Prefeitura e Enel assinam novo contrato para enterramento de redes elétricas no Corredor Amador Bueno, Zona Leste de SP
Publicado em: 16 de julho de 2025
Investimentos nesse tipo de serviço já alcançam R$ 35 milhões; segunda fase assinado agora detalha obra de requalificação do viário de ônibus entre as ruas Mandu e Embira
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPObras, formalizou a contratação para a execução do enterramento das redes aéreas de energia elétrica no “Bloco/Trecho 2” do Projeto de Requalificação do Corredor Amador Bueno, localizado na Zona Leste da capital. A autorização para a SPObras contratar o serviço foi publicada em 23 de maio de 2025. E o contrato de execução foi assinado em 03 de junho, conforme publicado nesta quarta-feira, 16 de julho de 2025.
O serviço foi contratado pelo valor de R$ 18.043.108,91. A Enel tem um prazo de 12 meses para a execução dos trabalhos, contados a partir da data de assinatura do contrato, que visa a execução do enterramento das Redes Aéreas de Energia Elétrica, incluindo a implantação da infraestrutura civil subterrânea necessária. Este novo trecho, com extensão aproximada de 2,4 km, compreende a área entre a Rua Mandu e a Rua Embira.
Este investimento soma-se a um aporte financeiro anterior. Em 2024, a prefeitura da capital já havia liberado R$ 16.936.649,23 (aproximadamente R$ 17 milhões) para o enterramento das redes de energia elétrica em um primeiro trecho, com 2,5 km de extensão, compreendido entre a Praça Dona Micaela (Rua Padre João) e a Rua Mandu. Além da fiação elétrica e de comunicações, os recursos da etapa anterior também foram destinados para a retirada de postes, visando a melhoria da acessibilidade nas calçadas.
O corredor Amador Bueno da Veiga possui um traçado total de 5 quilômetros, estendendo-se desde o encontro da Rua Dr. João Ribeiro com a Praça Micaela Vieira, seguindo até o cruzamento das Avenidas Dom Helder Câmara e Calim Eid, e terminando na Avenida São Miguel. A reforma deste corredor exclusivo à direita abrange diversos itens, além do enterramento das redes de energia elétrica.
A enterrar a rede elétrica (soterramento) nas ruas das cidades traz benefícios significativos e diretos para a operação e eficiência do transporte coletivo, especialmente para sistemas que dependem de eletricidade, como trólebus, bondes (VLT), metrôs de superfície e futuros sistemas de ônibus elétricos a bateria com recarga ultrarrápida.
A importância de enterrar as redes aéreas
Enterrar a rede elétrica não é apenas uma melhoria técnica – é um investimento estratégico para tornar o transporte coletivo mais confiável, seguro e eficiente. Apesar do custo inicial, os ganhos em operação contínua, redução de manutenção e qualidade urbana justificam a priorização, especialmente em corredores de alto fluxo. Cidades como Paris, Berlim e Copenhague já vinculam soterramento elétrico à modernização do transporte público – com resultados comprovados.

Cadê os fios?
Já em Londres (foto acima), a enterração desses cabos vem sendo realizada progressivamente ao longo das décadas, principalmente a partir do século XX, para melhorar a segurança, a estética urbana e reduzir interferências com o tráfego, incluindo os famosos ônibus de dois andares (double-deckers). Símbolo da cidade, esses ônibus têm uma altura considerável (cerca de 4,4 metros). Antigamente, cabos aéreos de bonde e eletricidade podiam interferir com sua circulação. Com o tempo, a remoção desses cabos ajudou a garantir maior confiabilidade e menos interrupções no serviço de transporte.
Melhoria estética e espaço urbano
Postes e cabos aéreos ocupam espaço valioso em calçadas e canteiros centrais. Seu soterramento permite alargar vias, criar ciclovias ou implementar corredores exclusivos para ônibus/BRT sem obstáculos. Além disso, ruas sem fios elevam a percepção de qualidade do transporte e incentivam seu uso.
Impacto além do transporte:
Redes subterrâneas melhoram a resposta da cidade a desastres climáticos. Além disso, áreas com infraestrutura soterrada atraem mais comércio e serviços, aumentando a demanda por transporte coletivo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


