FlixBus defende abertura do mercado para modernizar transporte rodoviário no Brasil

Empresa destaca papel da concorrência e da inovação como motores para inclusão social e melhoria dos serviços

ALEXANDRE PELEGI

Presente no Brasil desde 2021, fornecendo soluções a operadores de ônibus regulares autorizados pela ANTT, a FlixBus defende que a abertura do mercado de transporte interestadual é fundamental para garantir mobilidade e inclusão social em larga escala. Com menos de 140 aeroportos com voos comerciais regulares no país — concentrados majoritariamente em capitais e grandes centros urbanos —, o transporte rodoviário atende a mais de 3 mil municípios, sendo a principal ou única opção de deslocamento para milhões de brasileiros.

Segundo a empresa, apesar da capilaridade e importância do sistema rodoviário, o setor ainda enfrenta obstáculos que limitam sua expansão e modernização. Entre os principais entraves estão a morosidade na análise de novos pedidos de operação e a resistência de empresas tradicionais à entrada de novos players — especialmente aqueles com forte base tecnológica.

Para o CEO da FlixBus no Brasil, Edson Lopes, a atual disputa não gira mais em torno da legalidade do modelo de autorizações, previsto pelas Leis Federais nº 12.996/2014 e  14.298/2022, já reconhecido como constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas sim da manutenção de um mercado fechado. “A disputa, portanto, não se refere à legalidade do modelo – essa questão já foi superada – mas se trata de uma tentativa de manter o mercado fechado e concentrado — mesmo que isso prejudique milhões de passageiros em todo o país”, afirmou.

De acordo com dados da ANTT, o número de passageiros transportados em 2024 caiu cerca de 6% em relação a 2023, interrompendo a lenta recuperação pós-pandemia. Para a FlixBus, esse cenário evidencia a urgência de uma reforma regulatória que estimule a concorrência e facilite a entrada de operadores com capacidade comprovada.

A empresa defende que inovação e tecnologia devem estar no centro dessa transformação. Seu modelo de atuação inclui o suporte a operadoras locais por meio de soluções em marketing, inteligência de dados, canais digitais de venda e ferramentas de gestão, o que permite ampliar a competitividade e melhorar o atendimento à população.

O transporte rodoviário deve ser tratado como política pública de mobilidade e inclusão social. Sem ele, milhões de brasileiros ficam isolados. O Brasil simplesmente para”, resume Edson Lopes.

Para a FlixBus, destravar o setor não significa abrir mão da regulação, mas torná-la mais justa, eficiente e transparente. A empresa acredita que, com regras claras e fiscalização adequada, é possível ampliar as rotas, reduzir preços, melhorar a qualidade dos serviços e garantir que o transporte rodoviário cumpra seu papel social: conectar o Brasil de ponta a ponta.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Tales Alberto disse:

    Estranho ne esse apoio da flixbus primeiro ela entra na justiça e conseguiu suspender judicialmente a janela de abertura de mercados,agora ja apoio a abertura mudou de ideia muito rapido

  2. Santos Dumont disse:

    Conheço o sistema hoje conhecido pela sigla TRIP, desde seus primórdios regulatórios, pelo extinto DNER, e com exceção do período inicial, de linhas pioneiras e, posteriormente, conexões autorizadas de linhas estaduais, dali para frente as normas regulatórias e seus eternos jabutis, nunca contemplou qualquer abertura, exceção feitas às pífias licitações públicas, ainda no final do último século. A política, de esquerda ou direita, se move protegendo os operadores tradicionais, e se não fosse a iniciativa de uns poucos empresários que exploraram brechas na legislação, nada teria mudado. O mundo se abre à tecnologia, e o Executivo e o Legislativo tem o dever de garantir o melhor para os cidadãos quanto a seu direito de ir e vir, com segurança, economia e diversidade de serviços.

  3. Rodrigo Zika disse:

    Já falei, precisa criar um mercado à parte com regras específicas pra quem opera por app.

  4. Hugo Fleck disse:

    Estas chamadas empresas digitais deveriam ser obrigadas a ter frotas próprias, investem pouco e somente nas vendas mas de fato não operam .

  5. Eugênio Pacelli M. Veiga disse:

    A Flixbus entrou no mercado de transporte rodoviário de passageiros, fazendo parcerias somente em mercados de grande demanda onde com certeza o retorno é certo. Não teve interesse em entrar em mercados, por exemplo, de Imperatriz a Marabá, e agora fala em abertura de mercado.

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