Eletromobilidade

Estudo revela consumo energético e impacto ambiental do transporte de passageiros em São Paulo: elétricos têm ampla vantagem

Ônibus à bateria da SPTrans, além de trólebus da capital e EMTU, têm excelente desempenho; trens da CPTM demonstraram maior eficiência energética por passageiro transportado

ALEXANDRE PELEGI

Que os ônibus elétricos e os trólebus, assim como o sistema de trens, são ambientalmente sustentáveis, todos já sabíamos. Mas quantificar qual a contribuição de cada modal na redução de emissões, auxilia os governos do Estado e do Município a elaborar políticas públicas que possam ser mais eficazes.

Evidente que há outros elementos que devem contribuir na elaboração de um amplo projeto voltado a um transporte de massa que seja mais eficiente sob diversos ângulos, inclusive o ambiental, mas essa discussão deve ser analisada sob os diferentes ângulos que possui.

A contribuição importante vem de um estudo comparativo abrangente sobre o consumo energético no transporte de passageiros em São Paulo, elaborado pelo Subgrupo de Eletromobilidade e Mobilidade Sustentável do Comitê Diretor de Transporte Integrado (CDTI), foi divulgado visando analisar os dados de empresas como CPTM, EMTU, Metrô e SPTrans.

O CDTI tem por objetivo a realização de estudos para a implementação de ações conjuntas para melhoria do transporte coletivo, e é constituído pelos órgão e empresas do Governo do Estado e da Prefeitura da capital paulista.

O principal objetivo do documento, finalizado em junho deste ano, é comparar os consumos dos veículos e seus impactos ambientais, sem abordar os custos, mas fornecendo uma base sólida para futuras análises sobre o tema.

A pesquisa busca quantificar a diferença de consumo entre as diversas tecnologias para identificar formas de alcançar um sistema de transporte de massa com o menor impacto ambiental possível.

O relatório aborda principalmente as emissões de gases de efeito estufa (GEE), com foco específico no dióxido de carbono equivalente (CO2e). O estudo explora a pegada de carbono dos modais de transporte e busca a diminuição dessas emissões para melhorar a qualidade do ar, especialmente em grandes cidades como São Paulo.

As emissões de CO2e são calculadas com base nos fatores equivalentes para diferentes fontes de energia:

  • Para o óleo diesel, é considerado um fator de 2,671 kg de CO2 para cada litro consumido.
  • Para a energia elétrica, o fator médio anual em 2023 foi de 38,5 kg de emissão de CO2 a cada megawatt-hora (MWh).

O estudo compara as emissões de kgCO2e/km e kgCO2e/passageiro (real transportado) para os diferentes modais no ano base de 2023

Veja um resumo das principais conclusões do estudo:

O estudo ressalta a importância da busca por soluções tecnológicas mais sustentáveis e a substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis, como o diesel, para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades.

  1. Eficiência Energética por Quilômetro (MJ/km):

A conversão de todos os dados para Mega Joule (MJ) permitiu uma comparação direta entre os modais. O MJ é uma unidade de medida frequentemente utilizado para medir grandes quantidades de energia, como na área de transporte.

Os resultados para o ano base de 2023 mostram uma clara vantagem dos veículos elétricos:

– Os ônibus elétricos da SPTrans apresentaram os menores consumos, com destaque para o eMIDIÔNIBUS (3,82 MJ/km), seguido pelo eBÁSICO (4,64 MJ/km), ePADRON 1 (4,75 MJ/km) e eARTICULADO (6,73 MJ/km).

– Os trens da CPTM também se destacaram com um consumo de 7,57 MJ/km, sendo mais eficientes que os do Metrô (9,79 MJ/km).

– Os Trólebus da SPTrans (11,34 MJ/km) e da EMTU (11,95 MJ/km) também mostraram boa eficiência na categoria elétrica.

