Prefeitura marca licitação para supervisão das obras do túnel Sena Madureira, zona Sul de SP

Após seguidos cancelamentos, data para abertura das propostas está marcada agora para 13 de novembro

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT), autorizou a reabertura da licitação para a contratação de empresa especializada para supervisão das obras, projetos e serviços relacionados ao Sistema Viário e Túnel da Av. Sena Madureira / Av. Domingos de Moraes, zona sul da capital.

A reabertura se deve à necessidade de adequação do item 7.1.i da Cláusula Sétima da Minuta de Contrato. No entanto, essa alteração não impacta a formulação das propostas, permitindo que o processo licitatório continue sem a necessidade de um novo prazo de publicidade.

A decisão de reabrir a licitação foi tomada pelo Secretário Municipal de Mobilidade e Trânsito, Celso Gonçalves Barbosa.

Desde que o certame foi oficialmente lançado, a data para a realização da sessão de abertura das propostas foi modificada diversas vezes.

O valor total da contratação é de quase R$ 34 milhões (R$ 33.874.714,65), com prazo previsto de 24 meses, contados a partir da data de emissão da primeira Ordem de Serviço.

Critério de julgamento: técnica e preço

Regime de execução: Indireta

Tipo de regime de execução: empreitada por preço global

Modo de disputa: fechado (Concorrência Eletrônica)

POLÊMICA

A Prefeitura retomou a construção do túnel, que tem sido alvo de protestos de moradores devido ao corte de 172 árvores e à remoção de cerca de 150 famílias de duas comunidades locais.

A obra, iniciada em 2011 durante a gestão de Gilberto Kassab, foi interrompida em 2013 na gestão de Fernando Haddad. Ao retomar as obras, o prefeito reeleito Ricardo Nunes reacendeu a polêmica em torno do projeto, que prevê a construção de túnel conectando a Rua Sena Madureira à Avenida Ricardo Jafet.

A Prefeitura argumenta que a obra vai reduzir congestionamentos, mas pelo lado ambiental o projeto tem sido criticado pelo impacto que causará, especialmente o corte de 78 árvores nativas e 94 exóticas.

A obra também impacta uma área reconhecida como Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM), que abriga o Córrego Embuaçu, um dos últimos a céu aberto na cidade, que já teve parte de seu curso concretado durante as obras.

Além do impacto ambiental, a obra também afeta diretamente a vida de cerca de 150 famílias das comunidades Souza Ramos e Luiz Alves, instaladas na região há mais de 40 anos, e que deverão ser remanejadas.

A obra ficou marcada por denúncias de corrupção. Em 2018, o ex-presidente da Galvão Engenharia, empresa responsável pela obra, confessou ter pagado propina para garantir o contrato, mas o caso foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal por falta de provas.

A Prefeitura justifica a retomada do contrato com a Galvão Engenharia alegando que a continuidade da obra com a mesma empresa é mais econômica do que realizar uma nova licitação. O custo total do projeto, atualizado, é de R$ 531 milhões – 140% maior que o valor original.

ESTUDOS AMBIENTAIS

Como mostrou o Diário do Transporte em 28 de junho deste ano o Secretário do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo, e Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – CADES, Rodrigo Pimentel Pinto Ravena, anunciou a disponibilização do Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) referente ao empreendimento Projeto de Remodelação do Sistema Viário da Rua Sena Madureira, zona Sul de São Paulo.

O prazo de consulta tinha validade por 45 dias.

Relembre:

Estudos ambientais da remodelação do sistema viário da Sena Madureira, zona Sul da capital paulista, estão disponíveis para consulta pública

 

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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