História

VÍDEO: Aniversário de São Paulo é celebrado em passeio de trólebus na tradicional 408 A-10 – conheça a história da linha

Linha é um dos exemplos concretos do crescimento da cidade de São Paulo e da vocação pelo transporte limpo

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

(VEJA O VÍDEO AO FIM DO TEXTO, MAS LEIA ANTES)

O crescimento de São Paulo tem vários símbolos: personalidades, ruas, avenidas, edifícios e serviços.

E com certeza, os transportes estão entre os elementos concretos que mostram como a capital paulista a cada dia cresce e se transforma.

Um dos exemplos disso é a linha de trólebus 408 A-10 (Machado de Assis – Cardoso de Almeida) a mais antiga em operação com este tipo de veículo.

Neste sábado, 25 de janeiro de 2025, quando a cidade completou 471 anos de fundação, um passeio pela linha celebrou o aniversário e possibilitou uma experiência imersiva que trouxe a história de bairros e dos trólebus que são a cara de São Paulo.

A iniciativa foi do projeto Circulando Essepê – Olhe pela janela e observe a paisagem!, coordenado por Maria Luiza Paiva de Almeida.

A atividade teve o apoio da Associação dos Ex-Funcionários da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), presidida por Washington de Carvalho, e da Ambiental Transportes Urbanos, atual operadora dos 201 trólebus da cidade.

Foi mostrado um breve histórico da linha e dos bairros. Também foi detalhada como está atualmente a operação dos trólebus de São Paulo.

LINHA 408 A-10 – A HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO DA CIDADE:

São Paulo já teve mais de 500 trólebus e poderia chegar a ter 1280 se o Plano Sistran (Sistema Integrado de Transportes), de 1975, elaborado pelo então secretário municipal de transportes da capital paulista, Adriano Murgel Branco, na gestão do prefeito Olavo Setúbal, fosse colocado integralmente em prática. Mas a partir do início dos anos 2000, ainda na gestão da prefeita Marta Suplicy, o sistema começou a ser desmantelado em ritmo mais intenso. Entre os “marcos do fim” esteve a desativação da rede do Corredor 9 de Julho/Santo Amaro, que deveria se tornar um “corredor verde”, somente com os trólebus, mas acabou se transformando em um “corredor de fumaça”, apelido dado por moradores e comerciantes.

Em 25 de julho de 2025, o prefeito Ricardo Nunes, ao apresentar em primeira mão ao Diário do Transporte um novo modelo de ônibus elétrico, só que apenas com baterias, revelou a retomada de propostas de corredores verdes, em grandes eixos e o primeiro seria o 9 de Julho/Santo Amaro, o mais movimentado da cidade, com cerca de 700 mil passageiros por dia.

Mas os trólebus ficaram de fora dos planos de Nunes.

Relembre:

VÍDEO: Eixo da 9 de Julho será primeiro do projeto “Corredores Verdes” de São Paulo já com novo modelo de superarticulado elétrico _ Veja imagens exclusivas do ônibus inédito no Brasil

 

A 408 A-10 expressa o crescimento da cidade de São Paulo porque ao longo dos anos, a linha também cresceu. A ligação foi a primeira regular de ônibus não poluentes da cidade e começou a operar em 1949 pela empresa pública CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), com itinerário entre o bairro da Aclimação (Praça General Polidoro) e o centro (Praça João Mendes), substituindo os bondes da linha 16.

A cidade crescia e moradores, estudantes e comerciantes pediram a extensão da linha que em 1955 passou a fazer o trajeto entre a Praça General Polidoro e a Rua Cardoso de Almeida, na região de Perdizes. A linha neste ano de 1955 começou a ser identificada como 216.

O nome Machado de Assis/Cardoso de Almeida para linha foi dado em 1957, com uma extensão de quase 2 km em um dos extremos. Dez anos depois, após uma reformulação na malha de linhas municipais, em 1967, a numeração da linha passou de 216 para 916, mas o itinerário ficou quase o mesmo.

A identificação 408A-10 veio no início dos anos 1980, fruto da reformulação do sistema de linhas idealizada na década anterior por Adriano Branco como secretário de Transportes e Olavo Setúbal como prefeito

LINHA DEIXOU DE TER TRÓLEBUS EM TRÊS OCASIÕES:

Símbolo dos trólebus e da mobilidade não poluente, a 408A-10 Machado de Assis/Cardoso de Almeida deixou de ter trólebus em três ocasiões ao menos (sem contar com desligamentos de rede e desvios de rotas de forma temporária e rápida).

