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OPINIÃO DO EDITOR: Pedir frescor, não é frescura

Em Santo André, ônibus 0 km sem ar-condicionado e calor até 2035

Será que ônibus com ar-condicionado e conforto é “mimimi” mesmo de passageiro?

ADAMO BAZANI

Grande parte do Brasil enfrenta ondas de calor nesse Verão extremo.

Não foram raras as reportagens na mídia sobre a falta de ônibus com ar-condicionado na semana.

O próprio Diário do Transporte foi a campo e constatou o sufoco de motoristas e passageiros.

Em Santo André, no ABC Paulista, onde a tarifa é de R$ 5,90, a maioria dos ônibus não tem ar-condicionado e, desde 2023, estão sendo colocados coletivos sem o equipamento. Ou seja, até 2033, 2034, 2035 continua o fervor dentro do transporte coletivo. Informalmente, as empresas de transportes dizem que se a remuneração for ampliada, pode haver ônibus com ar-condicionado porque a refrigeração aumenta os custos operacionais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/02/17/video-e-entrevista-passageiros-relatam-extremo-calor-dentro-dos-onibus-do-abc-santo-andre-recebe-veiculos-0-km-mas-sem-ar-condicionado-que-vao-ficar-rodando-por-10-anos/

Muita gente fala: até outro dia os ônibus não tinham ar-condicionado e todo mundo andava

Se for ver assim…

Até outro dia não tinha carro com retrovisor do lado dianteiro.

Não tinha carro com airbag.

Não tinha ônibus com redutores de poluição.

Não tinha freio ABS.

Não tinha câmeras de ré.

Se é pra parar no tempo, então para o valor da tarifa.

Diferentemente do que muitos pensam, não é “frescura” do passageiro.

É exigir que os serviços se atualizem

Santo André, o exemplo que sentimos na pele, tem uma tarifa de R$ 5,90. Mas há muitas outras cidades.

Dependendo da viagem, dividindo um carro de aplicativo em dois ou três sai mais barato e com muito mais conforto e rapidez.

Mas qual o custo disso pra sociedade, trânsito e poluição?

Em vez de chamarmos o passageiro de fresco, vamos exigir que empresas e gestores públicos atualizem os transportes coletivos para o cliente de hoje. Achem uma solução. É para aumentar os subsídios ou as receitas extra-tarifárias? Melhor que saia dinheiro para o transporte coletivo a sair passageiros para o transporte individual. E melhor ainda achar modelos de transportes, readequações de linhas, etc, para que os sistemas sejam mais racionais e melhor dimensionados, porque não podemos cair na armadilha de a cada melhoria, aumentar os repasses.

Essa é pra quem é do setor: Senão, viva o caminhão 1113 com carroceria Caio Gabriela (com todo o respeito à história deste modelo, mas é história)

O custo disso tudo, é sentido por nós.

Vamos investir em que?

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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