operando corretamente e comprovou, através de atos notariais em julho de 2024, que sua operação estava correta. A empresa alega que foi julgada por uma situação apontada em março de 2024, que já havia sido corrigida.

Estratégias Futuras: A empresa provavelmente apresentará recursos administrativos e buscará medidas judiciais para tentar manter a operação do serviço. Essa situação de “esquecimento de defesa e não verificação real da operação” será objeto de recurso e pedido de reconsideração.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Leandro Silva disse:

    Ainda bem que o Diário de Transporte é imparcial e quase não deixa transparecer o lado que defende na reportagem… rsrs.. SQN

  2. Luis Carlos de Oliveira disse:

    Nessa briga já houve decisão judicial a favor da Andorinha também… uma vai recorrendo da outra.

  3. Eliseu disse:

    Já tiraram a linha que fazia campo grande ms a campo mourão pr desembarcava no tio patinhas agora mais essa eu sou a favor de várias empresas na mesma linha aquela que oferece o melhor conforto na viagem sempre vai ser a mas procurada ficam brigando a toa ao invés de melhorar o transporte gente tem lugar pra todos o Brasil e grande

  4. Luiz Fernando Barbieri disse:

    O monopólio da Andorinha precisa acabar. Os ônibus da Viação Garcia oferecem um conforto muito maior. O monopólio da Andorinha além de protegê-la, ainda opera com ônibus extremamente desconfortáveis e com preços abusivos pela falta de concorrência. De há muito já deveriam ter outras empresas operando no trecho Presidente Prudente para São Paulo e vice versa . A competitividade é benéfica para o usuário que opta pelo melhor atendimento e conforto.

    1. Mad disse:

      Pois é… só que precisa convencer a Artesp a licitar o trecho. E os carros da Andorinha na linha atualmente são os laranjas com serviço Leito/Cama. Não devem em nada em conforto pra concorrente irregular.

      1. julio disse:

        Onibus da andorinha são inferiores, ultimo que peguei o ar condicionado nem sequer funcionava. Previsão era chegar em São Paulo as 18h chegou as 21h30.

  5. MARIA DO SOCORRO FURLAN disse:

    E o usuário fica como nessa disputa? Não tem direito de escolher em qual empresa viajar? Acho absurdo uma única empresa deter o direito de realizar o trecho como era anteriormente, pela Andorinha. Desbancaram a Motta e agora ficam atrapalhando a Garcia. Nós, usuários, temos direito de escolher por qual empresa viajar, temos que ter opções sim!!!

  6. Walter disse:

    Como é que pode uma empresa com a concessão caçada desde 88 e caráter precário ficar brigando por uma coisa sendo que eles nem têm concessão será que a Agência Nacional de Transportes terrestres está ganhando dinheiro com isso?

    1. Mad disse:

      Mas praticamente todas as linhas intermunicipais do país estão sendo feitas em caráter precário (com licitações vencidas), inclusive no Paraná, onde a Garcia tem monopólio. Se informem primeiro antes de comentar, galera. Isso é totalmente irrelevante nesse processo. Para fazer linha intermunicipal a empresa deve ser autorizada pelo órgão estadual, no caso, ARTESP. Acho que concorrência sempre é bom, desde que dentro das regras e em igualdade de condições para todas as empresas envolvidas, que não é o caso.

  7. Julio disse:

    Última vez que fiz prudente x São Paulo de andorinha o ônibus chegou ao destino com 3 horas de atraso, sem ar condicionado, mais caro, ônibus caindo aos pedaços, a teórica 1 hora a mais da garcia compensa.

  8. Cristiane disse:

    Os preços da Andorinha são abusivos, precisamos de outras empresas de Presidente Prudente x Campinas e Pte x São Paulo.

  9. VANDERLEI DA SILVA FIGUEIREDO disse:

    Enquanto estiver ocorrendo o monopólio de uma outra empresa quem sai lesado e o cliente .
    A buser oferecia valores bem abaixo dos praticados pelas ditas empresas credenciadas , mais aí o monopólio impera .
    Por mais empresas fazendo o trecho .
    Ficou tão caro ir de ônibus para prudente , que no ano passado fui de carro alugado que saiu mais em conta ,no final.

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