Recuperação Judicial da Trans Isaak: Administrador Judicial emite laudo apontando viabilidade de propostas, mas falência da Pluma complicou empresa
Publicado em: 24 de maio de 2025
Segundo análise, Grupo Trans Isaak apresenta condições de continuar atuação no mercado rodoviário, mas é necessário o cumprimento de vendas de propriedades
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
As propostas da Trans Isaak no Plano de Recuperação Judicial são viáveis e a continuação das operações das empresas do grupo é factível.
Entretanto, o grupo paranaense, fundado em 1969, precisa cumprir adequadamente as vendas de bens, como imóveis e propriedades de apoio, para ampliar o fundo de caixa, além de adotar estratégias de aumento de receitas e do número de passageiros.
É o que diz laudo de avaliação assinado pelo escritório Nasser de Melo Advogados Associados, nomeado como administrador judicial do processo de recuperação, ao qual o DIÁRIO DO TRANSPORTE TEVE ACESSO COM EXCLUSIVIDADE.
As dívidas atuais do Grupo Trans Issak, de acordo com pedido apresentado à Justiça no fim de 2024, se aproximavam de R$ 82 milhões.
Contudo, ante o exposto, em que pese os esforços empreendidos pelo Grupo Trans Isaak para manter as atividades da empresa, atualmente, as Requerentes se deparam com um endividamento no valor aproximado de R$ 81.893.872,27 (oitenta e um milhões, oitocentos e noventa e três mil, oitocentos e setenta e dois reais e vinte e sete centavos), com consequentes protestos decorrente das operações financeiras firmadas, bem como enfrentam demandas executivas ajuizadas por instituições financeiras e atos constritivos, inclusive, com ações de busca e apreensão de ônibus que são BENS ESSENCIAIS às atividades da companhia
O Grupo Trans Isaak é formado pelas empresas Trans Isaak Transporte de Passageiros Ltda., Trans Isaak Turismo Ltda. e RLS Locação de Veículos e Transporte Escolar Ltda.
O Grupo propõe o parcelamento dos débitos com as seguintes formas de pagamento:
Trabalhistas – Os Créditos trabalhistas serão pagos em até 12 (doze) parcelas mensais e sucessivas, contados da data da intimação da decisão que homologar o Plano de Recuperação Judicial
Quirográficos – sem garantia real ou preferencial: Carência de 24 (vinte e quatro) meses a partir da Data de Início dos Pagamentos, com deságio de remissão parcial de 85%
Microempresas e empresas de pequeno porte: Um período de carência de 12 (doze) meses a partir da Data de Início dos Pagamentos (Cláusula 11.4), sem qualquer tipo de pagamento.
No laudo, o Administrador Judicial destacou os resultados financeiros do Grupo Trans Isaak mostrando melhorias de desempenho.
No período analisado, a Empresa apresentou aumento de faturamento na ordem de 6%, margem bruta de 23% e EBITDA positivo médio de 7,4%, indicando que a operação do Grupo Trans Isaak é viável. Entretanto, a margem bruta de R$ 65.406.528 foi integralmente consumida pelas despesas financeiras, sendo o principal componente do prejuízo de R$ 56.533.609 registrado nas demonstrações financeiras. Resta evidenciado que as despesas financeiras levaram o Grupo Trans Isaak a apresentar resultado operacional – 29.581.566,42 visto que a margem bruta é de 23% no ano e apresenta crescimento de 10%. em relação a 2022. – diz o trecho do documento obtido pelo Diário do Transporte.
Auditoria externa e independente contratada pelo administrador judicial, elaborada pela Grand Hill @grandhillcapital, mostra também a viabilidade.
