CPTM aumenta receita em 2024, mas opera com prejuízo
Publicado em: 14 de abril de 2025
Balanço da companhia pública revela crescimento de 16,2% na receita de transporte de passageiros, mas registra prejuízo de R$ 548,4 milhões e mantém dependência financeira do governo
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) apresentou suas demonstrações contábeis resumidas referentes ao exercício de 2024.
A empresa é classificada como uma companhia pública dependente, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal. Sua política tarifária, de caráter social e definida pelo Governo do Estado, visa facilitar o acesso ao transporte ferroviário, o que implica que a receita tarifária não é suficiente para cobrir os custos operacionais. Desde 2022, a receita tarifária da CPTM é financeiramente recomposta pelo Governo do Estado, conforme um Termo de Acordo.
Aumento na receita operacional
O documento revela um aumento na receita operacional, impulsionado principalmente pelo crescimento de 16,2% na receita proveniente da prestação de serviço de transporte de passageiros, que atingiu R$ 1,33 bilhão. Esta receita representou 51% da receita total em 2024, um aumento em relação aos 50% de 2023. O aumento no volume de passageiros foi um dos principais motivadores desse crescimento.
Apoio financeiro do Estado
A CPTM também contou com um apoio financeiro significativo do seu acionista controlador, a Fazenda do Estado de São Paulo, que totalizou R$ 2,17 bilhões em 2024, valor menor que os R$ 2,2 bilhões em 2023.
Este montante incluiu R$ 628 milhões para investimentos (em 2023 foi R$ 851 milhões), R$ 260 milhões em ressarcimento de gratuidades (R$ 206 milhões em 2023) e R$ 405 milhões para a recomposição tarifária (R$ 334 milhões em 2023). A subvenção recebida em 2024 foi de R$ 876 milhões, valor superior ao obtido em 2023, de R$ 805 milhões.
Exploração Patrimonial
Adicionalmente à receita de transporte, a CPTM obteve receita com a exploração patrimonial, que representou 10% da receita total (9% em 2023), e com a realização de leilões para descarte de materiais inservíveis, que gerou uma arrecadação acessória de R$ 17,7 milhões em 2024 (R$ 11,7 milhões em 2023).
Prejuízo diminui
Apesar do aumento na receita e do aporte financeiro do estado, a CPTM registrou um prejuízo do exercício de R$ 548 milhões em 2024, uma melhora em relação ao prejuízo de R$ 852 milhões em 2023.
Os custos dos serviços prestados também apresentaram um aumento de 3,39%, totalizando R$ 2,32 bilhões em 2024 (R$ 2,24 bilhões em 2023), com destaque para os custos de manutenção de trens. As despesas administrativas somaram R$ 826 milhões em 2024 (R$ 703 milhões em 2023), incluindo indenizações a ex-empregados da FEPASA.
O Balanço Patrimonial da CPTM registrou um ativo total de R$ 12,50 bilhões em 31 de dezembro de 2024, pouco superior aos R$ 12,41 bilhões em 2023, e um patrimônio líquido de R$ 10,6 bilhões (R$ 10,16 bilhões em 2023). Houve um aumento do Capital Social no valor de R$ 851 milhões, decorrente da capitalização de adiantamentos para futuro aumento de capital recebidos da Fazenda do Estado.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Todo sistema de transportes precisa de SUBSÍDIOS, históricamente e no mundo inteiro. Os investimentos e os custos são realmente elevados, e a tarifa praticada deve ser acessível ao público que o utiliza.
Por ser um serviço essencial e de interesse público que beneficia inúmeros setores, não cabe aqui os termos “perdas” ou “prejuizos”.
O que pode e deve ser considerado prejuízo, são certos gastos excessivos que acontecem por desvios ou por má gestão, e acabam inflando indevidamente os subsídios. Isso sim deve ser perseguido e combatido.