Ônibus híbrido histórico que foi trólebus dos anos 1970 será restaurado com ajuda de rifa de miniaturas, da Eletra e Viação Talismã, além do apoio do Diário do Transporte (COM VÍDEO)
Publicado em: 3 de janeiro de 2025
Empresas ajudaram início de projeto de preservação, mas é necessário obter fundos para recuperação de peças. Veículo tem muita história para contar – confira a memória completa
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Uma rifa, o custeio de deslocamento pela Eletra Industrial e a disponibilidade da Viação Talismã, de Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, vão ajudar a Associação Museu do Transporte a restaurar uma página única e importante da história da eletromobilidade no Brasil: um trólebus adquirido pela CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), da capital paulista, que nasceu no fim doa anos 1970 com carroceria Ciferal, mudou para Marcopolo e, no início dos anos 2001, foi transformado em ônibus elétrico híbrido que chegou a rodar pela capital paulista.
O veículo foi doado a Associação pela Neoenergia Elektro com a apoio da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas sem nenhuma vinculação com o restauro.
O histórico ônibus, que estava na cidade de São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, começou a ser transportado na manhã desta sexta-feira, 03 de janeiro de 2025, até a Viação Talismã que, segundo a organização do museu, cedeu espaço na garagem para que o veículo ficasse mais próximo de fornecedores de peças e restauradores. O transporte da raridade foi custeado pela Eletra Industrial. Mas falta ainda bancar os materiais e a mão de obra para a recuperação do veículo.
“Vamos sortear 14 miniaturas, várias peças únicas e exclusivas. Essa restauração será importante para deixarmos o legado do desenvolvimento da eletromobilidade no Brasil e a participação de todos os entusiastas é fundamental. Queremos agradecer o apoio da Neoenergia Elektro e apoio da ANEEL pela doação do veículo, da Eletra por custear o deslocamento e da Talismã por ceder um espaço que será estratégico para que o projeto saia do papel. Agradecemos também ao Diário do Transporte que contatou a diretoria da empresa Talismã e nos abre o espaço para a divulgação” – disse o presidente do Museu, Paulo Sérgio Vieira.
MAIS ABAIXO CONFIRA VÍDEO DO INÍCIO DO DESLOCAMENTO E A HISTÓRIA COMPLETA DO ÔNIBUS
COMO PARTICIPAR:
ATT: O Diário do Transporte não é organizador ou responsável pela rifa, mas conhece o trabalho dos responsáveis e apenas noticia
A compra dos números e o sorteio são online pelo link:
Quanto é cada número?
R$ 15
Quando é o sorteio?
15 de fevereiro de 2025
Quais os prêmios? – as fotos no link da rifa –
1º Lugar – Miniatura Arpra Mercedes Benz O370RS
Miniatura em metal, escala 1/40 fabricada nos anos 1980. Doação por Carlos Miniaturas e restauração por Maquete de Ônibus
2º Lugar – Miniatura Marcopolo Paradiso G7 1200
Miniatura em metal, escala 1/40, fabricada pela própria Marcopolo. Doação por Carlos Miniaturas e restauração por Maquete de Ônibus
3º Lugar – Miniatura Trem Metropolitano CPTM
Miniatura em plástico injetado, escala 1/87. Modelo operacional, sendo um kit com três carros (vagões), a ser escolhido pelo ganhador: modelo Francorail ou Siemens.
4º Lugar – Miniatura Trólebus CMTC
Miniatura em metal, escala 1/50, modificada e customizada. Doação por Carlos Miniaturas.
5º Lugar – Miniatura Locomotiva Frateschi
Miniatura em plástico injetado, escala 1/87. Modelo operacional, a ser escolhido pelo ganhador no site a ser indicado, sendo válidas para escolha as opções: G12, G22U, U5B, U20C, FA-1, U23C ou C30-7.
6º Lugar – Miniatura Ônibus BR Classics
Miniatura em metal e plástico injetado, escala 1/72. Poderá ser escolhido qualquer modelo de ônibus disponível no site do fabricante, Mercedes Benz O355, O400RSD, CMA Flecha Azul ou qualquer modelo de lançamento.
7º Lugar – Miniatura Ônibus BR Classics
Miniatura em metal e plástico injetado, escala 1/72. Poderá ser escolhido qualquer modelo de ônibus disponível no site do fabricante, Mercedes Benz O355, O400RSD, CMA Flecha Azul ou qualquer modelo de lançamento.
