EXCLUSIVO NO DIÁRIO DO TRANSPORTE: US$ 100 milhões da China para ônibus elétrico em São Paulo já devem prever infraestrutura e garagens podem ficar menos dependentes da ENEL. Biometano ainda na pauta
Publicado em: 19 de abril de 2025
Como mostrou o Diário do Transporte, EM PRIMEIRA MÃO, em viagem a ser realizada na próxima semana, prefeito Ricardo Nunes vai à Ásia. No-break permite sistema de transmissão de energia de baterias para baterias
ADAMO BAZANI
O financiamento de US$ 100 milhões que o Banco Chinês deve liberar para a cidade de São Paulo comprar mais ônibus elétricos na próxima semana, durante visita do prefeito Ricardo Nunes à Ásia, poderá incluir também a infraestrutura para a recarga de baterias.
É o que apurou o Diário do Transporte e o que vai ser ao menos debatido por Nunes no encontro com os responsáveis pela instituição financeira.
O financiamento, que será pago em 10 anos e deve ter taxas menores que os já liberados a dos bancos Interamericano e Mundial, foi noticiado EM PRIMEIRA MÃO nesta sexta-feira, 18 de abril de 2025.
Agora, DE FORMA EXCLUSIVA, o Diário do Transporte traz neste sábado (19) a negociação que será tentada por Nunes para a inclusão dos equipamentos para recarga.
A definição deve ocorrer na viagem, que começa no dia 20 de abril e vai até 1º de maio de 2025.
NO-BREAK:
Entre as tecnologias que serão visitadas pelo prefeito na viagem é um sistema que pode deixar as garagens de ônibus um pouco menos dependentes da ENEL, apontada por Nunes como a principal responsável por não preparar a infraestrutura de energia adequada.
Segundo o prefeito, é uma espécie de no-break, que vai carregando a energia durante o dia com energia normal, não precisa ser energia de média e alta tensão, é a energia que usamos em casa (NÃO PARA AS BATERIAS DOS ÔNIBUS, MAS PARA O NO-BREAK COMPLEMNENTAR). O sistema vai carregando, o ônibus elétrico vem, ele transfere essa energia de bateria para bateria, muito mais rápido que o carregamento na tomada. Não é que vai eliminar totalmente a necessidade da rede de distribuição, mas reduz a dependência somente dela.
TODOS PAGAM, TODOS SOFREM:
Comprar ônibus elétrico sem pensar em infraestrutura crescendo junto com a frota foi uma lição amarga enfrentada pela gestão municipal e por todos os envolvidos nos transportes.
População: Quem mais sofreu, de novo, foi a população. Além de, no fim das contas ser o financiador da troca de frota, com a prefeitura bancando a diferença entre o preço de um ônibus a diesel para um elétrico (que é três vezes mais caro), o cidadão paga de uma maneira até pior: enfrentando um serviço de qualidade abaixo do que deveria ter. Isso porque, como as empresas de ônibus não podem comprar ônibus novos a diesel e a eletrificação não avança pela falta de infraestrutura, a frota que roda atualmente envelhece e, com isso, é mais sujeita a quebras e descumprimento de horários e itinerários. Soma-se a isso o fato de os ônibus mais antigos serem menos confortáveis, mais duros, mais barulhentos e sem ar-condicionado.
Mas não é somente a população que sente (o que já por si só seria o pior).
Prefeito: Toda a situação não ajuda a imagem política do prefeito Ricardo Nunes, mesmo responsabilizando a ENEL. Afinal, a meta que não foi cumprida foi promessa dele e não da ENEL e, especialistas dizem quem, mesmo havendo sim a maior responsabilidade da ENEL, caberia a Nunes evitar a situação e estabelecer a obrigatoriedade e o financiamento da infraestrutura das portas das garagens para dentro e das portas das garagens para fora. Sem isso, a proibição de compra de todos ônibus a diesel, foi apontada como medida precipitada. Uma das alternativas poderia ser a restrição parcial e gradativa de novos ônibus a diesel.