– Em contrapartida, os veículos a diesel apresentaram consumos significativamente mais altos, com os ônibus Biarticulados da SPTrans sendo os maiores consumidores (32,40 MJ/km), seguidos pelos Articulados 23m (30,60 MJ/km) e Articulados 18m (28,80 MJ/km). A frota diesel da EMTU em São Paulo registrou 17,87 MJ/km.

 

  1. Eficiência Energética por Passageiro Transportado (MJ/passageiro x km):

Considerando o número de passageiros transportados por carro ou veículo, a eficiência dos modais elétricos se sobressai ainda mais.

Os trens da CPTM são os mais eficientes nesse quesito, com apenas 0,024 MJ por passageiro por quilômetro.

O Metrô segue de perto, com 0,030 MJ por passageiro por quilômetro.

Já entre os ônibus elétricos da SPTrans, o eARTICULADO (0,056 MJ/passageiro x km) e o ePADRON 1 (0,059 MJ/passageiro x km) demonstraram alta eficiência.

Em contraste, a frota diesel da SPTrans e EMTU apresenta consumos consideravelmente maiores por passageiro. Por exemplo, o Miniônibus diesel da SPTrans (0,371 MJ/passageiro x km) e o Midiônibus diesel (0,338 MJ/passageiro x km) mostram-se menos eficientes.

 

  1. Impacto Ambiental – Emissões de CO2e:

A análise da pegada de carbono é um ponto central do estudo, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e às demandas de indicadores ESG. Esses indicadores são métricas usadas para avaliar e monitorar o desempenho de uma empresa em relação aos critérios Ambiental, Social e de Governança (ESG), e medem o quão sustentável, socialmente responsável e bem gerida é uma organização.

Os modais com matriz energética elétrica, como ônibus elétricos e trólebus da SPTrans, e trens da CPTM e Metrô, apresentaram maior eficiência em comparação com os modais a diesel da EMTU.

Emissões por quilômetro (kgCO2e/km) em 2023:

Os modais elétricos têm emissões drasticamente menores: CPTM (0,079 kgCO2e/km), SPTrans Elétrico (0,081 kgCO2e/km), Metrô (0,105 kgCO2e/km) e EMTU Elétrico (0,128 kgCO2e/km).

Já os modais a diesel, por outro lado, têm emissões significativamente maiores: EMTU Diesel (1,059 kgCO2e/km) e SPTrans Diesel (1,513 kgCO2e/km).

Emissões por passageiro transportado (gCO2e/passageiro x km) em 2023:

A CPTM (13,12 gCO2e/passageiro x km) e o Metrô (22,15 gCO2e/passageiro x km) são os que menos emitem por passageiro.

As frotas a diesel da SPTrans (840,72 gCO2e/passageiro x km) e da EMTU (725,65 gCO2e/passageiro x km) são as que mais contribuem para as emissões nesse critério.

Média Anual de Emissão (tCO2e):

Em termos de emissão total anual, os modais a diesel da SPTrans (958.636,73 tCO2e) e da EMTU (354.614,93 tCO2e) são os maiores emissores.

Em contraste, os modais elétricos emitem muito menos: EMTU Elétrico (567,85 tCO2e), SPTrans Elétrico (2.118,91 tCO2e), Metrô (11.165,00 tCO2e) e CPTM (14.300,28 tCO2e).

 

Transição Energética:

De forma geral, os resultados do estudo demonstram que os modais que utilizam matriz energética elétrica emitem consideravelmente menos CO2e em comparação aos modais a diesel. O relatório enfatiza que o aumento da eficiência energética no transporte de passageiros gera ganhos ambientais substanciais, em especial na redução das emissões de gases de efeito estufa.

