Proposta de Corredores Verdes avança em São Paulo com designação de componentes de Grupo de Trabalho
Publicado em: 26 de junho de 2025
Projeto da capital paulista visa modernizar transporte público, reduzir emissões e combater poluição sonora e do ar com frota limpa e infraestrutura resiliente
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura do Município de São Paulo avança com a implementação dos Corredores Verdes de Transporte (CVTs).
A Portaria SGM 170, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 26 de junho de 2025, designou formalmente os integrantes do Grupo de Trabalho Intersecretarial (GT-CVT), cuja finalidade é elaborar, em 30 dias, um projeto conceitual para a implantação desses corredores na Cidade de São Paulo.
O Grupo de Trabalho, cuja coordenação será exercida pela Secretaria do Governo Municipal, abrange um amplo espectro de secretarias e entidades da Administração Direta e Indireta. Entre os designados, destacam-se representantes da Secretaria do Governo Municipal (SGM), incluindo o secretário substituto Fábio Augusto Martins Lepique, que é o titular do GT-CVT, e Tarsila Amaral Fabre Godinho como suplente. Outras secretarias-chave incluem a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA), com Fábio Mariano Espíndola da Silva como titular, e Alessandro Bender Verrone como suplente; a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), representada por Celso Jorge Caldeira (titular) e Rafael Toniato Mangerona (suplente); e a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), com Rodrigo Kenji de Souza Ashiuchi como titular e Roselia Mikie Ikeda como suplente. Entidades da Administração Indireta também são parte integrante, como a São Paulo Parcerias S.A. (SPParcerias), a São Paulo Obras (SPObras), e a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula).
Segundo a prefeitura, a iniciativa dos Corredores Verdes (CVTs) fundamenta-se na agenda climática municipal, buscando promover uma mobilidade urbana mais sustentável, segura, eficiente, com baixo carbono fóssil e emissões drasticamente reduzidas de poluentes tóxicos e ruído.
Um aspecto central do projeto é a diversificação tecnológica e energética do transporte coletivo urbano. Isso será alcançado pela adoção do biometano como combustível renovável complementar aos ônibus elétricos a bateria e aos trólebus.
A administração municipal ressalta que São Paulo já possui a maior frota de ônibus elétricos do Brasil, que evita a emissão de mais de 10 mil toneladas de CO₂ anualmente. A prefeitura já realiza testes práticos com biometano. A medida integrará aspectos de mobilidade limpa, infraestrutura resiliente, comunicação digital, paisagismo urbano, inovação climática e convivência humana.
Os CVTs preveem a modernização da infraestrutura associada ao transporte público, incorporando soluções sustentáveis inovadoras. Isso inclui a “metronização” do sistema de ônibus, com terminais e pontos de parada equipados com painéis digitais de comunicação para o usuário, geração de energia solar, jardins de chuva e áreas permeáveis, que desempenham função paisagística e protegem contra enchentes.
Para o especialista Olimpio Alvares, engenheiro mecânico pela POLI/USP, consultor e membro do COMFROTA, do ponto de vista econômico-financeiro a iniciativa busca otimizar o uso de ônibus elétricos, que custam mais de quatro vezes o valor de um ônibus convencional a diesel. Operar esses veículos caros em corredores que evitam congestionamentos representa um aumento significativo na eficiência da gestão do transporte coletivo, evitando desperdício de tempo e dinheiro.
Alvares ressaltou em artigo exclusivo para o Diário do Transporte, que a implementação sistemática e abrangente dos CVTs será uma das medidas mais eficazes para a descarbonização do transporte de passageiros e a redução das emissões de poluentes tóxicos na cidade. Grandes concentrações urbanas como São Paulo enfrentam violações sistemáticas dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde (OMS), especialmente devido ao material particulado fino do diesel, que representa uma grave ameaça à saúde, causando cerca de 3.500 mortes anuais na cidade, sendo a segunda maior causa de óbitos, superada apenas pela hipertensão.
