Mototaxistas em SP: “Nem tudo que o cidadão deseja é bom para a sociedade”, diz superintendente da ANTP

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte, Luiz Carlos Néspoli critica a polêmica em torno da regulamentação do serviço e alerta para os riscos da atividade

ALEXANDRE PELEGI

A recente chegada de aplicativos de transporte de passageiros por motocicleta em São Paulo reacendeu o debate sobre a regulamentação do serviço na cidade. Em meio à polêmica, o Diário do Transporte conversou com Luiz Carlos Nespoli, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), que critica a postura das empresas de aplicativos e alerta para os riscos do mototáxi para a segurança no trânsito e para a sustentabilidade do transporte público.

Leia a entrevista na íntegra:

Diário do Transporte: Sr. Nespoli, a polêmica em torno dos mototaxistas em São Paulo reacendeu com a chegada dos aplicativos. Qual a sua visão sobre essa questão?

Luiz Carlos Nespoli: A polêmica é falsa e provocada pelas empresas de aplicativo para confundir a opinião pública. Elas alegam que a legislação federal as permite operar, citando a Lei 12.640/2018, mas ignoram que a mesma lei dá autonomia aos municípios para regulamentar o serviço. Em São Paulo, o serviço é proibido por decreto municipal. O Supremo já decidiu que a intermediação por aplicativos não é ilegal, mas na ausência de regulamentação, as empresas não podem cadastrar profissionais para realizar a atividade.

DT: Mas a população parece aprovar o serviço, principalmente como alternativa ao trânsito congestionado.

Luiz Carlos Nespoli: É verdade que o mototáxi se beneficia das condições ruins do trânsito e da lentidão dos ônibus, especialmente em São Paulo. As empresas de aplicativo usam isso para pressionar o poder público, seduzindo motociclistas com a promessa de renda extra e passageiros com a possibilidade de escapar do congestionamento. Mas o cidadão desejar um serviço não significa que ele seja bom para a sociedade como um todo.

DT: Quais os principais riscos que o senhor enxerga na atividade?

Luiz Carlos Nespoli: O transporte remunerado de passageiros por motocicleta aumenta os riscos já existentes na circulação de motos, colocando em perigo tanto o motociclista quanto o passageiro, que muitas vezes não tem noção dos perigos e do comportamento adequado como carona. A estatística de mortes no trânsito envolvendo motocicletas é crescente, e 9% das vítimas fatais são passageiros. Admitir um serviço que aumenta o risco de acidentes exige estudos e cautela por parte do poder público, responsável pela segurança no trânsito e pelos custos hospitalares dos acidentados.

DT: O que deveria ser feito então para solucionar a questão da mobilidade urbana em São Paulo?

Luiz Carlos Nespoli: O foco deveria ser a melhoria do transporte público, com a ampliação de corredores e faixas exclusivas de ônibus, além da expansão da rede metroviária. Enquanto não houver políticas públicas eficazes para melhorar a fluidez do transporte público e reduzir o tempo de viagem da população, a pressão por alternativas como o mototáxi continuará. Ceder a essa pressão e admitir “válvulas de escape” como o mototáxi seria um erro. Isso levaria à redução de passageiros no transporte público, impactando a receita e aumentando a tarifa e os subsídios. Além disso, teríamos um aumento na taxa de acidentes e mortes no trânsito, elevando os custos hospitalares. A solução não é simples, mas certamente passa por investir em um transporte público de qualidade e seguro para todos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Haveria ainda um grande aumento desenfreado na quantidade de motos em circulação, tornando o trânsito ainda mais impraticável do que ele já é hoje. Inclusive caótico também para as motos, que passariam a disputar entre si um espaço cada vez menos disponível, deixando então de contarem com a agilidade que elas ainda contam.
    E no meio de toda essa balburdia logo apareceriam as moto-taxis piratas, operando com “regras próprias” e só piorando ainda mais a situação.

    Talvez o melhor exemplo de que os aplicativos não sejam a grande solução para tudo, é o retorno de muitos passageiros aos taxis e até aos automoveis próprios. Tanto por razões de eventuais ocorrências de insegurança, quanto pelos preços variaveis que muitas vezes acabam não sendo vantajosos.

    1. laurindojunqueira disse:

      Quando elas dominarem tudo, o crime organizado estará com a faca e o queijo na mão. E aí, os preços públicos serão estabelecidos por quem, mesmo? Quando um motoqueiro se acidenta ou mata alguém no trânsito, quem assume os custos hospitalares e de seguridade pública? Ah! Já sei! Os fabricantes de motos do Japão! Veja só se os royalties que a Honda e a Suzuki recebem servem para mitigar a tragédia humana q ocorre no Brasil com suas máquinas fantásticas!

