Licenciamentos de ônibus e caminhões elétricos até setembro já superam todo o ano de 2023, mas não chegam a 1% da frota
Publicado em: 12 de outubro de 2024
Dado é da Anfavea e indica crescimento, mas ainda tímido
ADAMO BAZANI
O número de ônibus e caminhões elétricos licenciados no Brasil entre janeiro e setembro de 2024 já supera o de todo acumulado de 2023.
Enquanto que nos nove primeiros meses deste ano foram emplacados 628 veículos de grande porte movidos a eletricidade, nos 12 meses completos do ano passado, foram 465 unidades.
O dado foi divulgado nesta semana pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), entidade que reúne as montadoras.
O número indica tendência de crescimento na eletrificação da frota de veículos comerciais pesados, mas ainda tímido.
Os 628 caminhões e ônibus elétricos licenciados entre janeiro e setembro de 2024 significam 0,6% de participação no mercado.
Estes veículos movidos a diesel somam 106.068 unidades, ou 99,3% de todo o volume de comerciais pesados.
Embora a Anfavea não traga a diferenciação em seu balanço, a maior parte dos elétricos é formada por ônibus e, no caso do diesel, a maioria historicamente é composta por caminhões.
Há ainda a participação dos modelos a gás natural. Entre janeiro e setembro de 2024, segundo a Fenabrave, foram 162 unidades, ou 0,2% do mercado de pesados.
Neste caso, a maioria dos veículos é de caminhões.
Referente a eletrificação, há ainda muitas questões que impedem o avanço, como a infraestrutura insuficiente de redes de distribuição e de carregamento das baterias nas garagens.
Exemplo é a capital paulista, que tem pouco mais de 200 coletivos elétricos com baterias no sistema municipal de transportes, bem abaixo da meta da prefeitura de 2,6 mil ônibus deste tipo até o fim do ano.
Mas a questão vai além de infraestrutura. Falta uma oferta maior de modelos no mercado, hoje concentrado em ônibus urbanos convencionais e padrons, de 12 metros a 15 metros.
Modelos articulados e micro-ônibus ainda estão em homologação.
No caso da capital paulista, a questão da remuneração das empresas pela compra destes ônibus, que custam até três vez mais, e operação, está resolvida, por meio de subsídios e linhas e financiamento captadas pela prefeitura.
Mas majoritariamente no resto do País, ainda não.
O Governo Federal, por meio do PAC Seleções (Programa de Aceleração do Crescimento), abriu a possibilidade de financiamento de cerca de 2,5 mil ônibus elétricos.
As cidades aguardam os recursos e ajustam as propostas para a liberação do financiamento, mas, ainda há dúvidas dos prefeitos como conduzir a aquisição e depois o repasse destas frotas para as concessionárias de transportes, que são as empresas de ônibus privadas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



E continuará desse jeito, se os planejadores públicos e fabricantes insistirem em apostar todas as fichas nos elétricos a bateria!
É uma tecnologia dos anos 60, ainda não consolidada e nem plenamente confiável, e caríssima pra se adquirir.
Tem ainda enorme peso vazio dos veículos que reduz o transporte de carga util, diminui o desempenho, e aumenta o consumo de energia por km rodado.
E sempre lembrando que, hoje em dia, a eletricidade “de tomada” é cada vez menos disponível a partir de fontes limpas, o que significa precisar atender novas demandas com termoelétricas movidas a petróleo e a carvão. Ou seja, os veículos a bateria não emitem fumaça tóxica, mas demandam que as termoelétricas a emitam ainda mais.