Eletromobilidade

Trólebus 0 km para o ABC Paulista devem ter operação iniciada nos próximos dias. Audiência na capital discute metas de poluição e manutenção da rede. (VÁRIAS FOTOS)

No Corredor ABD, de responsabilidade do Governo do Estado, novos veículos têm maior capacidade, ar-condicionado e nova tecnologia que diminui queda de alavancas

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

OUÇA BOLETIM DE ADAMO BAZANI FEITO AO VIVO NA RÁDIO BANDEIRANTES – PROGRAMA O PULO DO GATO NESTE BOTÃO DE PLAY:

Já estão em fase final de preparação os dez trólebus zero quilômetro que vão circular no Corredor Metropolitano ABD (entre cidades do ABC Paulista e a capital), gerenciado pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), do Governo do Estado de São Paulo. *(VEJA VÁRIAS FOTOS AO FIM DA REPORTAGEM)*

A expectativa da concessionária do Corredor, NEXT Mobilidade, que adquiriu os veículos, é que ainda neste mês de dezembro as primeiras unidades entrem operação comercial.

O novo tipo de trólebus tem ar-condicionado e nova tecnologia que diminui o risco da queda de alavancas.

Os veículos vão substituir modelos mais antigos e são maiores, de 21,5 metros, com maior capacidade de passageiros.

Cada novo trólebus pode transportar 154 pessoas enquanto os mais antigos tinham capacidade entre 70 e 120 passageiros.

A distribuição de passageiros destes novos trólebus é a seguinte:

– Passageiros sentados: 61

– Passageiros em pé: 92

– Cadeira de rodas/cão-guia: 1

Os validadores (para bilhetagem eletrônica), adesivos para comunicação visual e outros itens estão em fase final de instalação.

Em julho de 2024, o Diário do Transporte já havia noticiado a aquisição dos novos trólebus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/07/04/video-corredor-abd-vai-receber-dez-trolebus-zero-quilometro-com-maior-capacidade-de-passageiros/

CAPITAL:

Enquanto o ABC vai receber trólebus 0 km, na capital paulista, as discussões são sobre se a rede vai ou não ser descontinuada. O prefeito Ricardo Nunes sinalizou a possibilidade de a extinção gradativa.

Em audiência pública na Câmara Municipal da capital paulista nesta segunda-feira, 16 de dezembro de 2024, a respeito do PL 825/24, de autoria do presidente da casa, Milton Leite, que pretende alterar a lei sobre as metas de redução de poluição pelos ônibus da cidade, entidades de especialistas entregam proposta para que no projeto seja incluída a previsão de que a rede de trólebus ser mantida. O objetivo é possibilitar que os novos ônibus elétricos substituam ônibus a diesel nos próximos anos, ajudando a cumprir as metas, e não que substituam os trólebus, que não poluem.

O PL, que passou em tempo recorde, de um dia para outro, em primeira votação sem nenhum debate, previa que as metas totais de redução de poluição fossem prolongadas de 20 anos para 30 anos e a compra de ônibus a diesel sem limite de prazo. Após a repercussão gerada pela divulgação no Diário do Transporte, Milton Leite fez uma segunda versão de texto, que restabelece o limite de 20 anos para que as emissões de gás carbônico fossem zeradas, mas cria mais metas intermediárias. A possiblidade de compra de ônibus a diesel, pela nova versão do PL, fica restrita a uma parte da frota somente até 2027. A primeira versão do PL possibilitava que em vez de comprarem ônibus, as viações adquirissem créditos de carbono como forma de cumprir parte das metas. Essa possibilidade não está mais na segunda versão.

Ouvidos pelo Diário do Transporte, técnicos independentes e de entidades, como ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Instituto de Engenharia do Estado de São Paulo), Movimento Respira São Paulo, Defesa do Trólebus, AEMESP (Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô), entre outras, dizem que a rede de trólebus traz vantagens ambientais e econômicas e desativá-la, mesmo que gradualmente, nas próximas décadas, é um contrassenso diante ainda da falta de infraestrutura de recarga para os elétricos somente a bateria.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/12/16/especialistas-pedem-que-trolebus-sejam-incluidos-em-pl-de-milton-leite-sobre-metas-de-reducao-de-poluicao-pelos-transportes-nesta-segunda-16-tem-audiencia-publica/

Entre as alternativas apresentadas pelos especialistas está um tipo de ônibus que funciona com baterias e conectado à rede de fiação. Comercialmente chamado de E-Trol, a tecnologia tem produção nacional e deve se empregada no novo corredor de ônibus BRT (Bus Rapid Transit), que está sendo construído entre o ABC e a capital.

Parte do trajeto pode ser feita com o veículo ligado a fiação aérea e outra parte do percurso só com as baterias que foram recarregadas durante o trajeto em que o ônibus estava conectado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Olimpio Alvares disse:

    Me parece que estao interpretando erradamente o que está escrito no PL. O artigo sobre o 50% e 2/3 parece nao fazer sentido. Ele nao estabelece quantidades mínimas de elétricos. Leia com atenção. O que importa nesta lei é o atendimento das metas de redução. Nada mais é relevante. Esta lei é tecnologicamente neutra e sempre será.

  2. RUY ACQUAVIVA CARRANO JUNIOR disse:

    Muito interessante. Hoje em dia seria possível até colocar um braço mecânico no lugar da alavanca, para conectar e desconectar da rede área com o veículo em movimento. No entanto com a evolução das baterias acho que os ônibus elétricos só com baterias são mais interessantes porque a rede área tem um custo alto de instalação e manutenção. Para estender a autonomia dos ônibus, se necessário, poderia ser feito um sistema de troca de baterias.

  3. Santiago disse:

    Tecnologia e veiculos zero-emissões, ideais para BRTs e linhas/corredores estruturais. Literalmente disponiveis “na prateleira”.
    E plenamente compatíveis com a atual baixa tensão da nossa rede elétrica, exatamente por eles dispensarem aquelas pesadas recargas “na tomada”.

  4. Rodrigo Zika disse:

    É um corredor já estabelecido além do sistema de trólebus, então é só ter vontade pra implantar, agora aqui em SP capital a vontade falta e muito.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading