MPT inicia investigação sobre denúncia de retirada de OTs (operadores de trens) do monotrilho da linha 15-Prata de São Paulo

Procurador vê risco de ofensa à ordem jurídica e vai apurar também acidente com trem e possíveis falhas na implementação do sistema automático de segurança

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

O Ministério Público do Trabalho decidiu converter a notícia de fato em inquérito civil denúncia feita pelo Sindicatos dos Metroviários de São Paulo sobre a retirada dos OTs (operadores de trens) do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste da capital paulista.

O despacho do procurador do Trabalho Ruy Fernando Gomes Leme Cavalheiro é de 13 de novembro de 2024, mas a informação foi divulgada pela entidade trabalhista nesta terça-feira, 18 de fevereiro de 2025.

O procurador vê risco de ofensa à ordem jurídica e vai apurar também acidente com trem em 08 de março de 2023 e possíveis falhas na implementação do sistema automático de segurança.

Não há dúvidas de que tais fatos, se efetivamente comprovados, representam ofensa à ordem jurídica, eis que contrários às disposições contidas Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT e na Constituição da República, tendo nítido reflexo na órbita dos direitos e interesses metaindividuais dos trabalhadores, embasando assim a atuação ministerial no caso. – disse o procurador.

Em nota ao Diário do Transporte, o Metrô de São Paulo informou que, a companhia já forneceu todas as informações necessárias ao Ministério Público e segue à disposição para novos esclarecimentos.

Confira a nota do Metrô de São Paulo: 

O Metrô já prestou todos os esclarecimentos ao Ministério Público e permanece à disposição. A adoção do sistema de operação totalmente automatizada, cumpre com o projeto da Linha 15-Prata que foi concebida e implantada com os requisitos para funcionar com o mais alto nível de automatização em sistemas metroviários.

Como mostrou a reportagem, em meados de 2024, a companhia anunciou que gradativamente as composições passariam a operar sem os operadores embarcados e que os funcionários seriam alocados para outras linhas ou ficariam nas estações da 15-Prata.

Diferentemente das linhas de Metrô, os trens do monotrilho não possuem uma “cabine” onde fica um operador controlando a composição, mas contavam com a presença do profissional.

O Sindicato disse que há riscos de segurança. Na ocasião, o Metrô informou que não existe e que o monotrilho já foi planejado para rodar sem operador.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/09/05/em-primeira-mao-no-diario-do-transporte-monotrilho-da-linha-15-prata-vai-funcionar-de-forma-100-automatizada-aos-sabados-tambem-a-partir-de-07-de-setembro-de-2024-mas-ots-seguem-embarcados-ainda/ 

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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