      1. IVAN SEVERO DA SILVA disse:

        Lind

      2. Cleber disse:

        Pow cara, vc não percebe, já estamos em um narco-estado, a prefeitura quer proibir os moto táxi, pq atrapalha os contratos deles com as empresas de ônibus dominada pelo PCC, estamos em um narco-estado, acorda

    2. Isaias disse:

      Então levar passageiros em uma motocicleta será proibido..pois é transporte, ainda que não remunerado.
      O poder público jamais se preocupa com bem estar da sociedade, se preocupa sim, com algum grupo empresarial que será impactado pelo serviço, provavelmente empresas de transporte público que vivem de pagar proprina para ter favorecimento nas licitações pública.

      1. Leonardo disse:

        Quem paga propina são os aplicativos as prefeituras pra não serem fiscalizados sem ordens uma baderna

      2. Santiago disse:

        Se as empresas de ônibus passam longe da santidade, as empresas de aplicativos passam mais longe ainda.

        Lembrando que os aplicativos chegaram invadindo e se impondo, sempre valendo-se de brechas nas Leis.
        Além não se importarem com as condições de trabalho e de remuneração dos motoristas sérios, também ingnoram os antecedentes criminais de certos motoristas que adicionam sem preocupação alguma.

        Agora imaginem esse oba-oba com motos, que são veículos muito mais sujeitos a ilegalidades e mais complicados de se fiscalizar.

        Estamos chegando à uma situação em que já não basta deixar esse rojão apenas na mão das prefeituras. Uma parceria e regras conjuntas com o estado começa a fazer-se necessária.

    3. IVAN SEVERO DA SILVA disse:

      Especialista de merda, resolva o problema do transporte público

  2. Leonardo maia disse:

    Parabéns ao prefeito de São Paulo proibir moto táxi seria uma carnificina que prefeitos de outras capitais do Brasil olhem pro povo não aceitem propinas dessas empresas e proíbam esse transporte remunerado de passageiros por motos parabéns Nunes mais uma vez São Paulo a frente

    1. IVAN SEVERO DA SILVA disse:

      Lin

  3. Parabéns a prefeitura por poibrir os mototáxi não são.proficionais andam de qualquer jeito na faixas do ônibus passan no farol vermelho aconteceu um caso em.osasco mototáxi caiu com a
    passageira ela morreu no local mototáxi deu fuga

    1. IVAN SEVERO DA SILVA disse:

      Você que é ,um grande profissional,na hora de pedir iffod ,os gordos ,obesos , sedentários nem quer descer do app

  4. Cleber disse:

    Se nem tudo que o cidadão deseja eh bom pra sociedade eu tenho uma pergunta, a sociedade é composta por quem? Se o governo não faz o desejo da sociedade, por que pagamos impostos tão alto? Alimentar o narco-estado?

  5. MARCOS disse:

    Penso que basta arrumar uma taxa que o prefeito volta atrás rapidinho , vai até querer andar de moto, com certeza a preocupação dele com a segurança do cidadão some fácil

  6. Alex disse:

    Nao adianta os passageiros vao usar o moto taxi por aplicativos isso e fato.

  7. Cleber Figueiredo disse:

    Olá!

    Analisando as palavras de Luiz Carlos Nespoli:

    “O transporte remunerado de passageiros por motocicleta aumenta os riscos já existentes na circulação de motos, colocando em perigo tanto o motociclista quanto o passageiro, que muitas vezes não tem noção dos perigos e do comportamento adequado como carona.”

    Analisando essa situação: o transporte sem custo, é aceitável? Qual é a diferença entre eles?

    Eu ando de ônibus para chegar em casa, que só funciona por milagre. Quando consulto o Moovit ou o CittaMobi, eles indicam que chegará em X minutos, mas simplesmente não aparece. Depois de 20 minutos, nada; mais 20 minutos se passam e o rastreamento falha. Já estive em situações de até 1 hora de espera, com ônibus velhos, superlotados e de uma empresa com péssima reputação. Fiz várias reclamações, mas não obtive resposta. Quem iria querer tocar uma colmeia de marimbondos? Isso acaba por tratar a população com desprezo!

    A empresa onde trabalho tem um contrato corporativo com a 99 e a UBER, e os funcionários externos optam pela modalidade de moto-táxi, sem nenhuma queixa.

    O que se observa é que a prefeitura, apoiada pelo PCC e outros políticos, não quer abrir mão da significativa receita gerada pelas tarifas pagas.

  8. Jf disse:

    Essa perseguição contra os moto aplicativo é simples de entender é a prefeitura juntamente com os empresários de ônibus que não estão gostando nada de os passageiros ou cidadão paulistano migrar para os aplicativos, a 99 é os motoubes prestam um grande serviço a sociedade agilizando a vida de muita gente em meio a um trânsito caótico e congestionamentos gigantescos, inclusive a prefeitura quer dinheiro..esses governantes querem interferir em yoda a vida do cidadão. Vejo a hora os governos quererem deitar com a mulher da gente.

