Podcast: maioria das cidades não pode receber investimentos para mobilidade; Scania está pronta para o biometano
Publicado em: 30 de abril de 2025
Último prazo para fazer o Plano de Mobilidade Urbana venceu e situação é decepcionante; prefeito de São Paulo quer tecnologia chinesa de produção de biocombustível
ALEXANDRE PELEGI
Para ouvir o podcast só clicar no link.
Veja os principais destaque do episódio nº 93 do Podcast do Transporte:
PMU decepcionante
Os números são decepcionantes. Terminado o prazo já muito estendido, das 1.911 cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes, a maioria delas (1.573) não informou ao ministério das Cidades sobre a criação e aprovação do seu Plano de Mobilidade Urbana. Isso significa 82,3% dos municípios, que desde 12 de abril não podem receber investimentos do governo federal para mobilidade.
Os números estão no site do Ministério das Cidades, que tem tomado várias iniciativas para motivar, ensinar, ajudar e até financiar a criação dos planos. É o que detalha Danielle Holanda, coordenadora da área de planejamento de mobilidade da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades
Ricardo Nunes quer trazer tecnologia de produção de biometano da China. Aqui a Scania está pronta
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes falou com o editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, diretamente da China para contar que está comprando ônibus elétricos chineses com juros muito baixos. Mas que também visitaria uma fábrica de biometano e hidrogênio combustível com a ideia de trazer a tecnologia chinesa para São Paulo.
Enquanto isso, Adamo resolveu sair das conjecturas oficiais e ir direto checar como está o mercado para os ônibus movidos a biometano. Encontrou o diretor de operações comerciais da Scania, Alex Nucci, muito animado com as possibilidades. Ele anunciou que o primeiro de 15 ônibus a biometano da empresa já está rodando em Goiânia e que há previsão de testes em São Paulo e demanda em Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Setor de autopeças se diz pronto para as novidades dos veículos elétricos e híbridos
Marcia Pinna, editora da Technibus foi até a Automec, feira de reposição automotiva, para saber como o mercado de autopeças está se preparando para a crescente aumento dos veículos elétricos e híbridos. O setor diz que está otimista e pronto para atender ao mercado com suas novas demandas.
Por exemplo, Gustavo Piovesan Correia, gerente comercial da Riosulense, de Santa Catarina, avalia que até 80% dos componentes dos veículos elétricos são os mesmos dos veículos a diesel, portanto os efeitos negativos devem ser irrelevantes para o setor de autopeças.
Se planejamento da mobilidade traz tantos benefícios, por que muitas cidades não adotam?
O jornalista especializado e nosso apresentador Alexandre Pelegi, se pergunta, em seu editorial, porque haveria ainda uma imensa quantidade de administradores que não se mobiliza para criar e aprovar seus Planos de Mobilidade Urbana. Os benefícios da priorização do transporte público planejado chegam até a parte mais vulnerável da população, impactam o meio ambiente e até a redução das desigualdades sociais facilitando acesso a todos. Para Pelegi, a pergunta segue sem resposta.
Informação com análise é no Podcast do Transporte. Episódio novo toda quarta-feira pelo Spotify (https://podcastdotransporte.com.br/#ouvir) ou no seu agregador predileto. Ou visite a gente no www.podcastdotransporte.com.br. Os cortes também ficam disponíveis no https://www.youtube.com/@Podcastdotransporte. O Podcast do Transporte é um produto do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP


E vai continuar difícil mesmo!
Se a maioria absoluta dos prefeitos insistirem em mirar apenas os ônibus à bateria. Motivados muito mais pela visibilidade e apelo eleitorais, do que em se viabilizar um efetivo projeto de descarbonização.
Outra questão é o preço dos ônibus à bateria continuar sendo o triplo dos seus similares a diesel, mesmo com as várias atualizações tecnológicas e produções em escala industrial. Isso parece mais uma daquelas “réguas magicas” estipuladas pela indústria, frente ao apelo do produto.
Precisa-se considerar e adotar diferentes opções de forma simultânea, e não se querer focar em apenas uma tecnologia (e que é exatamente a mais custosa de se adquirir).
Já temos ônibus à GNV/Biodiesel na prateleira. Assim como já é possível disponibilizarmos etanol e HVO, perfeitos quando combinados com a tecnologia Hibrido-elétrica (injustamente abandonada e adormecida na prancheta, com a euforia dos ônibus à bateria).
E sem esquecer ainda da tecnologia Trólebus, ideal em sistemas estruturais das grandes cidades.
Se estamos parados no tempo, nunca foi por falta de opções!