- EVIDÊNCIAS Com base nos exames realizados, obteve-se as seguintes evidências:
- O segmento de atuação e a carteira de clientes do Grupo Trans Isaak são estáveis e não apresentam perspectivas de mudanças desfavoráveis em um futuro previsível;
- A empresa é operacionalmente viável com perspectiva de continuidade;
iii. O reperfilamento de seu passivo é necessário para garantir a continuidade da Empresa;
- A proposta de pagamento apresentada no Plano, caso sejam cumpridas e/ou observadas suas premissas, é passível de ser suportado pela Empresa;
MOTIVOS E FALÊNCIA DA PLUMA:
No relatório, além, de fatores conjunturais mais amplos, como os efeitos econômicos da pandemia de covid-19 sobre o setor de transportes, são apontadas situações específicas relacionadas com as atividades do Grupo Trans Isaak, como o fechamento da unidade Araucária da Gerdau, para a qual a Trans Issak prestava serviços, e a falência da Pluma, empresa de ônibus rodoviários interestaduais que estava com parte das linhas operadas pela Trans Isaak.
O fechamento da Gerdau representou redução de receita de R$ 1,75 milhão e a falência da Pluma uma perda de arrecadação de R$ 2,25 milhões.
A decretação da falência da Pluma foi noticiada pelo Diário do Transporte em agosto de 2024.
Relembre:
Veja relação de fatores, de acordo com o laudo obtido pelo Diário do Transporte:
“… partir do lockdown imposto pela pandemia de Covid-19 (2020-2021), a circulação de passageiros foi reduzida, levando à paralisação completa da frota do Grupo Trans Isaak por meses. A queda abrupta na receita comprometeu o fluxo de caixa, impossibilitando o cumprimento de diversas obrigações financeiras. O preço do diesel sofreu aumentos sucessivos, impactando os custos dos serviços, que não puderam ser repassados aos contratos de fretamento e licitação, causando um desequilíbrio financeiro para a empresa.
Para garantir a continuidade de suas operações e mitigar os impactos sobre clientes, fornecedores, credores e colaboradores, o Grupo recorreu a empréstimos e financiamentos com instituições financeiras e fundos de investimento e não suportou o integral recolhimento de suas obrigações tributárias. Com o fim das medidas restritivas, a empresa retomou a normalidade de suas atividades e no início de 2023 negociou com os credores o reperfilamento de suas obrigações financeiras, que foram cumpridas até outubro de 2024.
No entanto, fatores externos e imprevistos levaram a perda de clientes, impactando de maneira relevante a receita e resultando na necessidade de renegociar os créditos:
1) Encerramento de operações pela GERDAU: Em maio de 2023, a GERDAU encerrou suas atividades da unidade Araucária, o que resultou em uma redução de receita de aproximadamente R$ 1.750.000,00.
2) Encerramento do contrato de transporte escolar para o município de São José dos Pinhais: Em dezembro de 2023 a prefeitura de São José dos Pinhais encerrou o contrato de transporte escolar no valor de R$ 450.000,00. O contrato foi retomado em agosto de 2024, porém com valor inferior, com redução na receita no montante de R$200.000,00 mensais. Em consequência, houve perda de arrecadação no valor de R$4.400,000,00.
3) Falência Pluma: com a descontinuidade da operação em decorrência de decretação de falência houve perda de recebimento no valor de R$ 2.250.000,00 4)
Rescisão de contratos com JTEKT e TEGMA: No segundo semestre de 2024, os contratos com as empresas JTEKT e TEGMA foram encerrados, ocasionando uma perda de receita mensal de cerca de R$460.000,00.
5) Impacto total na receita: Em consequência, esses fatores geraram perda de receita no valor de R$8.100.000,00.
O cenário financeiro atual da empresa apresenta capacidade de geração de caixa operacional, porém não permite o pagamento do endividamento da forma como está pactuado. A apreensão de ônibus compromete diretamente a geração de receitas, a manutenção de empregos e o cumprimento dos contratos firmados com clientes e entes públicos. Caso o fluxo de caixa não seja reorganizado de maneira adequada, o Grupo Trans Isaak pode enfrentar um colapso econômico irreversível”































Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Arthur Ferrari


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