MP de Sergipe analisa novo modelo de catraca dupla nos ônibus municipais da Grande Aracaju

Órgão ministerial avalia protótipo visando conciliar combate à evasão e bem-estar dos passageiros

ALEXANDRE PELEGI

O Ministério Público de Sergipe (MPSE) está examinando um novo modelo de catraca dupla para os ônibus do sistema de transporte público da Região Metropolitana de Aracaju. Uma audiência foi realizada na manhã dessa sexta-feira, 07 de março de 2025, para averiguar o protótipo.

Segundo informações do MPSE, um ônibus equipado com a nova catraca foi apresentado à Promotoria de Justiça do Consumidor. Na ocasião, a equipe técnica e os engenheiros do órgão efetuaram medições detalhadas para a elaboração de um relatório técnico sobre as novas catracas.

A promotora de Justiça Euza Missano esclareceu que as normas técnicas estabelecem a altura das catracas, que devem obedecer a um padrão predefinido. Ela ressaltou que, embora a norma permita a implementação de novos mecanismos para reduzir a evasão de passageiros, isso não implica a alteração dos padrões já estabelecidos.

Após a análise técnica, o MPSE irá avaliar os resultados da verificação feita pelos seus especialistas. Além disso, o órgão solicitará à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) e ao Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) que apresentem relatórios com os nomes dos técnicos responsáveis pelo projeto da catraca dupla.

Ainda de acordo com a promotora, o objetivo principal do MPSE é encontrar um equilíbrio entre as necessidades da população e a necessidade do município de coibir a evasão de pagamento nas linhas de ônibus, sem que isso cause transtornos ou prejuízos aos usuários.

SETRANSP EXPLICA ADOÇÃO DA CATRACA DUPLA

O Setransp (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros) expressou que a maior preocupação do setor é a segurança dos passageiros e motoristas, e enfatizou a importância da melhoria da mobilidade e do acesso ao ônibus. Inclusive, segundo o sindicato, houve um reconhecimento de que a iniciativa de modificar as catracas poderia ter sido pensada com foco em maior mobilidade anteriormente. A medida lançada em 2023 foi considerada urgente devido ao crescente número de ocorrências de pulos de catraca seguidos de arrastões ou ameaças.

Ainda de acordo com o Setransp, o novo modelo de catraca introduz modificações que visam proporcionar maior flexibilidade na passagem dos usuários, ao mesmo tempo em que mantém a segurança. A utilização da catraca dupla desde 2023 em algumas linhas do transporte público coletivo já resultou em uma redução de quase 100% nos pulos de catraca.

Somente em 2024, segundo o sindicato das empresas de ônibus, foi registrada uma média de 29 mil pulos por mês, representando cerca de R$ 1,5 milhão ao ano de evasão de receita. O sindicato também indicou que em 2023, esse número era ainda maior. Segundo o Setransp, o passageiro que paga a passagem é o mais prejudicado com o pulo de catraca.

“Quando alguém usa o ônibus sem pagar, pulando a catraca, deixa de ser contabilizado como passageiro e isso vai influenciar no cálculo da tarifa. Ou seja, será o mesmo custo do transporte dividido por uma quantidade menor de passageiros, que pagam a conta daqueles que pularam”, diz o Setransp.

Para o novo modelo de catraca, houve uma ampliação de 10 centímetros no espaço superior e também no tamanho do equipamento, visando proporcionar maior flexibilidade no movimento de passagem. O sindicato informou que cerca de 25% da frota do transporte já conta com a catraca dupla, e para a adaptação ao novo modelo será necessário um período de pelo menos 70 dias e um investimento médio de R$ 1,8 mil por veículo.

“O setor de transporte também irá reforçar as campanhas de conscientização junto aos motoristas e passageiros sobre o uso do ônibus. Os assentos da dianteira, por exemplo, são de uso exclusivo às gestantes, mulheres com crianças de colo e às pessoas com obesidade. Essas pessoas podem embarcar e desembarcar pela dianteira, mesmo diante do novo modelo de catraca”, informa o Setransp.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Aprovado. É o que a nossa realidade pede!
    Ainda mais nestes tempos, em que o Brasil é um dos últimos paises do mundo em abolir a função de cobrador.

  2. PATRICIA SOUZA SANTOS FEITOZA disse:

    Infelizmente essas catracas só prejudica os passageiros pagantes, mulher com criança de colo n tem como passar, já vi quebrar alça de bolsa , idosos presos nela, muito constrangimento e quem quer pular , continua pulando, já vi pularem com esse modelo de catraca,

  3. ERONILDES LEITE FILHO disse:

    O modelo de catraca dupla usada até o momento é horrível, principalmente pra pessoas fortes ou um pouco acima do peso, e se for usar em bairros periféricos, não adianta nada, o mal elemento vai ficar na frente e quando quiser descer “manda” o motorista abrir, e se não abrir, apanha e nem a empresa nem as autoridades vão garantir a integridade física do motorista

  4. Paulo Silva disse:

    Que coisa horrorosa, enquanto em outros estados tem empresa que usa aquela catraca de três braços, tem lugar que usa essa aberração

  5. Santiago disse:

    Lembro quando tentaram operar os ônibus sem cobradores aqui em São Paulo. Eram os anos 90 e os bilhetes eram comprados avulsos, semelhantes aos antigos bilhetes do Metrô.

    Como só havia o motorista, e a catraca era padrao, acontecia um festival de pulação de catraca nos ônibus o tempo todo.
    E não eram apenas os malandros de sempre. Eram pessoas comuns que faziam isso aos montes, trabalhadores e estudantes, jovens e adultos.
    É o lado B do ser humano, que infelizmente existe.

    Concordo que estes catracões são mesmo desconfortaveis e constrangedores aos cidadãos que pagam a passagem de boa fé e por princípios.
    Porém com a catraca padrão, é igualmente constrangedor um monte de engraçadinhos pulando a catraca e nos olhando com deboche enquanto pagamos a passagem. Além da constante humilhação que o motorista tem de aturar nessas situações, sem nada poder fazer.

    Gostemos ou não, estes catracões serão ainda necessários por um longo tempo.
    Essa é a nossa realidade.

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