Manaus (AM) está pronta para eliminar o dinheiro nos ônibus e já estuda até aposentar o cartão de recarga

Fábio Byron, gerente de bilhetagem do sistema operado pelo SINETRAM, conta que a história da modernização do setor em Manaus começou na primeira década dos anos 2000

FÁTIMA MESQUITA, ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Mais de dezoito anos atrás, o transporte público de Manaus começou a viver uma revolução tecnológica com a adoção de uma série de inovações na bilhetagem eletrônica. Agora, a capital está pronta para eliminar a presença de dinheiro nós ônibus e já se prepara para um próximo salto: aposentar o cartão de recarga.

Fábio Byron, gerente de bilhetagem do sistema operado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas, o SINETRAM, conta que a história da modernização do setor em Manaus começou com a introdução do smartcard Passa Fácil na primeira década dos anos 2000.

De lá para cá, o sistema se expandiu consideravelmente, em especial após a adoção de uma nova plataforma da PRODATA, mais avançada, mais simples e mais rápida, em junho de 2022.  Hoje a adesão ao Passa Fácil engloba cerca de 85% dos usuários do sistema e chegou a este patamar oferecendo facilidades aos passageiros.

Aplicativos

As operadoras do transporte público de Manaus trabalham com dois aplicativos. O “Cadê Meu Ônibus” é o guia do transporte coletivo. Nele, o passageiro checa a melhor linha e os melhores horários para o seu trajeto e acompanha em tempo real o deslocamento do veículo pelas ruas até a chegada na parada escolhida.

Esse é um aplicativo pioneiro nosso que já está há mais de oito anos funcionando na cidade. Nele o nosso passageiro pode fazer reclamações e sugestões e se reservar o direito de só ir para a parada próximo da chegada do seu ônibus. Porque o app já mostra o ônibusinho se deslocando. Tudo em tempo real”, explica Fábio Byron.

O segundo aplicativo é o “Cadê Meu Ônibus Recarga”, que funciona como uma carteira digital, e traz o recurso de geração de um QRCode para o pagamento da passagem com o celular direto no validador.

Byron conta que há ainda a tecnologia que é disponibilizada nos terminais, que aceita o próprio cartão de crédito e débito para pagamento da passagem no validador.

O sucesso da Syndi       

Um dos modos preferidos de recarga em Manaus tem sido o bate-papo descomplicado com a Sindy.  Ela é a pioneira assistente virtual tipo chatbot que há cinco anos faz atendimento virtual aos passageiros dos coletivos de Manaus via WhatsApp e tem um desempenho exemplar, resolvendo 95% das conversas iniciadas.

Mas a equipe do Sinetram não para e está para lançar nos próximos dias uma versão turbinada do chatbot da Sindy para o aplicativo Telegram . Segundo a equipe de bilhetagem do sindicato, o concorrente do WhatsApp tem uma configuração e design de menu muito mais eficientes e seguros permitindo a criação de interações mais interessantes e amigável para o cliente.

Rede de recarga

Na outra ponta, o Sinetram inovou na criação de uma rede com mais de 180 pontos para recarga em dinheiro em mercadinhos, drogarias, supermercados, lanchonetes e outros estabelecimentos espalhados pelos bairros de Manaus. Nesta rede, o cliente leva o cartão Passe Fácil, paga em dinheiro e reabastece os seus créditos, enquanto o comerciante usa uma máquina tipo a de cartão de crédito para fazer a Transferência Eletrônica de Fundos (TEF).

Mas hoje mais de 55% das vendas de varejo do Sinetram já acontecem de forma online, pela rapidez e conveniência do processo que libera o crédito no cartão em até 30 minutos. E é esse dado que fez a equipe desenvolver soluções para a eliminação da presença de dinheiro dentro dos coletivos.

