Eletromobilidade

Usinas solares no Brasil ultrapassam 16 GW de potência, mas sofrem com cortes no sistema elétrico

Com grande potencial solar, país pode se tornar líder na produção de hidrogênio verde e no desenvolvimento de tecnologias, diz ABSOLAR

ALEXANDRE PELEGI

O Brasil atingiu a marca de 16 gigawatts (GW) de potência operacional em grandes usinas solares, com investimentos acumulados de mais de R$ 68,4 bilhões desde 2012. O setor já gerou mais de 480,5 mil empregos verdes e aproximadamente R$ 22,6 bilhões em arrecadação para os cofres públicos.

Os dados são da ABSOLAR, Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

Para se ter uma ideia da dimensão, 1 GW é capaz de atender cerca de 2 milhões de brasileiros ou 500 mil residências.

A região Nordeste lidera em potência instalada, com 55,5% de representatividade, seguida pelo Sudeste, com 43,4%. Usinas solares de grande porte já operam em todos os estados brasileiros.

Apesar do crescimento, empreendimentos solares enfrentam cortes frequentes determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A ABSOLAR, Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, alerta para o desperdício de energia limpa, estimado em R$ 1,7 bilhão nos últimos dois anos, considerando centrais eólicas e fotovoltaicas.

A entidade defende a modernização do planejamento e investimentos em infraestrutura, como linhas de transmissão e novas formas de armazenar energia limpa. A ABSOLAR acredita na possibilidade de aumentar a participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira, sem comprometer a confiabilidade e o equilíbrio do sistema.

O CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, destaca a importância da energia solar para a economia e a transição energética do país. “A fonte solar é parte desta solução e um vetor de geração de oportunidades, novos empregos verdes e renda aos cidadãos“, afirma Sauaia.

Para o presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, o crescimento da energia solar é uma tendência global que contribui para a descarbonização das economias.

O Brasil, com grande potencial solar, pode se tornar um líder na produção de hidrogênio verde e no desenvolvimento de tecnologias como armazenamento de energia, veículos elétricos e data centers.

CASCAVEL (PR)

O Diário do Transporte esteve nesta semana em Cascavel (PR), conhecendo como funcionam os ônibus elétricos, o eletroterminal e a usina de geração por energia solar da cidade.

Como relatou o editor-chefe Adamo Bazani, a cidade tem um eletroterminal ao lado do terminal Oeste, onde os ônibus carregam as baterias. O local foi escolhido para evitar a chamada quilometragem morta, ou seja, a distância percorrida entre as garagens e os terminais de passageiros.

Mas o que destaca o sistema de ônibus elétricos de Cascavel é que ele é autossustentável, não dependendo da energia que é usada pelas casas, hospitais e comércios. Isso porque, uma usina de energia solar gera eletricidade suficiente para a recarga diária de 30 ônibus e o abastecimento de prédios públicos. Ou seja, os 15 ônibus atuais e os próximos 15 que serão incluídos têm energia garantida.

O engenheiro da prefeitura, Elmo Rowe Júnior, responsável pela “fazenda solar”, instalada sobre um aterro sanitário na cidade, explicou ao Diário do Transporte que a usina possui cinco mil placas em painéis solares que geram energia, jogam na rede de distribuição e o município é compensado financeiramente por esta energia.

Elmo Rowe explicou que a usina gera 437,5 mil kw/h por mês. Isso, de acordo com o engenheiro, proporciona pelo atual preço da energia, cerca de R$ 330 mil de economia por mês.

Por ano, esta economia pode chegar a R$ 3,7 milhões. Como a usina custou em torno de R$ 12 milhões para ser construída e começar a funcionar, a estimativa é com, com a economia de energia, num período entre três e quatro anos, ela se paga.

Leia aquei a matéria completa, com vídeo e fotos da reportagem:

VÍDEO ESPECIAL: Diário do Transporte conferiu com exclusividade como funcionam os ônibus elétricos, o eletroterminal e a usina de geração por energia solar em Cascavel (PR)

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Temos uma geografia e recursos privilegiados.
    Temos tecnologias qualificadas, e pessoal altamente capacitado.
    Só nos falta um item, que há gerações ainda não conseguimos ter: Vontade Política!

  2. Geraldo Pereira Filho disse:

    Tenho observado isso há muito tempo, nos fins de semana e feriados principalmente, a ons limita a geração das usinas fotovoltaicas sem muito critério. Sei que o sistema precisa de uma geração mínima de hidroelétricas para a estabilidade, mas em um fim de semana coloca 25GWatts como mínimo, no outro 30, ou 35. Sinal que não está preocupado com o nível dos reservatórios. Mas o pior é com as eólicas, dá 6 horas da manhã, a geração cai drasticamente de 20Gw para 5 GW, às vezes. E só começa a elevar a geração depois das 16 horas, momentos em que a hidroelétricas já estão a mais de 40 GW.

  3. PAULO DA SILVA BATISTA disse:

    Deveria servir de exemplo pra outras cidades.aqui em goiania por exemplo existe o eixo leste oeste que integra com os outros bairros de responsabilidade do estado “metrobus”,poderia usar os telhados das plataforma ao longo do eixo que são muitos desde a Praça da Bíblia até o terminal na saida de trindade.

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