Promotoria questiona concessionária e estatal. Último trem da Série 2000 fez viagem de “despedida” na linha 12, em dezembro. Trens mais novos da CPTM estavam “emprestados” nas linhas 8 e 9 e as composições 0 km compradas pela ViaMobilidade foram entregues com atraso de mais de seis meses
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Resumo: O MPSP (Ministério Público de São Paulo) apurou que a CPTM teve de gastar R$ 29,8 milhões além do previsto para manter trens mais antigos em operação porque a ViaMobilidade não devolveu no prazo previsto, que era até abril de 2024, as composições que são da estatal e estavam operando pelas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. A ViaMobilidade, por sua vez, atribuiu o descumprimento do prazo ao atraso da Alstom para entregar os 36 trens novos que encomendou da fabricante.
ADAMO BAZANI
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) teve de gastar R$ 29,8 milhões além do programado por causa de um atraso da ViaMobilidade para devolver trens da estatal que estavam operando “emprestados” nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, de acordo com apurações da Promotoria de Justiça e Cidadania, do Ministério Público de São Paulo.
A estatal teve de prolongar o tempo de uso dos trens da chamada Série 2000 na linha 12-Safira enquanto mais novos, que são da CPTM, estavam à serviço da concessionária privada.
Os trens da série 2000 foram fabricados na Espanha pela CAF / ADTRANZ / ALSTOM, em 1999, e começaram a rodar em 27 de maio de 2000 no Expresso Leste, segundo histórico da CPTM, atendendo inicialmente a Linha 11-Coral e, a partir de 2016, também a Linha 12-Safira.
A viagem de despedida da última composição ocorreu no dia 10 de dezembro de 2024 com partida às 13h30 da Estação Brás em direção à Estação Calmon Viana.
Já nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda estavam rodando trens mais novos que este modelo da série 2000. São composições das séries 7000 e 7500 (anos de 2008 a 2010), 8000 (anos de 2011 a 2013) e 8500 (anos de 2014 a 2016).
Pelo contrato de concessão, segundo o MP (Ministério Público), a ViaMobilidade deveria colocar em operação nas linhas 8 e 9, uma frota de 36 trens 0 km no primeiro bimestre de 2024, com devolução total dos trens emprestados até abril de 2024.
Mas houve atraso atribuído à fabricante Alstom pela ViaMobilidade.
O último trem da encomenda, o de numero 36, foi entregue apenas no fim de novembro de 2024.
Em resposta ao MP, a CPTM confirmou a necessidade do valor extra de R$ 29,8 milhões (R$ 29.870.450,72)
Assim, houve a necessidade de contratação de manutenção terceirizada para os trens da série 2000, por meio de aditivo contratual, em caráter excepcional. O valor gasto com esta manutenção foi de R$ 29.870.450,72(data base dezembro 2024), conforme nota técnica anexa
O Diário do Transporte procurou a CPTM, a ViaMobilidade e a Alstom.
A CPTM disse que “não se manifesta sobre investigações e procedimentos em andamento perante o Ministério Público”.
A Alstom informou que o contrato foi cumprido e entregues todos os trens, mas nada falou dos atrasos.
Em resposta ao Diário do Transporte a ViaMobilidade informou que não tem conhecimento dessa questão.
Confira resposta da ViaMobilidade:
A Concessionária não tem conhecimento dessa questão, portanto não irá comentá-la.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Arthur Ferrari
