Fim dos ônibus articulados em Belo Horizonte volta à pauta. Depois de Move Metropolitano, debate é no Move municipal. Viações podem estar dando um tiro no próprio pé

Setra-BH quer acabar com este tipo de veículo alegando custos maiores. Passageiros temem piora dos serviços. Diário do Transporte trouxe o assunto em dezembro de 2024

ADAMO BAZANI

A possibilidade de os passageiros de ônibus em Belo Horizonte deixarem de usar ônibus articulados e que veículos menores sejam colocados no lugar volta a ser debatida, mas desta vez, no Move Municipal. Já houve a discussão no metropolitano (Veja mais abaixo).

Nesta semana, o Setra-BH, sindicato que representa as empresas de ônibus municipais de Belo Horizonte, apresentou a ideia para a prefeitura alegando que este tipo de veículo apresenta maiores custos operacionais e manutenção mais difícil. Atualmente, o sistema municipal possui 2.703 ônibus entre diferentes configurações, dos quais, 189 são articulados, sendo que, 164 deles só operam em dias úteis. No Move Municipal (sistema tronco-alimentado) em corredores, também de diversos tamanhos, rodam 332 coletivos.

A idade máxima permitida dos chamados “sanfonados”, que era de 10 anos, foi ampliada para 12 anos. Os últimos articulados, se for aceita a proposta das empresas, seriam, assim, retirados de circulação em 2026.

Em dezembro de 2024, o Diário do Transporte já havia mostrado que as empresas que operam o Move Metropolitano, que liga a capital a cidades vizinhas, já haviam indicado ao Governo do Estado que em vez de renovarem a frota com os articulados, de 18 m a 21 m de comprimento, que podem transportar entre 130 e 150 pessoas, só vão colocar ônibus entre 13,5 m e 15 m com capacidade entre 80 e 100 pessoas. Estes modelos já estão chegando ao sistema e os últimos articulados em operação têm validade operacional até 2026.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/12/07/onibus-articulados-devem-ser-extintos-no-move-metropolitano-da-grande-bh-ate-2026-com-a-chegada-dos-modelos-de-15-metros-e-motor-dianteiro-que-sao-menores/

REDUÇÃO DE OFERTAS DE LUGARES E TIRO NO PÉ DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS:

Tanto em relação aos municipais como aos metropolitanos, a substituição de articulados por “padrons” representaria uma redução entre 30% e 40% na oferta de lugares no sistema.

As empresas alegam que, “para compensar”, poderiam ser colocados mais ônibus. Mas seria um contrassenso se a alegação de retirar os articulados é em razão dos custos, uma vez que mais ônibus padrons necessitaria de mais mão de obra (motoristas, mecânicos, etc), mais combustível e insumos, etc.

Para suprir exatamente a oferta de lugares que os 189 articulados disponibilizam, seriam necessários entre 300 e 320 ônibus padrons. Ou seja, por turno, em vez de 189 motoristas, seriam entre 300 e 320 motoristas e os salários são os principais itens de custos de operação.

Por isso, que a promessa das empresas de colocar mais veículos nas ruas é vista como vazia.

Além disso, há a questão da eficiência operacional.

Muito ônibus nem sempre significa melhor oferta de serviço. O que importa é fluidez e um sistema com mais modelos de alta capacidade, seja em corredores ou vias comuns, pode ter mais eficiência com menos modelos maiores que transportem mais gente numa velocidade maior que com diversos ônibus de média ou baixa capacidade.

Os passageiros temem que o conforto seja reduzido com a retirada dos articulados. Com a crescente concorrência na cidade com carros de aplicativo, mototáxi, motos próprias, etc, reduzir o conforto poderia ser um tiro que as empresas de ônibus, que já perdem usuários, estariam dando nos próprios pés.

Se o discurso for manobra para aumentarem tarifas técnicas e criarem repasses do poder público, as empresas de ônibus correm o risco de perderam mais ainda o pouco de credibilidade que ainda resta para elas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    O “tiro” pegaria mais no pé dos passageiros do que no das empresas.
    Uma metrópole do tamanho de BH, dependente dos ônibus, abrir mão dos articulados por causa dos custos??? Ridículo!!!
    Avareza, mendigagem pura!!!

    Daqui a pouco essas empresas vão querer substituir os ônibus por caminhões pau-de-arara, “por causa dos custos”…

    1. laurindojunqueira disse:

      Os articulados têm baixo valor de revenda no mercado brasileiro. E seus donos só pensam naquilo …

    2. Káio Augusto disse:

      Vai lá então, manter um veículo de 2 milhões de reais. Eu já trabalhei no setor de manutenção de uma grande empresa da capital onde os custos para manter essa aberração é o dobro do de veículos menores. Fora a dificuldade ENORME em conseguir peças, principalmente de qualidade (a.k.a Genuínas/Originais). Além disso, pode parecer que não, mas mesmo aumentando a frota do sistema, isso geraria uma economia que proporcionaria uma redução de até 25 centavos no valor da tarifa. Por fim, tem vários outros motivos, tanto técnicos quanto operacionais.