8º Lugar – Miniatura Ônibus BR Classics
Miniatura em metal e plástico injetado, escala 1/72. Poderá ser escolhido qualquer modelo de ônibus disponível no site do fabricante, Mercedes Benz O355, O400RSD, CMA Flecha Azul ou qualquer modelo de lançamento.
9º Lugar – Miniatura Vagão Frateschi
Miniatura em plástico injetado, escala 1/87. Vagão de carga ou carros de passageiros, a ser escolhido pelo ganhador no site a ser indicado.
10º Lugar – Miniatura Vagão Frateschi
Miniatura em plástico injetado, escala 1/87. Vagão de carga ou carros de passageiros, a ser escolhido pelo ganhador no site a ser indicado.
11º Lugar – Miniatura Ônibus Roma Brinquedos – Marcopolo Paradiso G7 1800DD
Miniatura em plástico injetado, escala 1/50. Cor a ser escolhida pelo ganhador.
12º Lugar – Miniatura Ônibus Roma Brinquedos – Marcopolo Paradiso G7 DD
Miniatura em plástico injetado, escala 1/50.
13º Lugar – Miniatura Ônibus Roma Brinquedos – Marcopolo Paradiso G7 DD
Miniatura em plástico injetado, escala 1/50.
14º Lugar – Miniatura Ônibus Roma Brinquedos – Marcopolo Paradiso G7 DD
Miniatura em plástico injetado, escala 1/50.
Objetivo:
A campanha “Sorteio de Miniaturas” é um esforço essencial para garantir o custeio das atividades da Associação Museu do Transporte ao longo de 2025. Com diversos projetos em fase de implantação, os recursos arrecadados permitirão não apenas a manutenção de nossos ônibus históricos, mas também a cobertura de despesas eventuais.
Participando, você concorre a 14 prêmios e, ao mesmo tempo, apoia a preservação física do transporte coletivo nacional. Nosso projeto segue referências internacionais pelo terceiro setor, assegurando uma expansão sustentável.
Todo o montante arrecadado será administrado com transparência e prestaremos contas detalhadas aos associados, além de publicá-las no nosso site oficial, na seção “Transparência”, para acesso público. Dessa forma, reafirmamos nosso compromisso com a ética e a clareza na utilização dos recursos, demonstrando responsabilidade com cada contribuição recebida.
VÍDEO:
HISTÓRICO DO ÔNIBUS:
No final de 1978, a Ciferal (Comércio e Indústria de Ferro e Alumínio), em pleno auge de seu crescimento, venceu uma concorrência pública para o fornecimento de 200 trólebus à Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). O consórcio de empresas envolvidas, além da Ciferal, incluía a Scania e a Tectronic, garantindo assim a viabilização do projeto, seguindo as especificações técnicas elaboradas pela engenharia da CMTC para a produção de novos trólebus nacionais.
Esse projeto fazia parte do plano da prefeitura de São Paulo que pretendia adquirir mais de 1200 veículos para expandir sua rede de transporte. Após nove meses de contrato, a Ciferal entregou o primeiro trólebus, que foi testado nas ruas da capital paulista.
A numeração dos Ciferal Amazonas iniciava em 7101 e seguiam até 7200, sendo os veículos de 7101 a 7100 equipados com um sistema de controle de tração por contatores controlados eletronicamente, enquanto as demais unidades eram com sistema chopper.
Nos anos 1990, muitos dos trólebus adquiridos neste contrato estavam em estado precário, especialmente em termos de estrutura. Após a privatização da CMTC, a partir de 1995 iniciou-se um grande plano de recuperação dos veículos que já não tinham condições de operar. As carrocerias antigas foram removidas, o sistema elétrico foi reformado, e parte dos componentes dos chassis foi reaproveitada em novos chassis, mais resistentes, construídos pela Tuttotransporti. A primeira unidade de trólebus reformado foi encarroçado pela Mafersa, mas, após a falência da empresa, os demais veículos foram destinados à Marcopolo, onde receberam carroceria Torino GV (Geração 5).
Entre 2001 e 2004, parte do sistema de trólebus de São Paulo foi desativada, onde vários veículos que foram reconstruídos acabaram encostados em pátios, sem uso. No entanto, visando o reaproveitamento dessa frota inativa, seis trólebus Marcopolo foram separados pela engenharia da SPTrans (São Paulo Transportes) em 2001 para serem adaptados à tecnologia híbrida, sendo a Eletra Industrial a empresa escolhida para realizar esse projeto. As alavancas de captação de energia por rede aérea foram removidas, e a parte traseira dos veículos foi modificada para abrigar um motor a diesel, que funcionaria como gerador de energia para alimentar um sistema de baterias de chumbo, e consequentemente o motor de tração.
