CPTM aumenta receita em 2024, mas opera com prejuízo

Foto: Diário do Transporte

Balanço da companhia pública revela crescimento de 16,2% na receita de transporte de passageiros, mas registra prejuízo de R$ 548,4 milhões e mantém dependência financeira do governo

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) apresentou suas demonstrações contábeis resumidas referentes ao exercício de 2024.

A empresa é classificada como uma companhia pública dependente, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal. Sua política tarifária, de caráter social e definida pelo Governo do Estado, visa facilitar o acesso ao transporte ferroviário, o que implica que a receita tarifária não é suficiente para cobrir os custos operacionais. Desde 2022, a receita tarifária da CPTM é financeiramente recomposta pelo Governo do Estado, conforme um Termo de Acordo.

Aumento na receita operacional

O documento revela um aumento na receita operacional, impulsionado principalmente pelo crescimento de 16,2% na receita proveniente da prestação de serviço de transporte de passageiros, que atingiu R$ 1,33 bilhão. Esta receita representou 51% da receita total em 2024, um aumento em relação aos 50% de 2023. O aumento no volume de passageiros foi um dos principais motivadores desse crescimento.

Apoio financeiro do Estado

A CPTM também contou com um apoio financeiro significativo do seu acionista controlador, a Fazenda do Estado de São Paulo, que totalizou R$ 2,17 bilhões em 2024, valor menor que os R$ 2,2 bilhões em 2023.

Este montante incluiu R$ 628 milhões para investimentos (em 2023 foi R$ 851 milhões), R$ 260 milhões em ressarcimento de gratuidades (R$ 206 milhões em 2023) e R$ 405 milhões para a recomposição tarifária (R$ 334 milhões em 2023). A subvenção recebida em 2024 foi de R$ 876 milhões, valor superior ao obtido em 2023, de R$ 805 milhões.

Exploração Patrimonial

Adicionalmente à receita de transporte, a CPTM obteve receita com a exploração patrimonial, que representou 10% da receita total (9% em 2023), e com a realização de leilões para descarte de materiais inservíveis, que gerou uma arrecadação acessória de R$ 17,7 milhões em 2024 (R$ 11,7 milhões em 2023).

Prejuízo diminui

Apesar do aumento na receita e do aporte financeiro do estado, a CPTM registrou um prejuízo do exercício de R$ 548 milhões em 2024, uma melhora em relação ao prejuízo de R$ 852 milhões em 2023.

Os custos dos serviços prestados também apresentaram um aumento de 3,39%, totalizando R$ 2,32 bilhões em 2024 (R$ 2,24 bilhões em 2023), com destaque para os custos de manutenção de trens. As despesas administrativas somaram R$ 826 milhões em 2024 (R$ 703 milhões em 2023), incluindo indenizações a ex-empregados da FEPASA.

O Balanço Patrimonial da CPTM registrou um ativo total de R$ 12,50 bilhões em 31 de dezembro de 2024, pouco superior aos R$ 12,41 bilhões em 2023, e um patrimônio líquido de R$ 10,6 bilhões (R$ 10,16 bilhões em 2023). Houve um aumento do Capital Social no valor de R$ 851 milhões, decorrente da capitalização de adiantamentos para futuro aumento de capital recebidos da Fazenda do Estado.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Todo sistema de transportes precisa de SUBSÍDIOS, históricamente e no mundo inteiro. Os investimentos e os custos são realmente elevados, e a tarifa praticada deve ser acessível ao público que o utiliza.
    Por ser um serviço essencial e de interesse público que beneficia inúmeros setores, não cabe aqui os termos “perdas” ou “prejuizos”.

    O que pode e deve ser considerado prejuízo, são certos gastos excessivos que acontecem por desvios ou por má gestão, e acabam inflando indevidamente os subsídios. Isso sim deve ser perseguido e combatido.

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