  2. laurindojunqueira disse:

    O uso de articulados e de bi-articulados no Brasil foi motivado pela vontade das empresas de ônibus de concorrer com os metrôs, com os VLT e com os monotrilhos. E, em Curitiba, São Paulo e outras cidades que operaram esses ônibus em corredores muito carregados, a experiência foi ótima. Mas, ao cabo, deu no que deu: ônibus é ônibus e “trem é trem” (referindo-se às várias modalidades de transporte ferroviário). Cada modo específico de transporte público coletivo tem seu nicho próprio de mercado e quando bem aplicado e operado integradamente, pode vir a ser bem-sucedido. Um reparo ao comentário feito pelo DT: cada posto de trabalho em um ônibus implica cerca de dez (10) empregados, caso ele funcione 24 horas por dia e caso se respeite a Lei Trabalhista. É preciso considerar férias, dias de descanso, horas de refeições etc.

    1. Káio Augusto disse:

      Falou muito, e falou muita bosta.

  3. Pedro Lucas disse:

    “Padron” de motor dianteiro não existe. Pode até ter suspensão a ar e ar condicionado mas com o caroço do motor na dianteira da cabine não dá pra chamar de Padron.

    Motor central ou traseiro, no minimo, e olha… BH tá ruim demais de Padron

    1. Káio Augusto disse:

      Falou o formado, estudado e especialista no assunto, sr. Pedro Lucas.

  4. Káio disse:

    Eu, como alguém formado na área de transportes, tendo já atuado por mais de 6 anos no planejamento do transporte coletivo, conhecendo a realidade operacional do sistema, sinto-me obrigado a contestar tal reportagem.

    1. ANDERSON ALESSANDRO OLIVEIRA ARAUJO disse:

      Kaio, pelo seu conhecimento e ponto de vista, a substituição de 6 ônibus articulados por 12 ônibus comuns pode suprir a mesma demanda dos ônibus articulados? Pergunto isso pois, quando se vê uma notícia como essa (ônibus articulados serão desativados), se tem a preocupação com a demanda; ônibus menores e mais cheios e intervalos maiores entre um ônibus e outro… e acredito que todos os comentários feitos até agora versam no mesmo sentido…

      1. CARLOS HENRIQUE ALVES DUQUE disse:

        Acredito que eles estão pensando no pós venda (ninguém quer comprar um ônibus articulado usado) já os padron tem mercado em cidades menores interior adentro.

    2. Lucas disse:

      Quanta besteira esse tal de Kaio escreve. A cidade de São Paulo conta mais de 2.200 articulados no sistema, sendo que metade do chamado “super articulado” de 23 metros e, a maioria rodando fora dos corredores de ônibus, diferente de BH onde rodam majoritariamente nos corredores.

  5. J. Alberto disse:

    Considerando que empresas de ônibus e políticos vêm se atacando há bastante tempo em BH, fica difícil emitir alguma opinião.

    Tudo fica contaminado pela guerra de narrativas.

  6. Ubirajara Bahia disse:

    Aí vão aprovar na base da velha política do “tá bão demais da conta”…
    Na fase das discussões para a implantação diziam que os ônibus articulados teriam capacidade para 165 passageiros, depois 140… No final, implantadas mesmo foram essas porcarias com capacidade de 126 passageiros somente… Ônibus com motores fracos para o nível de exigência do serviço do Move, conforme o histórico de quebras e incêndios nos mesmos.
    Ao invés de fazer a substituição por um articulado de motorização mais potente, os caras querem trocá-los pelo modelo simples…
    Tá ou num tá bão demais da conta?!!!….
    O METRô-BH está indo por esse mesmo caminho, infelizmente…

  7. Santiago disse:

    A questão mais relevante dos ônibus articulados, é como e aonde eles devem ser operados.
    Em princípio a função destes ônibus é atender às linhas estruturais dos sistemas (aonde a demanda é intensa e constante), e transitando preferencialmente por avenidas e por corredores exclusivos.

    Infelizmente porém (e começando aqui por São Paulo), muitos articulados tem sido adquiridos apenas para substituir dois ou até três ônibus padron em linhas movimentadas porém não-estruturais, e assim reduzir a frota e também o quadro de pessoal nas empresas. Menos ônibus, menos frequências! E com mais desgaste e quebras desses articulados, pois eles são colocados em logradouros e em condições para os quais não foram projetados.

    Portanto o grande problema não é o tipo de ônibus, e sim certas falhas e até distorções de critérios em sua aplicação.

  8. CARLOS HENRIQUE ALVES DUQUE disse:

    Sou motorista de articulado no BRT e esses empresários estão preocupados é só com o lucro

  9. Leonardo maia disse:

    Os empresários não querem é comprar novos ônibus articulados não são baratos e como sempre a prefeitura faz tudo que eles querem é problema do povo como sempre só bizantino o lucro vergonha da prefeitura as empresas precisam comprar novos ônibus articulados já é tirarem esses belhos da rua urgente o povo merece passagem caríssima e o povo sem mobilidade ainda querem piorar acorda prefeito

  10. Rodrigo Zika disse:

    Que absurdo, ainda mais na capital do estado.

  11. Higor disse:

    Boa noite a todos !! Eu sou motorista de ônibus e trabalho no veículo articulador no terminal justinopolis aqui no horário de pico sai ônibus de 5 em 5 minutos na linha direta e sai lotado já pensou si substituí por ônibus patron ? Se falar q o trânsito vai ficar uma bosta p q vai juntar muito ônibus e táxi

  12. Jocélio de Abreu e Silva disse:

    Empresas de ônibus urbanos: caixa preta que ninguém consegue desvendar. Tem vereador, prefeitos, pcc, CV, políticos,empresários, tudo embolado ganhando dinheiro e o povo sustentando todo mundo. Isso nunca vai mudar,porque ninguém quer q mude.

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