Uma delas foi de 1975 a 1982 por causa de mudanças de mão de direção em vias da região da Vila Buarque, parte do trajeto, até a readequação da fiação aérea. A outra ocasião foi em 1993, ainda como CMTC, para a construção de um piscinão no Pacaembu que provou desvios no itinerário. O retorno dos trólebus ocorreu somente em 1996. As CMTC já tinha sido privatizada e os serviços eram de responsabilidade da empresa Eletrobus.

A terceira, começou em 2025, com a substituição de modelos a somente com baterias, atendendo pedido da operadora da linha, Ambiental transportes

Veja abaixo os detalhes:

PERMISSÃO PARA FIM DEFINITIVO DE TRÓLEBUS NA 408 A – 10:

No dia 20 de agosto de 2025, ao Diário do Transporte (que mostrou em primeira-mão e de forma exclusiva, como imprensa profissional), a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema municipal de linhas, confirmou que atendeu pedido da empresa Ambiental Transportes Urbanos para deixar de operar trólebus na linha 408 A-10 (Machado de Assis/Cardoso de Almeida), na capital paulista. É a linha mais antiga do Brasil com este tipo de veículo, sendo inaugurada comercialmente em 22 de abril de 1949, mas que já estava em testes desde 1947, marcando os primórdios da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), antiga operadora e gestora dos transportes públicos, sendo sucedida em 1995 pela SPTrans, que atualmente se concentra no gerenciamento do sistema de transportes da cidade, onda não há mais empresa pública operadora.

Com isso, a companhia teve liberação para substituir os modelos conectados à fiação elétrica por veículos somente a bateria de forma permanente. A não ser com exceções e com a devida autorização, não poderiam ser colocados ônibus a diesel.

No mesmo dia da confirmação, até houve atendimento com trólebus, mas de acordo com a gerenciadora também ao Diário do Transporte, foi uma situação excepcional.

Como mostrou a reportagem, há duas semanas a 408A-10 estava somente com ônibus a bateria. Inicialmente, eram testes operacionais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/08/20/sptrans-autoriza-ambiental-a-retirar-definitivamente-trolebus-da-linha-mais-antiga-do-brasil-408-a-10/

QUAL PODE SER O FUTURO?

O risco de desativação na cidade de São Paulo ficou mais evidente ainda quando o Diário do Transporte revelou uma data concreta estudada pela prefeitura. Em 23 de julho de 2025, ao entregar novos ônibus elétricos a bateria, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a rede de trólebus seria desativada com a inauguração do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), prevista para 2029 e 2030, restrita apenas ao centro da cidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/07/23/trolebus-vai-acabar-em-sao-paulo-com-a-implantacao-do-vlt-bonde-de-sao-paulo-diz-nunes-em-resposta-ao-diario-do-transporte-e-enel-promete-energia-para-mais-2-mil-onibus-ouca/

Um estudo da Rede Respira São Paulo, que reúne técnicos, especialistas e representantes da academia, mostra que seria desperdício de infraestrutura desativar os trólebus, que atendem regiões mais distantes, em favor do VLT, concentrado apenas no centro. O estudo não é contrário ao modal sobre trilhos, mas defende que os dois podem conviver harmoniosamente, como ocorre em diversas cidades da Europa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/08/13/desativar-trolebus-por-causa-de-vlt-bonde-de-sao-paulo-e-um-desperdicio-e-vai-na-contramao-do-que-mundo-pratica-aponta-estudo-entrevista-e-video/

Especialistas internacionais também defendem a manutenção dos trólebus em São Paulo, mesmo com a implantação do VLT. Para a capital, o modelo E-Trol foi apontado como alternativa. O E-Trol é um tipo de ônibus largamente usado na Europa, Ásia e América do Norte, que funciona tanto com baterias por longos trechos como conectados a rede aérea em modo trólebus. O corredor BRT-ABC, entre as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e os terminais Vila Prudente e Sacomã, na capital paulista, terá o modelo. Serão 96 unidade com 21,5 metros de comprimento cada e capacidade para mais de 150 passageiros de uma só vez.

