Ministério Público de SP investiga crise no transporte público de Guarujá (SP)
Publicado em: 10 de maio de 2025
Inquérito civil foi instaurado para apurar ameaça de paralisação da concessionária City e possíveis falhas na prestação do serviço, após denúncia da Associação Guarujá Viva.
ALEXANDRE PELEGI
A situação do transporte coletivo na cidade de Guarujá, litoral paulista, agora é foco do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
Um inquérito civil da 4ª Promotoria de Justiça do Município abriu investigação para apurar a ameaça de interrupção dos serviços por parte da empresa concessionária, a City Transporte Urbano Intermodal Ltda, bem como possíveis problemas estruturais na oferta do serviço de transporte.
A medida do MP-SP foi motivada por uma representação formal da Associação Guarujá Viva (AGUAVIVA), que em 18 dezembro de 2024 já havia alertado o MP sobre a grave situação no município.
Como mostrou o Diário do Transporte naquela ocasião, a empresa City notificou a Prefeitura indicando que poderia suspender os serviços em 48 horas. O motivo alegado pela concessionária era um atraso acumulado de aproximadamente R$ 40 milhões em repasses públicos devidos. Caso os subsídios não fossem transferidos até 19 de dezembro, a companhia poderia dar início ao desligamento de funcionários. Relembre:
A falta de acordo entre a empresa City e a administração municipal levou os motoristas da concessionária a entrarem em greve. Contudo, a Justiça determinou que a paralisação fosse parcial, obrigando a empresa a manter a operação de algumas linhas para evitar prejuízos à população. Motoristas da empresa iniciaram a paralisação na manhã de sábado, 21 de dezembro de 2024, em protesto contra o não pagamento do décimo terceiro salário. Relembre:
Funcionários da City fazem paralisação relâmpago no Guarujá (SP) por atraso no 13º salário
A Prefeitura chegou a decretar intervenção na empresa e a suspendeu no dia 30 de abril deste ano. A intervenção havia iniciado em 28 de março de 2025 e deveria durar 90 dias, podendo ser renovada por outros 90 dias. Relembre:
Mas com o inquérito civil instaurado, o Ministério Público focará a investigação para verificar se houve omissão contratual por parte da Prefeitura em relação aos pagamentos devidos à concessionária, além de apurar a existência de problemas estruturais na forma como o serviço público de transporte está sendo prestado.
A Associação Guarujá Viva foi oficialmente comunicada sobre a abertura do inquérito em 23 de abril. A entidade poderá acompanhar o andamento do procedimento, reforçando sua atuação pela qualidade e regularidade do transporte público na cidade.
O promotor responsável pelo caso, Diogo Pacini de Medeiros e Albuquerque, confirmou a abertura da investigação ao Diário do Transporte.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