Mais segurança a bordo

A entidade representativa dos operadores do sistema de transporte público de Manaus fez o seu dever de casa investindo não só em vários canais de recarga como também em campanhas de comunicação que destacam a agilidade do embarque e o aumento da segurança. Ao mesmo tempo, a sua equipe se preparou estrutural e tecnologicamente, para a eliminação das transações em espécie dentro dos ônibus.

Ter dinheiro dentro do coletivo é o grande atrativo para o assalto a bordo. Por isso estamos preparados para a qualquer momento transformar 100% do nosso movimento em bilhetagem eletrônica sem causar nenhum problema para os passageiros. Curitiba, Campo Grande, Brasília, Belo Horizonte estão indo nesta direção e já tem capital que levou o índice a quase zero com a retirada do dinheiro de dentro do coletivo”, destaca Byron.

De fato, Brasília fez isso na metade do ano passado e conseguiu registrar queda de 93% em roubos a coletivos, o que é o menor índice dos últimos dez anos para o Distrito Federal.

Próximo salto

A aposta tecnológica do Sinetram tem dado certo também em outros setores. O sindicato tem um Centro de Controle Operacional (CCO) que acompanha remotamente todos os detalhes de cada linha, como horário de saída e de chegada, quebra de ônibus e tudo mais. E comemora um índice de eficiência que fica entre 99,5% e 99,8% sem parar de pensar em mais avanços.

Fábio Byron, que está há dez anos nesse mercado, é categórico ao dizer que o futuro da bilhetagem em Manaus e no mundo todo será sem o plástico do Smartcard e que a sua equipe já tem isso como meta: “Em alguns países já acontece. A conta do cliente fica armazenada na nuvem. O passageiro é identificado no validador com a sua biometria facial. Aí o sistema vê quanto ele tem de crédito na conta dele e desconta o valor de uma passagem. Aqui, já estamos trabalhando em pesquisas e parcerias com algumas instituições para chegar nesse ponto de uma bilhetagem eletrônica totalmente autônoma”.

Tudo isso tem transformado o dia a dia da cidade e seus habitantes. Tem também colocado Manaus como uma referência no Brasil com a incorporação de uma filosofia que trata o passageiro como cliente e ponto central de uma operação que segue atenta à segurança e à agilidade das suas operações”, diz Byron.

Fátima Mesquita, jornalista e escritora, especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Ricardo Feitosa disse:

    Na matéria não cita a principal ação que falta para Manaus que é habilitar o pagamento por aproximação de cartões bancários (débito/crédito). Sem isso Manaus fica muito atrasada!

  2. Marcelo disse:

    infelizmente nao e so dinheiro que os bandidos leva mais celulares das vítimas que esta sendo um alvo principal temos que pensa nisso também nao so no benefício da empresa mais na na segurança dos passageiros

  3. Nádia P X Souza disse:

    Boa noite,

    Manaus estar precisando realmente que esses aplicativos funcione, porque atualmente estar bem longe de estar funcionando mil maravilhas. Muito raro quando segue os horários, existe uma mudança de horários quando os alunos entram de férias, que ainda tive um retorno de nenhum responsável pelo transporte público. O Porquê dessas mudanças.
    Nos funcionários privados não mudamos de horários de entrada, quando os alunos entram de férias. Mudam do nada o horário, swm se quer avisar. Aonde se di que existe um aplicativo para esses avisos, e que isso não funciona na prática, somente na cabeça dos responsáveis técnicos de horários. Indignada sempre com tudo isso. Já liguei para vários lugares, sendo que nunca obtive uma explicação se quer de tudo isso que acontece. Acredito que como cidadã, que paga os impostos, tem o direito de uma resposta.
    Mexer nos primeiros horário do dia e do fim do dia, isso é uma verdadeira burrice, porque acredito que quem faz isso, não usa o transporte público.

    Nadia Xavier

  4. lita cruz disse:

    Tá faltando

  5. Vagner disse:

    Sou trabalhador como fica eu uso o cartão vale transporte

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