Embora a tecnologia parecesse promissora e houvesse interesse da SPTrans em converter toda a frota operacional de trólebus, as operações comerciais demonstraram que as baterias disponíveis na época não tinham tecnologia para recargas rápidas. Isso exigia uma rotação maior do motor diesel, que não foi projetado para esse perfil operacional, inviabilizando o projeto.
Das cinco unidades híbridas convertidas pela Eletra, todas foram desativadas e destinadas à leilão alguns anos depois. No entanto, um exemplar foi resguardado pela SPTrans com a intenção de ser parte do museu e outra unidade, prefixo 7702, destinada para o desenvolvimento do projeto “Desenvolvimento de um sistema de propulsão para veículos elétricos de transporte de passageiros sem uso de rede aérea para recarga” através de recursos financiados pelo Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação “PDI” regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, em parceria entre as empresas Elektro Redes S.A – “Neoenergia Elektro” e Sygma.
O veículo em suas condições originais era um ônibus híbrido com perfil operacional a diesel e baterias e foi reconfigurado através de modificações mecânicas para receber o novo sistema de propulsão elétrica com os ultracapacitores, objeto da pesquisa do projeto de PDI. Essa tecnologia permitia a recarga de energia em 20 segundos, sendo possível carregá-lo em duas estruturas instaladas na cidade através de um pantógrafo posicionado no teto. O ônibus tinha uma autonomia de rodagem de aproximadamente 1 quilômetro. Esse protótipo foi utilizado temporariamente na demonstração da tecnologia desenvolvida na cidade de São Luiz do Paraitinga, Estado de São Paulo (SP), durante o estudo aplicado à implantação do conceito de cidades inteligentes, contemplando soluções na parte de inserção de veículos elétricos.
Após a finalização do projeto, o ônibus ficou estacionado no pátio da prefeitura do Município de São Luiz do Paraitinga. Em 2024 a Associação Museu do Transporte rastreou o veículo, através de informações dos membros do Movimento Respira São Paulo e entrou em contato com as empresas desenvolvedoras do projeto, Neoenergia Elektro e Sygma, questionando sobre o interesse das partes para doação do ônibus à Associação, devido a relevância histórica desse patrimônio para a sociedade e desenvolvimento de tecnologias nacionais.
Compreendendo a importância do patrimônio e a preservação histórica do ônibus, e em consonância com o Manual de Procedimentos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento, regulado pela ANEEL, as partes envolvidas no projeto, acordaram a doação do ônibus para Associação Museu de Transporte.
E para essa nova fase do ônibus 7702, contamos com patrocínio da Eletra Industrial, que patrocinou o transporte do veículo, e a Viação Talismã, que gentilmente disponibiliza o espaço para guarda temporária do mesmo.
LINHA DO TEMPO – CDL-7702





VIAÇÃO TALISMÃ, ESSENCIAL PARA MANTER VIVO O SONHO DE RESTAURO, COM APOIO DO DIÁRIO DO TRANSPORTE:
O veículo ia ser desmanchado, mas foi retirado do pátio onde estava em São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira, 03 de janeiro de 2025.
A iniciativa da restauração foi da Associação Museu do Transporte, entidade com sede em Sorocaba, também no interior de São Paulo, que já atuou em outros projetos de preservação de veículos de transporte coletivo
O ônibus híbrido foi levado para a garagem da Viação Talismã, local cedido pela empresa de transportes, para ficar num local estratégico, mais perto de revendedores de peças e de mão de obra qualificada para facilitar a logística e diminuir os custos totais de restauração. O deslocamento foi pago pela Eletra Industrial e o contato com a Talismã bem como a divulgação do projeto tiveram atuação direta do Diário do Transporte.
Relembre:
O ônibus foi doado a Associação pela Neoenergia Elektro com a apoio da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas sem nenhuma vinculação com o restauro.
O presidente do Museu, Paulo Sérgio Vieira, destacou que o ônibus é um dos veículos mais raros remanescentes da história dos transportes brasileiros.



Um crime a prefeitura não expandir a rede de trólebus, várias cidades do mundo utilizam-se desse serviço