O consultor em mobilidade elétrica da União Internacional de Transportes Públicos (UITP), Arnd Bätzner, que esteve nesta semana no seminário em São Paulo, reforçou que esse tipo de tecnologia é amplamente utilizada em diversas partes do mundo e pode ser uma solução adequada para a cidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/08/16/especialista-internacional-da-uitp-defende-o-uso-dos-trolebus-em-sao-paulo-e-cita-o-modelo-e-trol-do-abc-como-alternativa-ideal/

Além de flexibilidade, o modelo E-Trol dispensa a necessidade de infraestrutura de recarga nas garagens, um dos grandes entraves para o avanço como previsto pela prefeitura de São Paulo para a frota de ônibus elétricos somente com bateria, não cumprindo as metas. Isso porque, o E-Trol, pelo fato de funcionar tanto conectado à rede quanto com bateria, carrega os bancos de baterias enquanto trafega, isso somando ao fato de ser cerca de 30% mais barato na aquisição e manutenção.

Veja a entrevista explicando:

https://diariodotransporte.com.br/2024/07/10/entrevista-em-video-transformar-onibus-e-caminhao-a-diesel-em-eletrico-retrofit-gera-economia-de-30-e-trol-tambem-e-30-mais-barato-e-baterias-duram-ate-40-mais/

O trajeto atual da linha, de acordo com a SPTrans, é:

PÇA. ROSA ALVES DA SILVA 321 – 352
R. GUIMARÃES PASSOS 320 – 217
R. DR. RAFAEL CARAMURU LANZELLOTI 116 – 1
R. JOSÉ DO PATROCÍNIO 268 – 459
R. MACHADO DE ASSIS 0 – 534
R. PAULA NEI 371 – 614
R. TOPÁZIO 1001 – 1
PÇA. GEN. POLIDORO 175 – 39
AV. TURMALINA 219 – 1
AV. DA ACLIMAÇÃO 323 – 1
R. PIRES DA MOTA 486 – 238
R. BUENO DE ANDRADE 577 – 1
R. TAMANDARÉ 1 – 39
R. DA GLÓRIA 1012 – 841
R. CONS. FURTADO 780 – 377
VIAD. SHUHEI UETSUKA 58 – 1
R. CONS. FURTADO 376 – 2
R. ANITA GARIBALDI 1 – 90
PÇA. CLOVIS BEVILAQUA 1 – 387
R. ROBERTO SIMONSEN 173 – 87
R. VENCESLAU BRÁS 110 – 1
PÇA. DA SE 0 – 0
LGO. PATEO DO COLÉGIO 0 – 134
VIAD. BOA VISTA 1 – 230
R. BOA VISTA 43 – 390
LGO. S. BENTO 1 – 58
R. LÍBERO BADARÓ 0 – 256
VIAD. DO CHÁ 1 – 258
PÇA. RAMOS DE AZEVEDO 300 – 496
R. CONS. CRISPINIANO 275 – 410
LGO. PAISSANDU 0 – 0
AV. S. JOÃO 465 – 674
AV. IPIRANGA 709 – 807
PÇA. DA REPÚBLICA 400 – 191
R. MQ. DE ITU 1 – 897
R. SABARÁ 1 – 242
R. MARANHÃO 147 – 765
R. ARACAJU 95 – 272
PÇA. VILABOIM 2 – 172
R. ARMANDO PENTEADO 1 – 70
R. ALAGOAS 841 – 0
PÇA. CHARLES MILLER 51 – 154
AV. ARNOLFO AZEVEDO 2 – 380
R. ZEQUINHA DE ABREU 1 – 432
R. CARDOSO DE ALMEIDA 0 – 1738
R. JOSÉ DE FREITAS GUIMARÃES 1069 – 433
R. PROF. JOÃO ARRUDA 1 – 60

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Excelente passeio!!!
    Concilia um marco técnico e histórico, que é o trolebus, e um daqueles trajetos/itinerários que melhor sintetizam a história, a identidade e a cultura de São Paulo.
    Parabéns pela iniciativa, bela homenagem!!!

  2. Roberto de Lara Diogo disse:

    Trabalhei nesta linha
    Fiscal de tráfego de 1985 a 1988
    Prontuário 86227 CMTC.

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