Transporte Rodoviário no Brasil: “A regulação não deve frear a inovação – deve pavimentar o caminho”
Publicado em: 27 de maio de 2025
CEO da FlixBus destaca a necessidade de alinhar o marco regulatório à transformação digital para beneficiar passageiros e operadores
ALEXANDRE PELEGI
A chegada de novas tecnologias a setores tradicionais frequentemente gera receios e resistência, mas a experiência global e nacional demonstra que, quando bem implementadas e acompanhadas por uma regulação moderna, as inovações podem modernizar mercados, ampliar o acesso, promover a concorrência e melhorar os serviços à população.
Esse é o entendimento do CEO da FlixBus, Edson Lopes, que afirma que inovação e regulação “não devem ser vistas como forças opostas, mas sim como elementos que precisam caminhar juntos para oferecer melhores serviços à sociedade”. Ainda assim, Lopes destaca que, no transporte rodoviário interestadual de passageiros, a modernização do setor ainda enfrenta barreiras regulatórias. “O modelo regulatório adotado atualmente pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) se distancia do regime original de autorizações, que foi concebido justamente para facilitar a entrada de novos operadores e promover a ampliação da concorrência. Na prática, porém, a ANTT tem implementado esse regime de forma desvirtuada e restritiva, o que acaba favorecendo os players já estabelecidos e limitando a dinâmica competitiva do setor”, diz Lopes.
Para ele, isso desincentiva a inovação e a concorrência — motores essenciais para a redução de tarifas, ampliação de opções e melhoria do serviço para os mais de 43 milhões de passageiros que utilizaram o transporte rodoviário interestadual em 2023. “Trata-se de um setor de grande relevância social, especialmente em regiões com pouca cobertura aérea”, afirma Lopes.
O CEO cita estudos da própria ANTT que indicam que rotas com a presença de novos operadores registram reduções médias nas tarifas de 15% a 20%, além de melhorias na disponibilidade de horários e no atendimento. “Esse desalinhamento entre o marco regulatório e o sistema de autorizações impede que o setor aproveite plenamente os benefícios da transformação digital. Nesse contexto, a atuação de empresas como a FlixBus ganha destaque”.
Ele ressalta que a FlixBus, como uma empresa de tecnologia e inteligência de dados, presta serviços de inteligência de dados e eficiência a operadoras já autorizadas pela ANTT, muitas delas pequenas e médias empresas. Por meio de soluções baseadas em inteligência artificial e machine learning, a FlixBus digitaliza a experiência do consumidor e aprimora a operação dos parceiros com dispositivos de segurança e ferramentas de marketing, atendimento e relacionamento com o passageiro.
O CEO garante que o modelo da empresa tem conseguido reduzir o preço médio das tarifas enquanto aumenta a taxa de ocupação dos veículos. “Os benefícios vão além da redução de tarifas, incluindo maior capilaridade, eficiência operacional de viações e uma clara evolução na experiência do passageiro. A avaliação dos clientes em plataformas como Reclame Aqui, Google Reviews e redes sociais aponta elevada satisfação com a pontualidade, conforto e clareza na comunicação. A tecnologia para ampliar o acesso e tornar o serviço mais inteligente e competitivo já está disponível”, ele diz. A questão central, segundo Lopes, reside na agilidade do ambiente regulatório em permitir essa transformação.
Edson Lopes cita o Fórum Econômico Mundial, que reconhece que marcos regulatórios modernos, abertos à experimentação como os sandboxes regulatórios, são cruciais para fomentar a inovação sem comprometer a segurança jurídica. “Exemplos no Brasil, como a regulamentação do open banking e das fintechs pelo Banco Central ou a ampliação do acesso à internet por meio da implementação correta do regime de autorizações, demonstram como a regulação adequada pode impulsionar o crescimento e a inclusão em seus respectivos setores”, completa.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



A Flixbus é engraçada. No exterior, pelo que vejo em alguns canais de viagem que acompanho, é uma operação quase similar ao da Buser – parece-me que é operado como se fosse um “fretamento”, mas dado que dependendo do país as regulações permitem a operação, ela opera dentro dos conformes. Mas aparentemente tem reclamações no exterior também, já que é uma operação “terceirizada”. E pelo que noto também, e talvez eu esteja errado, não há uma concorrência em si – parece que a concorrente da Flix é a BláBlá(Car) em alguns casos por exemplo. Taí a propósito uma matéria que o Diário poderia trazer – como é a operação em outros países.
No Brasil, a Flix opera em simbiose com empresas legalizadas, pegando alguns horários nas quais a operação é da empresa mas a venda da passagem é exclusiva da Flix. Notei isso quando peguei os serviços para o Sul (com a Gadotti e a 4Bus, agora vendida ao Comporte). No caso da 4Bus (que tentou algo parecido por si mesma, depois fez parceria com a Buser e até com a própria Flix), tive todo o tipo de qualidade de veículo, mas o serviço foi feito sem problemas maiores. A Gadotti já conhecia, então sei de seus padrões.
O ponto desse discurso da Flix ignora que no Brasil já há umas brigas internas de concorrência. E diferente do exterior, o Brasil trata transporte como direito e não como serviço capital. Até entendo onde a Flix quer chegar, mas o ponto neste caso é pensar como tratar o serviço de transporte público de longa distância em um país tão plural. Já fizeram projetos, já tentaram por em prática, mas infelizmente tanto o empresariado quanto a política são tão mesquinhos quanto o senado que acabou de chamar a Marina Silva e tratam muito mal ela no plenário, fazendo ela se retirar devido a má conduta de políticos como Omar Aziz e Jaques Wagner.
E entendo que a tecnologia ajuda. Já fiz uso e agradeço aos serviços da Flix e parceiras. Mas tipo, pensar nos usuários como pessoas que tem seus desejos, direitos e consciência é sempre um fator para manter seu serviço. Faz falta serviços diferenciados no Brasil, ainda mais se tratando de longa distância – PREÇO CONTA E MUITO, MAS QUALIDADE TAMBÉM! E entendo também que dado a qualidade das rodovias, não dá para deixar um veículo de quase meio milhão de reais rodando para se depreciar rapidamente nos buracos dos políticos de má conduta.
Mas cá entre nós – chama e cochicha no ouvido – um serviço tipo “pod” ou “cabine fechada” por exemplo não faria nenhum mal, não? O Low Cost é necessário, mas um “low cost com luxinho” talvez seria interessante. (Sim, fico vendo vídeo de serviço de ônibus no japão