Ainda segundo o especialista Olimpio Alvares, os CVTs, ao permitir velocidades médias mais altas, proporcionam emissões globais médias significativamente menores de poluentes tóxicos e CO2 fóssil. No caso de CVTs que operam apenas com veículos movidos a combustíveis renováveis de baixíssimas emissões (biometano, Diesel Verde) ou energia elétrica (emissão local nula), o problema das emissões é praticamente inexistente. Além disso, a redução do tempo de viagem possibilitada pelos corredores permite atender o serviço com menos veículos, resultando em menor consumo de combustível, menos CO2 fóssil e menos ruído urbano. Ônibus a gás e, principalmente, elétricos contribuem para uma experiência mais silenciosa, com reduções de até 6 dB(A) em comparação aos diesel, o que significa uma queda de cerca de 50% na potência sonora que atinge os pedestres. A poluição sonora é o segundo maior fator ambiental de incômodo para a população urbana, conforme pesquisas.
Os CVTs também representam uma oportunidade para a municipalidade inovar tecnologicamente, avaliando novos conceitos como a expansão modernizada da rede de trólebus com o sistema “In Motion Charging” (IMC), alerta Olimpio Alvares. O IMC permite o carregamento da bateria dos trólebus em movimento através de curtos trechos de fios aéreos, que são mais simples e baratos do que os convencionais. Essa solução se mostra rentável para grandes frotas e operações de alta capacidade, permitindo até 24 horas de operação sem pausa e um alto índice de operação autônoma (independente do carregamento aéreo). A experiência europeia sugere que o IMC pode oferecer o menor custo operacional (TCO) entre todas as alternativas de combustível. A beleza do sistema também será considerada, com a possibilidade de um concurso para o design específico dos postes de apoio da rede.
O consultor destaca que a iniciativa dos CVTs chega em um momento crucial, pois o transporte público vem perdendo passageiros para o transporte individual motorizado. De 2004 a 2014, a participação do transporte coletivo nos deslocamentos individuais em São Paulo caiu de 54,1% para 51,2%. Os CVTs, juntamente com a articulação política e institucional e a eficiência do transporte coletivo, são vistos como “armas” essenciais no arsenal das autoridades para reverter essa tendência e resgatar o protagonismo do transporte público.
Olimpio Álvares, engenheiro mecânico, consultor e representante da ANTP como membro titular do COMFROTA – Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frotas por Alternativas Mais Limpas do Município de São Paulo, descreve a iniciativa dos Corredores Verdes de Transporte como uma das medidas objetivas mais eficazes para a descarbonização do transporte de passageiros e a redução de emissões de poluentes tóxicos e climáticos, combatendo o aquecimento global. Ele destaca o potencial real de transferência da demanda do transporte individual poluente para o coletivo não poluente, trazendo benefícios adicionais à saúde da população e à integridade do clima do planeta. Álvares ressalta que essa medida virtuosa também carrega um significado simbólico de valorização da convivência harmônica e integração dos usuários do transporte público e passantes com a natureza e outros modais.
Em sua avaliação, os CVTs serão um “Gol de Placa” da Administração Municipal na Era do Desenvolvimento Sustentável. Leia o texto de Olimpio Alvares na íntegra:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Ano que vem teremos eleições, nas quais provavelmente o atual prefeito tente eleger-se governador.
Me pergunto até onde existem reais intenções de se tirar essa proposta do papel. Ou se é apenas mais uma daquelas chamativas bandeiras-de-campanha, a serem “esquecidas” logo após as eleições.
Se realmente houvesse alguma preocupação honesta com a qualidade do nosso transporte público, várias boas medidas já poderiam haver sido adotadas nestes últimos anos.
Medidas técnicas e eficientes, com resultados verdadeiros. Porém que são ignoradas por exigirem muito trabalho, e não produzirem aquele imediatista impacto politico-midiatico.
Pelo que tem sido as gestões de São Paulo nas ultimas décadas, está realmente difícil de ser otimista a respeito.
SP mal tem corredor então é estranho, mas esses Solaris da foto são lindos.