Eletromobilidade

Economistas alemães e franceses orientam governos europeus a abandonar hidrogênio e priorizar elétricos para descarbonização de caminhões

Caminhão elétrico Mercedes-Benz eActros 600 conclui percurso de 15.000 quilômetros pela Europa com sucesso

Em declaração conjunta, especialistas defendem que elétricos a bateria são a tecnologia mais madura e pronta para o mercado

ALEXANDRE PELEGI

Economistas franceses e alemães emitiram uma declaração conjunta apelando aos governos para adotarem “uma abordagem comum” para descarbonizar as frotas de caminhões europeias, defendendo um foco em veículos totalmente elétricos em detrimento do hidrogênio. França e Alemanha, as duas maiores economias da União Europeia, partilham desafios semelhantes na descarbonização do transporte de mercadorias, bem como uma fronteira comum com fluxos transfronteiriços significativos. O setor de transportes da UE tem tido dificuldades em reduzir as emissões no mesmo ritmo que outras indústrias, sendo o transporte rodoviário de mercadorias um grande contribuinte para as emissões de carbono devido à sua forte dependência de camiões a diesel.

O Conselho Franco-Alemão de Peritos Económicos (FGCEE) afirma claramente que “as políticas devem focar-se em caminhões elétricos a bateria (BET), pois estes representam a tecnologia mais madura e pronta para o mercado para o transporte rodoviário de mercadorias“. O FGCEE defende que o financiamento público deve ser utilizado para acelerar a implementação de redes de carregamento rápido ao longo dos principais corredores e em depósitos privados para impulsionar a utilização de BET.

No documento, o FGCEE afirmou que “enquanto o transporte ferroviário continua competitivo principalmente para mercadorias pesadas e homogêneas em longas distâncias. A maioria das cargas na Europa é de fato transportada em distâncias de menos de 200 km e envolve pesos de remessa de até 30 toneladas (GCEE, 2024). Na maioria desses casos, o transporte ferroviário em vez de caminhão não é possível ou não é competitivo. Além disso, levando em consideração as mercadorias atualmente transportadas em unidades de transporte intermodal em distâncias de mais de 300 km, o potencial de mudança modal da estrada para a ferrovia seria de apenas 6% na Alemanha e menos de 2% na França”.

O apelo foi assinado pela copresidente do órgão consultivo do lado alemão, Monika Schnitzer, que também preside ao Conselho Alemão de Peritos Económicos. Camille Landais é o copresidente do lado francês. Do lado alemão, quatro dos cinco especialistas assinaram o apelo; Veronika Grimm, economista de energia sediada em Nuremberga e membro do Conselho Nacional do Hidrogénio (que promove camiões e postos de abastecimento de H2), não assinou.

A posição de alguns fabricantes de caminhões também parece corroborar esta visão. O CEO da MAN Trucks afirmou que era “impossível” o hidrogênio competir com os veículos elétricos a bateria. A MAN está fabricando 200 caminhões semirreboque a hidrogênio para comprovar essa hipótese. Um membro do Conselho de Administração para Investigação e Desenvolvimento da empresa, Frederik Zohm, relatou que a empresa considera que o combustível ainda tem anos pela frente e que a MAN espera servir a vasta maioria das aplicações de transporte dos seus clientes com caminhões elétricos a bateria.

Empresas como Volvo, Renault e Mercedes-Benz já acumularam milhões de quilômetros com as suas frotas de caminhões semirreboque elétricos a bateria, indicando que a tecnologia EV é o caminho a seguir.

EXPERIÊNCIA DA MERCEDES

A Mercedes-Benz Trucks concluiu com sucesso o “eActros 600 European Tour”, uma expedição de 45 dias que percorreu mais de 15.000 quilômetros por 22 países da Europa com dois protótipos do caminhão elétrico a bateria Mercedes-Benz eActros 600.

A viagem de desenvolvimento, que teve como pontos altos o Cabo Norte na Noruega e Tarifa na Espanha, visou obter ampla experiência em uma variedade de rotas com diferentes topografias e zonas climáticas, além de monitorar o consumo de energia do veículo. Os dois caminhões, com um peso bruto total combinado de 40 toneladas, foram carregados exclusivamente em pontos públicos de recarga ao longo do percurso.

Segundo o Dr. Christof Weber, chefe de Testes Globais da Mercedes-Benz Trucks, a viagem proporcionou insights valiosos e demonstrou que o transporte de longa distância com bateria elétrica é viável, com a autonomia de 500 km sem recarga intermediária do eActros 600 se mostrando um fator confiável de planejamento. Apesar de algumas variações nas experiências de recarga, a empresa reafirmou a viabilidade do transporte rodoviário de longa distância com veículos elétricos.

O objetivo da empresa com esta iniciativa é adquirir experiência prática para compartilhar com clientes interessados e reforçar sua solução completa para o transporte elétrico de longa distância. O eActros 600, com sua bateria de mais de 600 kWh e um novo eixo de acionamento elétrico, busca estabelecer novos padrões de rentabilidade no segmento de transporte de longo percurso. A empresa destaca que cerca de 60% das viagens de longo percurso na Europa têm menos de 500 quilômetros, tornando uma infraestrutura de recarga em garagens e pontos de carga e descarga suficiente para muitos clientes. O eActros 600 também será habilitado para recarga em megawatts (MCS) no futuro, com um protótipo já tendo sido carregado com sucesso nessa tecnologia.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Economistas e montadoras, que bela sintonia de interesses…
    Caminhões pesados a bateria, tecnologia mais “madura”??? Contem outra!!!
    Claro que às montadoras lhes interessa vender isso. Elas já desenvolveram a coisa, precificaram “lá encima”, e já decidiram que é isso o que querem vender.
    Engraçado é que não disseram do onde sairia a eletricidade para isso, em uma Europa dependente das poluentes usinas termoelétricas e das radioativas usinas nucleares.

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