  9. Julia Robert dos santos Limeira disse:

    Em toda área a bons proficionais e os ruins em toda área há risco até em palavras saída em ocasiões enesperadas e suas atitudes tudo gera risco essa preocupação com o povo deixa a deseja a frota de moto sempre vem crescendo e ninguém nunca se preocupou e a agora vem tudo de ruim um monte de estatísticas que só agora aparece o bicho papão que em dois mil e vinte ajudou e foram heróis na pandemia e agora ninguém do poder público acredita mas nesses heróis que agora precisa de uma renda extra não há apoio do poder público que tanto se preocupa mas não abre espaço pra escutar os heróis esquecido e andar em uma moto não é obrigado é livre escolha onde está a democracia deve proibir de comprar moto pra andar na capital é perigoso gente não há sentido !!

  10. Adriano disse:

    Na minha humilde opinião o negócio é deixar todo mundo trabalhar. Des que trabalhe com segurança!!!! Pois acidente de moto sempre teve mesmo antes de aplicativos!!! O negócio é pegar o nome destes deputados e prefeitos acompanhar a votação de projetos e leis destes caras. Nas prossimas eleições bota esta turma toda para fora. Acidente de moto sempre teve o negócio cabe cada um fazer sua parte no trânsito responsável no seu dia a dia!!!

  11. Leandro disse:

    Bom tudo isso aí os aplicativo de transporte alega então é do força eles chefia os custos com os acidentes em os hospitais e com as mortes também aí vê si eles vão querer

  12. Júnior disse:

    Uma coisa é certa: essa bronca do Nunes, não é e nunca foi pela “segurança” dos passageiros.
    Há muitos interesses por trás disso.

    Quando ele disse que “haveria uma carnificina”, querendo causar pânico e medo nas pessoas, com certeza ele não estava pensando em nenhuma carnificina no sentido literal.

    “Carnificina” há todos os dias, com barulho, com violência, com trânsito, com poluição.
    “Carnificina” há todos os dias, no transporte público, trens, ônibus e metrô, super lotados.
    “Carnificina” há todos os dias, com essa quantidade de impostos que somos obrigados a pagar.
    “Carnificina” há em qualquer chuva que aconteça na cidade, enchentes, alagamentos, falta de energia.

    E ainda que eu tenha usado o termo “carnificina” no sentido figurado, é pra mostrar que esse elemento não está nem um pouco preocupado com uma “carnificina” literal.

    Já pensou, milhares de pessoas deixando de usar os ônibus municipais, pra usar moto???

    A prefeitura não quer isso, e pra ela, quanto mais pessoas usando ônibus, melhor é.

    Bom, os ônibus em São Paulo são todos pontuais, confortáveis, nunca estão cheios, não pegam trânsito, as pessoas conseguem usar os ônibus e não há reclamações de má prestação de serviço, além do preço ser uma pechincha, não é mesmo?

    Como o paulistano é tão ingrato e não consegue reconhecer um bom prefeito, que só pensa nas pessoas…
    Esses ingratos estão querendo se locomover de moto, ao invés de andar nos moderníssimos e confortáveis ônibus municipais? Isso é um absurdo!!
    Trocar o conforto e a pontualidade dos ônibus, por moto? Isso tem que ser barrado!

    Só o “Estado” pra saber o que é melhor pra população…
    A população não tem condições de fazer suas próprias escolhas…
    Há a necessidade do “Estado” e dos políticos escolherem o que é melhor para o povo.
    O povo é ingrato, e não sabe escolher o que é melhor pra ele, somente o prefeito sabe…
    A população é igual uma criança, que não sabe tomar decisões, e precisa de um pai, no caso um prefeiro, pra decidir por ela….

    Enfim, essa bronca do Nunes NUNCA foi e NUNCA será pela questão “segurança”.

    Infelizmente, muitas pessoas caem no discurso amedrontador e emocionado de alguns políticos, e não conseguem enxergar nada além disso, não raciocinam, não questionam, não discutem, não debatem, não confrontam, apenas batem continência para seus políticos e suas decisões, independente se essas decisões que os políticos tomam, são boas ou ruins.

    1. laurindojunqueira disse:

      A violência que a informalidade representa para a cidadania, a urbanidade, a civilidade e a humanidade – e, enfim, para a sobrevivência do mínimo de democracia que ainda temos – pouco ou nada tem sido considerada pelos comentários de nossos colegas. Apesar de serem verdadeiras as palavras (bem escritas) do Júnior, a informalidade serve, ao cabo, para lavar dinheiro sujo do crime organizado. Eles e seus advogados começam sempre demonstrando boas intenções. Mas, ao final, quem sobreviver verá…

  13. Renato gallo disse:

    A populacao nao concorda com os app esta certíssimo Sr luis carlos nao concordamos e nao temos capacidade de absorver esse tipo de atividade pelo baixo custo cobrado pelos app de carro e tbm pela quantidades de acidentes ja causados diariamente já imaginou agora com 2 pessoas em cima da moto mais custo aos cofres publicos . Numa cidade onde tempo e dinheiro è que vem para ca ou mora esta aqui para ganhar dinheiro e nao ficar preso no transito por acidentes
    Perfeita a decisão da prefeitura e continuamos apoiando a negativa deste servico !!!!!

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