A pesquisa reforça a importância da transição energética, especialmente no que se refere ao impacto ambiental do uso de combustíveis fósseis. O transporte de passageiros em massa é essencial para o desenvolvimento urbano sustentável e possui um grande potencial para reduzir as emissões de CO2 em grandes centros urbanos. Essas ações estão alinhadas com a campanha global ‘Race to Zero’ da COP, à qual o Governo do Estado de São Paulo aderiu, buscando a neutralidade de carbono e a redução drástica das emissões de gases de efeito estufa. O estudo serve como um passo fundamental para padronizar dados e subsidiar futuros estudos sobre a mobilidade urbana em São Paulo, visando um futuro mais sustentável.

 

QUADRO RESUMO

CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos)

Modal: Trens

Sustentabilidade: É um dos modais mais eficientes ambientalmente, com as menores emissões por quilômetro (0,079 kgCO2e/km) e por passageiro transportado (13,12 gCO2e/passageiro x km) entre todos os analisados. Sua matriz é elétrica.

 

Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo):

Modal: Trens.

Sustentabilidade: Também é um modal de alta eficiência ambiental, utilizando energia elétrica. Apresentou emissões de 0,105 kgCO2e/km e 22,15 gCO2e/passageiro x km, sendo o segundo mais sustentável por passageiro.

 

SPTrans (São Paulo Transporte S/A):

Modal Elétrico (Ônibus Elétricos e Trólebus):

Sustentabilidade: Os ônibus elétricos (eMIDIÔNIBUS, eBÁSICO, ePADRON, eARTICULADO) e Trólebus da SPTrans demonstram excelente desempenho ambiental. As emissões médias dos modais elétricos da SPTrans são de 0,081 kgCO2e/km e 31,25 gCO2e/passageiro x km.

Modal Diesel (Ônibus a Diesel):

Sustentabilidade: São os menos sustentáveis do grupo, com emissões de 1,513 kgCO2e/km e 840,72 gCO2e/passageiro x km. O estudo reforça a importância da substituição desses veículos movidos a combustíveis fósseis.

 

EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo):

Modal Elétrico (Trólebus):

Sustentabilidade: Os Trólebus da EMTU são ambientalmente mais vantajosos que seus congêneres a diesel, com emissões de 0,128 kgCO2e/km e 461,51 gCO2e/passageiro x km.

Modal Diesel (Ônibus a Diesel):

Sustentabilidade: Assim como os ônibus a diesel da SPTrans, os veículos a diesel da EMTU são grandes emissores, com 1,059 kgCO2e/km e 725,65 gCO2e/passageiro x km, o que os coloca entre os menos sustentáveis.

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. laurindojunqueira disse:

    Que mal lhes pergunte, camaradas transporteiros: como poderia um kg de combustível fóssil gerar quase três kg de gases? Perguntar não ofende, viu!

  2. laurindojunqueira disse:

    Tudo a favor do uso da eletricidade, viu! Mas, pera lá! O que fazer com as baterias usadas, mesmo? E, ao comparar alhos com bugalhos (MJoules dos elétricos com não sei o quê, aonde se quer chegar?)

  3. Santiago disse:

    Lembrando ainda que existem dois tipos de tecnologias 100% elétricas:
    1) Ônibus a baterias recarregáveis – Que atualmente monopolizam as atenções dos planejadores públicos, para a alegria dos fabricantes, enquanto outras boas alternativas mais simples e menos custosas são deixadas no esquecimento.
    2) Os Trólebus – Que oferecem menor consumo/km e melhor relação peso/potência por serem bem menos pesados do que os seus “primos-ricos” à bateria, extraindo da rede elétrica apenas a energia que consomem no momento da rodagem.

    Sem esquecer que é fundamental sempre buscar-se garantir a origem limpa da eletricidade empregada.
    Se precisarmos ficar ligando termoelétricas para recarregar baterias com eletricidade, estaremos só trocando seis por meia-duzia

    1. Rodrigo Zika disse:

      As empresas em SP não vão investir em trólebus, até porque os bairros são longe e dificultaria o trajeto, porque atualmente no centro já roda trólebus.

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