Governo de SP aponta desequilíbrio financeiro de R$ 31 milhões em contrato de concessão das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda
Publicado em: 28 de agosto de 2024
Realocação do Pátio Brás foi suprimido das obrigações da ViaMobilidade; valor será computado em benefício do Estado
ALEXANDRE PELEGI
O Colegiado de Membros da CMCP (Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões), da Secretaria de Parcerias em Investimento do Estado de São Paulo, decidiu suprimir mais um empreendimento do contrato de concessão das Linhas 8-Diamante e 9- Esmeralda assinado com a ViaMobilidade.
Em reunião, o colegiado deliberou pela recomendação de supressão do Empreendimento 59 (“E59”) – Realocação para o Pátio Brás.
Com a dispensa da obrigatoriedade de realizar esta realocação, o CMCP reconheceu um desequilíbrio econômico-financeiro, em favor do Poder Concedente, no montante de quase R$ 31 milhões (R$ 30.935.019,70).
“Esse valor de desequilíbrio deverá ser reequilibrado em favor do Poder Concedente, considerando as atualizações contratuais e a modalidade de reequilíbrio a ser oportunamente eleita pelo Poder Concedente”, informa a Ata da Reunião nº 127 do Colegiado, divulgada nesta quarta-feira, 28 de agosto de 2024.
A supressão do empreendimento, que gerou o crédito de quase R$ 31 milhões em favor do Estado, vai possibilitar novos investimentos nas Linhas 8 e 9, como a troca do sistema de sinalização.
OUTRAS SUPRESSÕES DO CONTRATO
A ViaMobilidade já foi liberada de realizar os empreendimentos referentes à implantação de áreas de manutenção no Pátio Engenheiro São Paulo (E58) e junto ao Parque Ecológico (E60), o que implicou também em compensação em favor do Estado.
Segundo o contrato, a ViaMobilidade deverá realizar 76 empreendimentos, com prazos definidos, que vão desde a reforma de estações das duas linhas, implantação de passarelas, até a realocação das atividades da CPTM para outros Pátios.
Com a supressão parcial ou integral dos empreendimentos de responsabilidade da concessionária, é feita uma recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do Contrato, o que ocorrerá “em momento oportuno, via compensação de créditos regulatórios, existentes ou a serem constituídos, devidos de parte a parte”.
Veja a seguir o teor de decisões publicadas no dia 04 de junho deste ano:
Supressão parcial da realocação de Pátios da CPTM:
– para o Pátio Engenheiro São Paulo, prazo de 36 meses (empreendimento nº 58);
– para o Pátio Parque Ecológico do Tietê (Linha 13), prazo de 36 meses (empreendimento nº 60)
Foi suprimido integralmente a complementação do Acesso Norte da Estação Jd. Silveira, da Linha 8, num prazo de 24 meses (empreendimento nº 40).
No caso da realocação de pátios da CPTM, o contrato define que as atividades desenvolvidas em Presidente Altino deverão ser transferidas pela concessionária para as localidades previstas de Engenheiro São Paulo, Brás, e PET – Parque Ecologico do Tietê.
Quanto ao acesso norte da Estação Jd. Silveira, da linha 8, o contrato de concessão define que “ficarão a cargo da CONCESSIONARIA todos os custos com as desapropriações necessárias à implantação dos EMPREENDIMENTOS, independentemente da condução do processo de desapropriação, arbitral, judicial ou de forma amigável”.
Para a realização do acesso à estação, em 2018 o Governo de SP publicou decreto declarando de utilidade pública área de 5.452,306 m², “a fim de ser desapropriado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, imóvel localizado no Município de Barueri, necessário para reconstrução e modernização da Estação Jardim Silveira, da Linha 8 – Diamante”.
A Secretaria de Parcerias em Investimentos do Governo de São Paulo esclareceu o significado das decisões:
NOTA
As supressões de investimentos publicadas no Diário Oficial desta terça-feira (4) geraram crédito de aproximadamente R$ 200 milhões em favor do Estado de São Paulo e serão utilizados para investimentos prioritários nas Linhas 8 e 9, os quais serão anunciados em breve pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). Os empreendimentos suprimidos, após as devidas análises técnicas, foram considerados impertinentes, seja por já terem sido executados pelo município ou por estarem previstos nos próximos lotes de concessão do Programa SP nos Trilhos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Então é assim: o governo diz que o que era pra via mobilidade fazer (que no caso ela não estava fazendo porque não queria) agora não precisa mais, só que não é pra pagar o estado de volta, é pra investir na própria linha (que já é uma obrigação dela). Quanta mordomia né?
Privatização quem ganha o povão que não é, é uma farra com dinheiro público e assim vai aguardem a pegadinha por trás da privatização da Sabesp.
Curioso que nesse caso o “cumprir contrato” tão argumentado pelos governadores privatistas quando o governo assume um prejuízo nessas contratações não foi aplicado. Nesse caso foi possível reescrever o contrato e adequá-lo, desobrigando a concessionária de parte de seus compromissos e ainda com o crédito correspondente ficando em aberto para compensação futura.
Como na via Dutra a Camargo fez o mesmo com a ampliação ou variante da Serra das Araras. Até hoje um gargalo. Ganhou mesmo? Ganhooouuu.