ViaMobilidade registra alta de 54,3% no uso do trem Expresso para o Lollapalooza Brasil, com mais de 80 mil passageiros
Publicado em: 6 de abril de 2025
Trens do Serviço Expresso transportaram 9.540 pessoas, enquanto composições do Serviço Regular levaram 72.609 passageiros até a região do Autódromo de Interlagos
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Um levantamento da ViaMobilidade revela que um a cada três fãs das bandas do Lollapalooza Brasil 2025 utilizou o transporte sobre trilhos entre os dias 28 e 30 de março para chegar ao Autódromo de Interlagos, onde ocorreu o festival. No total, 82.149 passageiros viajaram de trem durante os dias do evento, sendo 9.540 no Serviço Expresso e 72.609 no Serviço Regular.
A utilização do Serviço Expresso registrou um aumento de 54,3% em relação à edição anterior, reforçando a eficiência do serviço especial e sua importância para grandes eventos.
Transporte sustentável
O Expresso da ViaMobilidade teve um papel de destaque na mobilidade sustentável do festival, e com o uso dos trens da concessionária, que não geram poluentes, 41 toneladas de gás carbônico deixaram de ser lançadas na atmosfera.
O evento reuniu 240 mil pessoas, e a estimativa inicial apontava para a emissão de 121 toneladas de CO₂ apenas com transporte.
O Expresso da ViaMobilidade se destacou como a opção mais sustentável, com emissão zero de CO₂ e por passageiro/km, enquanto ônibus, carros e vans apresentaram emissões significativamente maiores. No total, o modal ferroviário contribuiu para uma redução de 34% na emissão de CO₂.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte



Confesso que vejo com muita desconfiança esse serviço diferenciado sendo oferecido numa linha com quase nenhuma estrutura para loopings diferenciados, o que compromete o serviço regular, que é essencial.
Mas………. Considerando o atual cenário, no qual o governo do estado tenta emplacar os trens regionais através das concessões, é ótimo ver que um serviço sazonal como esse esteja vingando, mesmo que voltado ao público turista, conformado com preços altos.
Digo isso porque desconfio de que a demanda sazonal será vital para os Trens Intercidades. A argumentação é longa, mas eu chego lá.
Não vejo com tanta empolgação a “super estação Água Branca” que o governo anunciou. Ora, o usuário que desejar chegar a Campinas ou Sorocaba saindo do ABC ou Guarulhos, vai chegar na “super estação Água Branca” como?
Não vai chegar, oras. Estamos em 2025 e não em 1995, e isso significa que o usuário vai encontrar na internet um transporte muito mais prático, barato, e com menos escalas ou nenhuma escala, sem ter que se aventurar pra chegar na “super estação Água Branca” onde o Trem Intercidades estará.
O que nos leva a algumas conclusões:
1 – A demanda recorrente dos Trens Intercidades está sendo IRRESPONSAVELMENTE superestimada, por considerar que a estação Água Branca, ou qualquer outra que viesse a abrigar o serviço, absorverá uma demanda recorrente difusa por toda a região metropolitana de SP, o que até poderia ser verdadeiro há 30 anos atrás, mas que agora é claramente falso. Quero acreditar que esse erro vem sendo cometido pura e simplesmente em função da obsolescência da massa cinzenta dos governantes que temos.
2 – O grosso da demanda recorrente estará no trem suburbano e não no expresso. Eu até poderia discorrer sobre, mas seria um assunto distinto dentro de outro;
3 – Os Trens Intercidades apresentarão intensa demanda sazonal a depender de:
– Grandes congestionamentos, típicos de Natal, ano novo, recessos escolares e mais algumas ocasiões (Obs: nesse cenário, o trem precisa se vender como uma opção confortável);
– Logradouros de interesse significativo, sejam turísticos ou não. Para contextualizar com o TIC Campinas, cito o aeroporto de Viracopos e o Hopi Hari. A concessionária vai faturar bastante montando esquemas para atender demanda por destinos específicos, mesmo que não exatamente vizinhos de porta da linha do trem; e
– Eventos: aqui, nos reencontramos com o tema da matéria, podendo citar o maior da RMC que é o rodeio de Jaguariúna. Com devida divulgação na grande SP, geraria uma demanda sazonal monstruosa para o TIC. Me arrisco a dizer que algo jamais visto antes, já que há demanda reprimida na capital para esse tipo de evento.
Sei que ninguém vai ler um texto desse tamanho, mas se alguém acidentalmente ler tudo, perceberá que até que esses “trenzinhos gourmet” podem ajudar bastante a alicerçar financeiramente o desenvolvimento da tão sonhada malha estadual de trens regionais de última geração.