Empresas de ônibus: As viações precisam manter ônibus mais antigos que dão mais custos operacionais. Além disso, por apresentarem mais defeitos, estes ônibus mais antigos geram mais situações de descumprimento de horários, viagens e itinerários que resultam em mais multas e quedas dos indicadores de qualidade avaliados pela gerenciadora SPTrans (São Paulo Transporte).
Indústria: Muitas fabricantes que faturam os ônibus elétricos tomaram um “calote” milionário, momentâneo, pelo menos. Isso porque, o modelo de financiamento atual só libera o dinheiro depois da aprovação pela SPTrans para operação, o que só ocorre quando há infraestrutura instalada. Ocorre que os custos de produção destes veículos são bem altos e já foram bancados pelos fabricantes.
BIOMETANO:
As visitas que serão feitas relacionadas ao Biometano (obtido da decomposição de resíduos) e GNV (Gás Natural Veicular) para ônibus, como já tinha mostrado o Diário do Transporte.
O assunto será debatido em agendas na China e também no Japão.
“A gente vai ter o biometano aqui no transporte coletivo dos ônibus. Eu já estou colocando biometano nos caminhões que fazem a coleta de lixo, isso quer dizer que a gente deixa de emitir gás poluente e melhora o meio ambiente.”
Sobre a viagem ao Japão, o prefeito disse que buscará informações sobre resíduos sólidos, ônibus elétricos e tecnologia, tanto com autoridades locais quanto empresários. No dia 28, o prefeito vai conhecer o Centro de Comando e Monitoramento e o Centro de Mobilidade de Tóquio.
FROTA VELHA:
A frota de ônibus elétricos não avançou de acordo com as metas da prefeitura principalmente (mas não unicamente) porque a distribuidora de energia, ENEL, não aumentou a tempo a capacidade de tensão das redes dos bairros e não fez a ligação para as garagens, medidas essenciais para o carregamento das baterias. De 2,6 mil ônibus elétricos previstos no Plano de Metas até dezembro de 2024, apenas 501 deste tipo rodavam até o limite de prazo anunciado pela própria prefeitura. Atualmente, abril de 2025, são 527 ônibus com baterias, além dos 201 trólebus que já existiam no sistema de transportes da cidade.
Houve erro de planejamento também por parte da prefeitura. Dezenas de coletivos 0 km e carregadores instalados pelas viações estão há meses sem funcionar por causa disso. Desde 17 de outubro de 2022, as empresas de ônibus de São Paulo foram proibidas de comprar veículos a diesel, mas não conseguiram colocar os elétricos para funcionar e, com isso, não puderam trocar os veículos, envelhecendo a frota em operação. A proibição do diesel sem a definição da infraestrutura foi o principal erro da gestão municipal de São Paulo, de acordo com especialistas. Isso obrigou a SPTrans (São Paulo Transporte) a ser mais flexível com as empresas de ônibus, aumentando o limite de idade dos ônibus na cidade de 10 anos para 13 anos. É o que noticiou o Diário do Transporte – Relembre neste link: https://diariodotransporte.com.br/2025/04/10/para-alem-da-dependencia-somente-das-baterias-e-das-distribuidoras-de-energia-eletrica-diversificacao-e-a-palavra/
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Ricardo Nunes!!!
Já que o sr está determinado a nos trazer referências e idéias da China, não esqueça da tecnologia-Trólebus (aquela mesma que o sr já cogitou desativar…)!
Ao contrário do que sr acha, os chineses sabem que os Trólebus são uma tecnologia excelente no presente e no futuro. Tanto assim que a modernizaram, e fazem questão de empregá-la nas suas cidades e em conjunto com tantas outras tecnologias limpas.
Felizmente nós ainda temos os Trólebus aqui em São Paulo, e eles precisam urgentemente de modernização e de um novo planejamento à altura dos grandes benefícios que eles podem nos propiciar como transporte limpo e eficiente!
Lembre-se disso!!!
Finalmente.
Mais uma mutreta boa para a xina. Não há infraestrutura e nem carga. Vai produzir diesel e gás natural que e mais barato para todos.
Mais uma jogada estranha, não há carga. Vá produzir diesel e gás natural do subsolo daqui. Que vergonha