Brasil bate recorde de vendas de veículos em 2024; vendas de ônibus cresceram 9,7% ante 2023
Publicado em: 14 de janeiro de 2025
Entidade comemora alta de 14,1% nas vendas gerais, mas pede medidas para conter a entrada de veículos estrangeiros, especialmente da China
ALEXANDRE PELEGI
O Brasil registrou um recorde histórico na venda de veículos novos e usados em 2024, atingindo a marca de 257.431 unidades, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O número representa um crescimento de 14,1% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelo mercado de veículos zero quilômetro.
Apesar do resultado positivo, a Anfavea manifestou preocupação com o aumento das importações, que atingiram o maior patamar dos últimos 10 anos. A entidade destaca que o Brasil gastou R$ 30 bilhões em importações de veículos em 2024, com uma renúncia fiscal de R$ 6 bilhões.
“O Brasil precisa exportar mais e essa é a prioridade zero da Anfavea”, disse o presidente da Anfavea, Márcio Lima Leite. “Estamos perdendo participação em países que não são fundamentais para o Brasil e em mercados que cresceram. Além disso, temos excesso de importações”, concluiu.

ÔNIBUS – LICENCIAMENTO
No item ônibus novos, os dados da Anfavea registram 22.402 veículos licenciados em 2024, número 9,7% maior que em 2023, quando foram emplacados 20.428.
Tomando por base o mês de dezembro de 2024, com 2.232, o aumento em relação ao mês anterior, novembro, com 1.867 licenciamentos, foi de 19,6%.
Já quanto aos dados de licenciamentos de ônibus referentes a dezembro de 2024 e dezembro de 2023, o crescimento foi de 50,9%: 2.232 ante 1.479 unidades.

ÔNIBUS – PRODUÇÃO
A produção brasileira de ônibus em dezembro de 2024 foi de 1.694 chassis, o que representa uma queda de 30,7% em relação a novembro do mesmo ano (2.444 unidades). No entanto, o setor registrou um crescimento de 14,7% em comparação com dezembro de 2023, quando foram produzidos 1.258 ônibus.
Ao longo de 2024, a produção totalizou 27.749 veículos, um aumento significativo de 34,7% em relação aos 20.598 ônibus fabricados em 2023. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelos segmentos de ônibus urbanos, que teve um aumento de 41,3%, e de rodoviários, com alta de 5,4%. A produção de ônibus urbanos passou de 16.802 unidades em 2023 para 23.749 em 2024, enquanto a de rodoviários saltou de 3.796 para 4.000 unidades.
ÔNIBUS – EXPORTAÇÃO
Embora 2024 tenha sido um ano desafiador para as exportações de ônibus no geral, houve um aumento nas exportações de modelos rodoviários. As exportações totais de ônibus diminuíram 3,1% em 2024 em comparação com 2023, com 4.882 veículos vendidos no exterior em comparação com 4.974 unidades no ano anterior.
Dezembro foi um mês particularmente difícil, com uma queda de 37,5% nas exportações em relação a novembro e uma queda de 5,1% em relação a dezembro de 2023.
No entanto, as exportações de ônibus rodoviários aumentaram 11,2% em 2024, atingindo 2.421 unidades, em comparação com 2.177 unidades em 2023. Esse crescimento no segmento rodoviário compensou parcialmente a queda de 14,2% nas exportações de ônibus urbanos, que totalizaram 2.401 unidades em 2024, ante 2.797 unidades em 2023.
As exportações de ônibus CKD (veículos desmontados) também apresentaram um aumento de 3,4% em 2024, atingindo 3.548 unidades, em comparação com 3.432 unidades em 2023.
ELÉTRICOS X DIESEL
Na soma de ônibus e caminhões, os elétricos tiveram crescimento de 81,7% – foram 465 em 2023, número que saltou para 845 em 2024.
Já os pesados a gás também tiveram crescimento, passando de 149 para 241, ou 61,7%.
Os veículos pesados a diesel subiram 14,38%, o que aponta uma tendência maior do mercado para o transporte mais sustentável.
Em participação, no entanto, elétricos e gás continuam com percentuais baixos: em 2023 os elétricos representavam 0,4% e passaram a 0,6% em 2024. Os pesados a diesel mantiveram a maioria: 99,5% em 2023, caindo para 99,2% em 2024.

IMPORTAÇÕES
A China foi o país que mais aumentou sua participação no mercado brasileiro, com um crescimento de 187% nas vendas, totalizando 120.354 veículos, o que representa participação de 26%.
Já a Argentina, tradicional fornecedora de veículos para o Brasil, viu sua participação cair de 62% para 48%, embora ainda tenha exportado 224.757 carros para o país.
O México respondeu por 44.507 unidades, 43% de aumento, com a participação de 10% no total das importações.
A Anfavea defende a antecipação do imposto de 35% para carros elétricos e híbridos importados, como forma de proteger a indústria nacional e incentivar a produção local. O presidente da entidade, Márcio Lima Leite, ressaltou a necessidade de aumentar as exportações e reduzir as importações como prioridade para o setor em 2025.
No que diz respeito à produção, o Brasil fabricou 2,55 milhões de veículos em 2024, um aumento de 9,7% em relação a 2023. Apesar do crescimento, o número ainda está abaixo do patamar pré-pandemia, quando foram produzidos 2,94 milhões de veículos em 2019.
Produção total de veículos em 2024: 2,55 milhões de unidades (+9,7%).
A Anfavea também celebrou a recuperação do oitavo lugar entre os maiores produtores de veículos do mundo, com o Brasil registrando o maior crescimento (+14,1%) entre os principais mercados.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

