Prefeitura de São Paulo define novos procedimentos para inclusão de ônibus elétricos na frota do transporte coletivo
Publicado em: 25 de setembro de 2024
Medidas valem somente para modelos pré-aprovados pela SPTrans; concessionárias podem negociar preços dos veículos com os fornecedores
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de São Paulo, por meio de portaria conjunta da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM) e Secretaria da Fazenda, definiu novos procedimentos para a inclusão de ônibus elétricos na frota do transporte coletivo da capital.
Na Portaria publicada nesta quarta-feira, 25 de setembro de 2024, a prefeitura define todos os participantes do processo de compra e inclusão dos ônibus elétricos: a Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM); a Secretaria Municipal da Fazenda; a SPTrans; as concessionárias do sistema de Transporte Coletivo e as fornecedoras de veículos elétricos.
Os modelos precisar ter sido já aprovados pela SPTrans, após atender os testes de conformidade. Esta é uma pré-condição para a apresentação dos preços pelas fornecedoras.
Caberá às fornecedoras informar à SPTrans o preço de cada modelo de veículo. Esse valor deverá ser atualizado a cada seis meses, em calendário que será ainda definido e publicado pela SPTrans. A gerenciadora do sistema de transporte da capital deverá dar publicidade aos preços informados.
A portaria abre a possibilidade das concessionárias negociarem os termos e condições de compra junto às fornecedoras. Esse processo poderá implicar na redução dos preços originalmente informados, admite o texto da portaria.
Porém, para efeito da formação do preço de referência, que será utilizado pela SPTrans para definir o valor da subvenção e da composição da remuneração das operadoras, serão utilizadas as notas fiscais de compra dos veículos elétricos adquiridos pelas concessionárias.
SUBVENÇÃO E REMUNERAÇÃO
Como mostrou o Diário do Transporte, a prefeitura publicou portaria com data de 30 de novembro de 2023 em que dispôs uma série de regras para o processo de compra dos ônibus elétricos para a frota do sistema de transporte coletivo da capital.
Nessa primeira publicação, a prefeitura definiu valores dos modelos, apontando a diferença entre os modelos a diesel e os elétricos. Pela tabela divulgada na ocasião, ficou especificado que as empresas vão receber da prefeitura uma subvenção entre 21% e 32% maior para cada ônibus elétrico em comparação com os veículos movidos a óleo diesel.
Vale lembrar que as diferenças de preços são significativas. No caso de um articulado de 21 metros, enquanto o preço foi estipulado então em R$ 1,35 milhão para os modelos a diesel, um elétrico custa R$ 4,1 milhões.
Para definir o modelo de subvenção, a administração municipal calculou que o custo total desse modelo seria demasiadamente elevado para os cofres públicos. Isso porque, nos contratos atuais, as concessionárias são remuneradas pela Taxa Interna de Retorno de 9,10% real a.a. sobre o investimento.
Foi levado em conta ainda o desafio por parte das concessionárias de acesso a crédito com taxas de juros mais baixas.
Com estas informações, a prefeitura optou pelo modelo de subvenção ao investimento de eletrificação da frota, pois possui amplo acesso a crédito e com taxas mais baixas que as concessionárias.
Ao estudar as alternativas a administração municipal apurou que neste modelo a cada R$ 1.000,00 reais de subvenção, em média, a remuneração mensal da concessionária diminui em R$ 14,00, considerando os 12 anos restantes do contrato. “Ou seja, caso a taxa de financiamento contratada seja menor que 9,10% real a.a.¹, já haverá ganhos nesta proporção”.
Pelo modelo adotado, portanto, numa primeira estimativa a prefeitura realizará uma transferência de capital no montante referente à diferença entre os valores dos ônibus elétricos e seus equivalentes movidos a diesel, correspondente à cerca de R$ 5,5 bilhões (entre operações de crédito externo, interno e recursos do Tesouro Municipal), ficando as concessionárias responsáveis pelos R$ 2,4 bilhões restantes.
As empresas de ônibus permanecerão investindo o montante equivalente aos ônibus a diesel, ficando ainda responsáveis pelos investimentos na infraestrutura de carregamento elétrico.
Os ônibus elétricos serão divididos entre as 24 empresas concessionárias, observando um cronograma de renovação da frota segundo a vida útil dos ônibus a diesel atualmente operados.
De acordo com a prefeitura, “este modelo alternativo de financiamento é compatível com os atuais contratos de concessão e, portanto, reduz a necessidade de alterações contratuais complexas, facilitando e agilizando a operacionalização da substituição da frota por ônibus elétricos”.
Ainda segundo a prefeitura, a contratação de financiamentos com taxas de juros diferenciadas por intermédio da municipalidade possibilita a eletrificação da frota a um custo menor, onerando em menor escala os cofres públicos na manutenção do sistema de transporte coletivo, além do fato de os ônibus elétricos apresentarem custo operacional menor que o do ônibus a diesel, o que também contribuiria para a redução do custo total.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Ainda que aparentemente moderna, a tecnologia elétrica a bateria é dos anos 60, quando a eletricidade limpa era barata e relativamente abundante. Porém tal tecnologia foi sumariamente engavetada à época, por imposição dos interesses das então “sete irmãs” do petróleo.
Eis que agora ela é despertada da gaveta, e comercialmente habilitada às pressas, com os mesmos conceitos e limitações técnicas dos anos 60. A única atualização de fato foi nos materiais aplicados na fabricação das baterias. As quais porém continuam pesadíssimas, caras e com baixa confiabilidade.
E mais relevante: Ao contrário dos anos 60, não existe mais a eletricidade limpa e à disposição pra esse tipo de demanda – a qual, ao contrário do que aparenta, exige elevadas quantidades de eletricidade “pronta” por veículo.
Vamos sair dessa enquanto é tempo…
Ja existem outras tecnologias mais eficientes, tão ou mais limpas quanto, menos custosas, e bem mais fáceis de se aplicar!
E os que não foram aprovados, uma eternidade só pra isso, vergonhoso.
São péssimos esses ônibus elétricos que hoje circulam em São Paulo, rodam em velocidade muito baixa e, com esse calor insuportável, não ligam o ar condicionado, transformando-se em um verdadeiro forno.