São Paulo registra o maior número de mortes no trânsito em 9 anos

Foto: Prefeitura de São Paulo/ Faixa Azul, específica para motociclistas.

Os motociclistas são as vítimas mais numerosas, representando mais de 40% do total de falecimentos no trânsito deste ano, com um total de 2.390 fatalidades em todo o estado

ALEXANDRE PELEGI

A escalada de mortes no trânsito no estado de São Paulo atingiu um novo patamar em 2024.

Mesmo sem a contabilização dos dados de dezembro, o estado já alcança o maior número de óbitos dos últimos 9 anos.

Segundo o Infosiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) que monitora a letalidade, foram registradas 5.594 mortes no período de janeiro a novembro em todo o estado, o que representa uma média de 16 mortes por dia. Este é o maior número desde 2015, primeiro ano em que há informações sobre os acidentes de trânsito com óbitos.

Comparado com o mesmo período no ano passado, houve um acréscimo de cerca de 15% nas fatalidades.

Na capital, foram 935 mortes no mesmo período, superando a marca alcançada nos 12 meses de 2023 (928). O ano de 2015, quando teve início a série histórica, segue como o mais violento, com 1.101 óbitos na capital.

Os motociclistas são as vítimas mais numerosas, representando mais de 40% do total de falecimentos no trânsito deste ano, com um total de 2.390 fatalidades em todo o estado. Na capital, os motociclistas representam 41% das vítimas, com 427 óbitos. As mortes de motociclistas aumentaram desde a pandemia do COVID-19. Em 2019, 44,5% dos mortos nos trânsitos eram pedestres, e 34,24% eram motociclistas. Já neste ano, 45,3% representam mortes de motociclistas, e 36,25% de pedestres.

O período noturno é o que mais teve acidentes, com 18.526 ocorrências, seguido da tarde e da madrugada, com 11.626 e 10.741, respectivamente. A maior causa de acidentes à noite é por colisão, com 7.337 incidentes, seguido de atropelamento, com 5.898 óbitos, especialmente em rodovias e vias municipais.

Em 2024, em todo o estado, ocorreram 8.190 atropelamentos em vias municipais e 5.203 em rodovias. Enquanto que 10.932 colisões foram em rodovias, e 9.347 em vias municipais. Na capital, os acidentes se concentram em vias municipais e aos finais de semana. A faixa etária com mais mortes na cidade tem entre 20 e 24 anos.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) chegou a anunciar que sua meta era fechar 2024 com a taxa de 4,5 mortes por 100 mil habitantes, mas recuou em abril do ano passado. A principal medida implementada foi a Faixa Azul, específica para motociclistas, presente hoje em 212 quilômetros da malha viária. Outras ações para redução do número de mortes no trânsito, como “implementar nove projetos de redesenho urbano para segurança e conforto dos pedestres” e “300 km de ciclovias” não foram alcançadas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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