Eletromobilidade

VÍDEO: Eletra comercializou 256 ônibus elétricos para a capital paulista e prefeito Nunes diz que “vai vender mais”

Cidade, entretanto, não cumpre metas de eletrificação de frota e falta de infraestrutura impede renovação de frota, o que obriga ampliação da quantidade de coletivos velhos a diesel rodando

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

Em dois anos, a Eletra Industrial, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vendeu para o sistema de transportes da cidade de São Paulo, 256 ônibus elétricos de diferentes tamanhos e configurações.

Nesta sexta-feira, 07 de março de 2025, a diretora da fabricante que equipa até agora chassis Mercedes-Benz e Scania, com carrocerias da Caio, Milena Braga Romano, entregou ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, uma placa comemorativa em alusão ao número.

Nunes disse que a empresa vai “vender mais” para o sistema paulistano.

“A Eletra é a maior produtora de ônibus elétrico do Brasil. A Milena já vendeu aqui para a cidade de São Paulo, 256 ônibus, até agora, vai vender mais. Esses 256 ônibus representam 6 milhões e 300 mil km rodados e 11,9 mil toneladas de CO2 a menos, foram os ônibus das outras empresas” – disse Nunes, acrescentando que cada ônibus elétricos traz os benefícios ambientais equivalentes ao plantio de 6464 árvores.

“A Eletra possui atualmente um nível de nacionalização de 92% das peças. É tecnologia brasileira” – disse Milena.

Os ônibus elétricos da Eletra representam mais da metade dos cerca de 430 que rodam na cidade entre todas as marcas.

Os números são altos, mas pequenos ainda em relação à frota total de 13 mil coletivos nacionais e da meta de 2,6 mil elétricos prevista para dezembro de 2024 e que não foi cumprida.

Desde 17 de outubro de 2022, as empresas de ônibus são proibidas pela prefeitura de comprar modelos a diesel, mas não há infraestrutura suficiente na rede de distribuição da ENEL e nem todos os tipos de ônibus têm maior disponibilidade no mercado de elétricos, como os micros, mídis (micrões) e articulados de 18 metros. Por causa dessas dificuldades relatadas pelas viações, a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora pública do sistema, aumentou de 10 anos para 13 anos a idade limite de toda a frota municipal.

O Diário do Transporte tem visitado as garagens e visto que há muitos ônibus elétricos zero km e equipamentos de recargas parados enquanto os passageiros ainda são obrigados a andar em veículos a diesel mais velhos, sem ar-condicionado, com menos conforto e mais possibilidade de quebras.

Na segunda-feira, 10 de março de 2025, o Diário do Transporte vai trazer outra matéria especial que mostra o desperdício de recursos públicos e financiamentos de instituições como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) por causa do que tem ocorrido com a condução da eletrificação da frota em São Paulo. Não perca.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Clayton disse:

    Só no Brasil o poder público encomenda o móvel planejado deixa entregar para só aí ir procurar o apartamento para tentar financiar. A impressão que dá é que se está criando urgências para que algumas obras de infraestrutura possam passar sem obedecer o devido processo legal. Talvez no último ano do mandato dele,quando tiver uns 10 mil ônibus elétricos comprados ele resolva quebrar metade da cidade junto com a Enel.

  2. Bruno Marques disse:

    E isso, porque ambos os sistemas (elétrico e os dos ônibus) são PRIVATIZADOS !!!

    Se fosse na época das saudosas estatais CMTC e Eletropaulo, toda essa problemática já tinha sido resolvida !!!!

    Então foi para isso, que foram feitas ambas as privatizações ???? Para ficar pior ????

    Ironicamente, completou-se 30 anos da extinção da estatal CMTC.

    E para “variar”, novamente a cidade vai contar com os ônibus paus velhos, caindo aos pedaços !!!! E espero que seja a última vez !!!!

    Se eu nem tivesse 43 anos, nem estaria “acostumado” a isso…

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